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Alemanha

Carajás mostram suas tradições em Berlim

Um grupo de índios carajás brasileiros apresentou, em Berlim, suas artes e tradições, além de participar de debates sobre a preservação dos direitos e das culturas indígenas.

Na "Casa das Culturas do Mundo" e no Museu de Etnologia, em Berlim, os índios carajás realizaram cinco apresentações e performances com dança, canto e declamações típicas das tradições da sua tribo.

A visita do grupo carajá à Alemanha foi uma iniciativa do Instituto Cultural Brasileiro na Alemanha (ICBRA), apoiada pelo Museu de Etnologia de Berlim e do Instituto de Desenvolvimento das Tradições Indígenas (IDETI), sediado em São Paulo. Segundo Siridiwe Xavante, presidente do IDETI, eventos como os de Berlim são importantes: "Ninguém respeita aquilo que não conhece. Precisamos mostrar quem somos, a força, a beleza, a riqueza da nossa cultura. Só assim vão entender e admirar o que temos."

Ritual de iniciação

O tema das performances apresentadas em Berlim foi o ritual de iniciação dos adolescentes. Na língua dos carajás, o ritual se chama "hetohoky". Ele acontece em média a cada dois anos, sempre entre os meses de fevereiro e março, após um longo tempo de ensaios e preparação. A festa, com os membros da tribo pintados em todo o corpo com urucum e jenipapo, portando adereços de algodão e cocares com penas coloridas, começa num fim de tarde e vai até ao amanhecer do dia seguinte.

Os índios carajás, que falam a língua macro-jê, também são conhecidos como índios da tribo "iny" (povo da verdade). O vale do Araguaia é a sua terra natal e está ligado à sua fantasia, seus mitos, sua luta de sobrevivência e sua tradição. Na aldeia de Fontoura, vivem hoje 600 pessoas. O total da população carajá restante é de 1600 pessoas. Apesar de mais de 200 anos de contatos como os "civilizados", eles preservam estritamente as suas tradições, passadas de geração para geração. É o que foi mostrado em Berlim.

Recuperar tradições

Para o líder do grupo, cacique Koxini, o importante é a expressão da identidade autêntica do povo carajá, através da sua história e da sua cultura. O trabalho que fazem, apresentando as suas tradições dentro e fora do Brasil, tem objetivos importantes, enumerados por Koxini: "Continuar trabalhando em proteção e defesa do patrimônio físico e intelectual dos povos indígenas. Valorizar e divulgar a cultura e o conhecimento tradicionais desses povos. Valorizar os métodos tradicionais de transmissão do conhecimento dentro das aldeias. Capacitar profissionais indígenas em novas metodologias, tecnologias e linguagens e adequar instrumentos, tecnologias e suportes para a livre manifestação do pensamento indígena."

O cacique Koxini ressaltou o apoio recebido do governo brasileiro, através da Funai, e demonstrou o seu contentamento em poder visitar a exposição organizada pelo ICBRA, juntamente com o Museu de Etnologia de Berlim, sobre "Pesquisadores Alemães no Brasil de 1800 a 1914". Nessa exposição, os carajás puderam ver arte criada pelos seus ancestrais. Segundo Koxini, a sua tribo pretende recuperar também as partes já perdidas da sua tradição: "Nós vamos resgatar tudo isto e recriar este acervo de nossos avós, que nem nós mesmos conhecemos, para o aprendizado e a sobrevivência das gerações futuras."

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