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Mundo

Cardeais chegam a Roma para conclave

Os 117 cardeais que elegerão o sucessor de João Paulo II estão no Vaticano. Primeira reunião decide sobre data do funeral de João Paulo II.

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Quem irá ocupar o trono de São Pedro?

Os 117 cardeais que podem votar e ser votados na sucessão papal decidem, nesta segunda-feira (04/04), quando será o funeral de João Paulo II, falecido no sábado (02/04). "A primeira congregação geral de cardeais acontece às 10h locais, na sala Bologna do Palácio Apostólico", informou Vaticano.

Após os nove dias de luto oficial por Karol Wojtyla, os cardeais vão eleger um novo líder da Igreja Católica. No momento, o trono de São Pedro é chamado de "sede vacante" - expressão usada para designar o tempo em que fica desocupado, entre a morte de um papa e a eleição de seu sucessor. Esse tempo – que inclui o processo sucessório – foi minuciosamente regulamentado, ao longo dos séculos, pelos papas, principalmente por Gregório X, entre 1621 e 1622.

Na constituição apostólica "Universi Domini gregis" (O rebanho universal do Senhor), de 22 de fevereiro de 1996, o papa João Paulo II confirmou algumas das 92 regras que valem nesse período, mas mudou outras. Uma inovação foi que, teoricamente, qualquer adulto do sexo masculino é "papabile" ("papável"), ou seja, pode ser eleito papa. Na prática, no entanto, já há muitos séculos que só cardeais têm sido escolhidos.

Renúncia coletiva

Papst Johannes Paul II aufgebahrt

Cardeal camerlengo Eduardo Martínez Somalo asperge o corpo do papa com água benta na Sala Clementina do Palácio Apostólico, no Vaticano

No momento, o homem mais poderoso do Vaticano é o cardeal camerlengo, o espanhol Eduardo Martínez Somalo, chefe do Sagrado Colégio de Cardeais. Depois de confirmar a morte de João Paulo II (nunca foi feita uma autópsia em papa), ele começou os preparativos do funeral e dos nove dias de luto.

O poder do camerlengo durante a "sede vacante" vem do fato que, após a morte de um papa, há uma renúncia coletiva da maioria dos ocupantes de cargos de confiança no Vaticano. O cardeal Angelo Sodano, portanto, não é mais secretário de Estado, nem Josef Ratzinger é mais prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Além do camerlengo, apenas o Penitenciário Mor (responsável pelo poder Judiciário do Vaticano), os vigários gerais de Roma e da Cidade do Vaticano e o cardeal-vigário da basílica de São Pedro permanecem no cargo.

Até ser eleito o sucessor de Karol Wojtyla, a Igreja e os palácios apostólicos são administrados de forma provisória pelo camerlengo e mais três cardeais sorteados a cada três dias. Essa "congregação especial", no entanto, não pode tomar decisões reservadas ao papa.

Conclave

Kardinal Joseph Ratzinger

Cardeal Ratzinger convocou o conclave que elegerá o sucessor de João Paulo II

Como Ratzinger é o deão (mais idoso) do Sagrado Colégio de Cardeais, foi ele quem convocou os 117 cardeais com menos de 80 anos que podem votar e ser votados no conclave.

Primeiro, os cardeais vão decidem como e quando o corpo de João Paulo II será exposto para veneração dos fiéis na basílica de São Pedro. Dentro de no máximo 20 dias, eles devem começar a votação do novo papa, cujo início é fixado pela "congregação especial".

Para abrir o conclave, uma missa é celebrada na basílica de São Pedro. Durante o período de eleição do papa, os cardeais permanecem isolados do mundo, numa sala da fechada à chave pelo lado de fora, próximo à Capela Sistina, onde o conclave propriamente dito acontece.

Para eleger João Paulo II, ficaram dois dias trancados nessa sala. Tanto a Capela Sistina quanto as celas em que ficam os cardeais (quando não estão votando) são examinadas para detectar possíveis microfones, as entradas são seladas, as cortinas fechadas. O uso de telefones celulares, câmeras ou microfones é proibido.

Voto secreto e maioria simples

Após os preparativos, começam as votações secretas. Não há discursos de candidatos. Cédulas com a frase "Eligo in Summum Pontificem – Para papa, voto em" são distribuídas. No passado, um papa tinha que ser eleito com dois terços dos votos, mais um. O Papa João Paulo II mudou essa regra. A partir de 1996, se não houver um eleito após 12 ou 13 dias de votação, os cardeais podem decidir – por voto majoritário – que o novo papa seja escolhido por 50% dos votos mais um.

Duas sessões de votação são feitas a cada dia: uma pela manhã e outra à tarde, ou pelo tempo que for necessário. Cada cardeal deposita seu voto no cálice, sobre o altar. Depois de cada sessão, cédulas são queimadas. Se a votação não foi conclusiva, uma substância química é adicionada às cédulas para que eles produzam uma fumaça negra ao queimar. A fumaça que sai pela chaminé, no telhado do Palácio do Vaticano (única ligação com o mundo durante o conclave), é um sinal para a multidão que espera na Praça de São Pedro. Enquanto for negra, significa que a Igreja está sem sua principal figura.

"Habemus papam!"

Eleito o novo papa, o deão pergunta se ele aceita a eleição e que nome adotará. Esse costume vem desde o século 10 e é uma lembrança de que Jesus mudou o nome de São Pedro ao escolhê-lo para chefe de sua Igreja. Nesse momento, todos os baldaquinos cor de púrpura dos tronos são levantados, menos o do escolhido. As cédulas da votação são queimados e a fumaça branca avisa ao povo na praça que um novo papa foi eleito.

O escolhido é, então, levado para um quarto ao lado, onde veste as roupas de papa. Os cardeais prestam a ele sua primeira homenagem. O deão surge então num balcão com vista para a Praça de São Pedro e anuncia: “Habemus papam!” (Temos um papa). E o novo pontífice aparece no balcão para conceder sua primeira bênção â multidão.

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