1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Capa de revista polonesa causa indignação

Publicação conservadora usa foto de mulher loira sendo atacada para ilustrar série de reportagens sob a manchete "O estupro islâmico da Europa". Nas mídias sociais, imagem é comparada à propaganda nazista.

Foi recebida com indignação nesta sexta-feira (19/02) a capa da última edição da revista polonesa wSieci, que estampa a imagem de uma mulher loira, vestida com uma bandeira da União Europeia (UE), sendo atacada por braços morenos, sob a manchete: "O estupro islâmico da Europa".

A revista é uma publicação conservadora de tom populista, que diz noticiar aquilo que a "mídia e a elite de Bruxelas" estão escondendo dos cidadãos europeus. Sua última edição, além da polêmica capa, traz matérias como "O inferno da Europa" – sobre os ataques sexuais em Colônia – e "A Europa quer cometer suicídio?".

Nas mídias sociais, a revista foi recebida com uma enxurrada de críticas, com usuários comparando a capa a cartazes de propaganda da Alemanha nazista e da Itália fascista. Jornais tradicionais, como o inglês The Guardian e o americano The Washington Post, chamaram a edição de "altamente inflamatória" e "parte de uma história longa e racista".

A autora da matéria de capa, Aleksandra Rybinska, se justificou à emissora britânica BBC. Segundo ela, a imagem é simbólica, e é necessário debater sobre os diferentes "valores, tradições e visões de mundo" dos imigrantes.

"Depois dos eventos do réveillon em Colônia, o povo da velha Europa percebeu, dolorosamente, os problemas gerados pelo grande fluxo de imigrantes", escreveu Rybinska na reportagem.

Após o réveillon em Colônia, mais de mil queixas foram registradas na polícia, mais da metade delas de abuso sexual. O escândalo expôs temores sobre a integração dos 1,1 milhão de imigrantes que entraram ao país no ano passado – embora ainda não sejam conhecidas as identidades dos autores – e foi fator-chave na mudança de rumo do debate sobre a crise migratória na Europa.

O governo polonês vem resistindo à pressão da União Europeia para que receba mais refugiados. Em novembro passado, o primeiro-ministro Beata Szydlo rejeitou a cota imposta por Bruxelas, de 4.500 migrantes, e citou os ataques terroristas de Paris como motivo.

RPR/ots

Leia mais