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Mundo

Capitão acusado de abandonar balsa naufragada é preso na Coreia do Sul

Lee Jun-Seok afirma que demorou a ordenar evacuação por receio de que passageiros fossem levados pela forte correnteza. Subalterna inexperiente que guiava embarcação na hora do acidente também é detida.

Foi preso neste sábado (19/04) o capitão da balsa Sewol, que há três dias afundou na costa da Coreia do Sul. Lee Jun-Seok, 68 anos, deve responder por negligência: ele foi um dos primeiros a abandonar a embarcação, deixando para trás os passageiros em apuros.

Além dele, outros dois tripulantes também tiveram prisão decretada e foram detidos – incluindo uma subalterna de 26 anos que, apesar de inexperiente, estaria no comando do barco no momento do acidente. Um tribunal da cidade de Mokpo, sudoeste da Coreia do Sul, expediu os mandados de prisão na sexta-feira, a fim de garantir que os suspeitos não se escondesse ou destruíssem provas.

Em depoimento às autoridades sul-coreanas, Lee defendeu-se das acusações de que teria levado 30 minutos para ordenar a evacuação da balsa. A primeira ordem aos passageiros foi de que permanecessem no barco, enquanto este afundava.

"Naquele momento, a correnteza estava muito forte, a água estava muito gelada, e eu imaginei que se as pessoas deixassem a balsa sem uma devida avaliação, se elas não estivessem usando um colete salva-vidas – ou mesmo se estivessem usando – elas poderiam se afastar e enfrentar muitas outras dificuldades", justificou-se Lee. "Os barcos do resgate ainda não tinham chegado, nem havia barcos de pescadores ou qualquer outro por perto, na hora."

Subalterna inexperiente

Ainda não foram confirmadas as causas do acidente. Segundo o promotor Yang Jung-jin, uma jovem terceira oficial assumira o comando do navio quando este passava por uma área com várias ilhas próximas umas das outras e sob forte correnteza. Investigadores acreditam que o acidente durante a execução de uma curva, possivelmente fechada demais.

Südkorea Fährunglück 18.04.2014

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Yang contou que a subalterna tem apenas seis meses de experiência e que nunca havia conduzido na área. Ela teria tomado o leme dessa vez porque uma forte neblina havia causado um atraso na partida. Segundo o promotor, os investigadores ainda não sabem se a embarcação estava acima da velocidade recomendada.

Na hora do acidente ocorrido na última quarta-feira, havia 476 pessoas a bordo, entre as quais 320 estudantes e 15 professores de uma escola de Ensino Médio da cidade de Ansan, próxima a Seul, que seguiam em direção à Ilha de Jeju, numa viagem de estudo. Apenas 174 passageiros foram resgatados com vida, até agora.

Mais corpos encontrados

Neste sábado subiu para 32 o número de mortes confirmadas: equipes de mergulhadores encontraram mais três corpos, mas não conseguiram entrar na embarcação, afundada a 30 metros de profundidade, para retirá-los. Ainda há 270 desaparecidos. Acredita-se que eles não conseguiram sair da balsa, que também transportava automóveis.

As esperanças de encontrar sobreviventes do naufrágio são praticamente nulas, segundo peritos citados pela imprensa sul-coreana. De acordo com os especialistas que participam das buscas, as bolsas de ar que poderiam ter se formado quando o navio naufragou, só durariam 72 horas.

Ainda assim, continuam as operações de resgate na área onde se encontra o barco. Participam da operação 176 embarcações, 28 helicópteros e aviões e mais de 650 oficiais da Marinha e da guarda costeira, além de mergulhadores.

MSB/ap/dpa/lusa

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