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Mundo

Canibalismo, caso nada isolado

Reportagem de tevê deixa Alemanha em estado de alerta: caso de canibalismo descoberto em dezembro parece não ser fato isolado. Justiça investiga várias denúncias. Testemunhas relatam cenas chocantes.

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Realidade não estaria longe das atrocidades do filme "Silêncio dos Inocentes"

Durante dois anos, o jornalista Rainer Fromm pesquisou quase 20 casos de crimes com sinais de rituais macabros, em que as vítimas teriam sido violentadas, assassinadas e/ou devoradas. Em dezembro, a descoberta pela Polícia, quase por acaso, do ato de canibalismo do especialista em computadores Armin M., 41 anos, em Rotenburg do Fulda, chocou a Alemanha. Para Fromm, indicou estar numa pista quente.

Kannibalismus Täter

Armin M. confessou ter matado e comido um engenheiro

Após a exibição na noite de quarta-feira de sua reportagem na emissora pública ZDF, não se pode mais ignorar o fenômeno e acreditar que Armin é um caso isolado. "Notícias assim têm de ser levadas a sério", reagiu a ministra da Justiça, Brigitte Zypries, que vê a internet como meio relativamente fértil para crimes do tipo. Para o procurador Horst Roos, do Ministério Público de Trier, desde o episódio de Rotenburg, não pode mais haver tabu nesta questão.

Fromm levou às telinhas os depoimentos de três testemunhas. Duas mulheres e uma menina relatam assassinatos cruéis em rituais de magia negra. A menina conta, numa sessão de psicoterapia, ter visto matarem uma criança e comerem pedaços dela "até os ossos". Uma vítima narra ter presenciado pessoas ainda vivas, sob gritos insuportáveis, terem seus dedos cortados e depois seus corpos trinchados.

Outras revelações partiram de uma mulher de 34 anos, que teria participado de um grupo satanista. Seus depoimentos são base de uma investigação promovida desde maio passado pelo Ministério Público de Trier. Vários suspeitos "de práticas sexuais com fundo ocultista" estão sendo investigados. Os casos apresentados na tevê ocorreram nos últimos 15 anos na Alemanha e na Bélgica.

Chefe da Procuradoria de Trier, Georg Jüngling ficou chocado com a reportagem. "São coisas ruins, quase inimagináveis, que foram apresentadas", declarou o procurador. Segundo ele, o trabalho de Fromm trouxe "alguns poucos novos conhecimentos" para o inquérito, sobre cujo andamento e abrangência Jüngling se recusa a dar informações. O repórter da ZDF prometeu repassar para o Ministério Público tudo o que apurou.

O professor Rudolg Egg, da Central de Criminalística de Wiesbaden, não só reconhece a existência de canibais na Alemanha, como estima em várias centenas o número de pessoas que participam, ao menos passivamente, de práticas ocultistas bizarras no país.

A Polícia Criminal da Renânia do Norte, entretanto, ainda está com o pé atrás diante das denúncias, pois, segundo a reportagem, o estado é o principal centro de crimes macabros. As autoridades estaduais, porém, afirmam desconhecer qualquer caso ritualístico além do assassinato cometido por um casal de satanistas, em Witten, perto de Bochum, em 2001.

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