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Mundo

Captura de reféns é negócio lucrativo para radicais islâmicos

Grupos como o "Estado Islâmico" obtêm vantagens que vão de dinheiro para luta armada a concessões e coação política. Em casos como a execução do jornalista James Foley, sequestrados se tornam instrumentos de propaganda.

Steven Sotloff pode ser a próxima vítima do "Estado Islâmico" (EI). O grupo terrorista diz que o jornalista americano sequestrado em 2013 se encontra em seu poder e ameaça matá-lo, caso os Estados Unidos não suspendam os ataques aéreos no norte do Iraque.

Sotloff aparece no vídeo divulgado na internet, que traz a decapitação do repórter James Foley. Um guerrilheiro do EI segura pela gola um homem de cabeça raspada e macacão alaranjado, e o nome "Steven Sotloff" aparece em caracteres árabes e latinos. O FBI, serviço secreto do EUA, parte do princípio que as imagens sejam genuínas.

Na noite da quarta-feira divulgou-se que recentemente os EUA tentaram em vão libertar um grupo de reféns do EI na Síria, empregando tropas aéreas e de solo. O jornal Washington Post afirma que Sotloff e Foley faziam parte desse grupo.

A tentativa frustrada de libertação teria sido precedida por negociações com os militantes sunitas. Segundo a imprensa, a exigência de resgate pelos jornalistas em seu poder teria sido de 100 milhões de dólares, o que o governo dos EUA rejeitou.

O preço da liberdade

Por princípio, os EUA não pagam resgates por cidadãos sequestrados. Também o Reino Unido rejeita categoricamente acordos desse tipo com grupos radicais, assim como a Alemanha reafirma repetidamente não ser chantageável e não pagar resgates.

Em casos isolados, porém, a liberdade de cidadãos alemães já foi "comprada" de terroristas. Em 2005, Berlim teria pago mais de 10 milhões de dólares pela libertação de René Bräunlich e Thomas Nitzschke, raptados no Iraque. Outros países europeus também já fizeram transações do gênero. Segundo o jornal Le Monde, o serviço secreto francês teria entregado mais de 20 milhões de dólares para que quatro cidadãos fossem libertados.

Oficialmente, os governos dos países em questão desmentem terminantemente trocas de dinheiro com organizações terroristas, com forma também de não encorajar futuros sequestros.

A cobrança de resgates é uma importante fonte de renda para grupos terroristas como a Al Qaeda, o "Estado Islâmico" ou o Boko Haram, que aplicam o dinheiro extorquido em sua luta armada.

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O New York Times calcula, por exemplo, que a Al Qaeda tenha coletado pelo menos 125 milhões de dólares em resgates, desde 2008, a maior parte, de Estados europeus. Somente em 2013 teriam sido pagos 66 milhões de dólares. O Departamento de Tesouro dos EUA estima em 165 milhões de dólares a soma dos resgates concedidos por países europeus a grupos terroristas islâmicos entre 2008 e 2013.

A captura de reféns também serve aos terroristas como meio de coerção para obter concessões políticas ou submissão. A Turquia se recusa a participar nos ataques aéreos dos EUA contra o EI, por exemplo, pelo fato de, desde junho, encontrarem-se nas mãos dos fundamentalistas sunitas 49 cidadãos turcos, inclusive Öztürk Yilmay, cônsul-geral turco em Mossul. O New York Times noticia que também os EUA e o Reino Unido têm repetidamente fechado transações não financeiras com terroristas.

Intimidação e consolidação interna

Quando não é possível usar os reféns para extorquir dinheiro nem concessões políticas, organizações terroristas como o EI os utilizam para fins de propaganda. No caso de Foley, os terroristas o forçaram a ler uma acusação contra o próprio país, que então divulgaram na internet.

"O vídeo da decapitação persegue a finalidade, perfeitamente racional, de intimidação externa e consolidação interna", explica o especialista em estudos islâmicos Christoph Günther. O EI, afirma ele, quer deixar claro que retaliará com todos os meios.

Segundo Günther, a mensagem dos extremistas é: "Se necessário, investimos contra todos os seus cidadãos que conseguirmos ter em nosso poder – jornalistas, empregados de firmas ocidentais nos territórios curdos, funcionários de organizações humanitárias."

A mãe de James Foley dirigiu um apelo aos terroristas após as notícias da execução: "Nós imploramos aos sequestradores que poupem as vidas de outros reféns." Segundo o periódico alemão Spiegel Online, entre 30 e 40 europeus e americanos se encontram atualmente em mãos do EI.

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