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Ciência e Saúde

Campeão em incidência de raios, Brasil inspira documentário nacional

Filme aborda aspectos humano, científico e cultural ligados ao fenômeno meteorológico. Além de campeão em incidência de raios, Brasil registra anualmente 130 mortos por descargas elétricas.

O Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo, com quase 60 milhões de descargas atmosféricas por ano. O fenômeno que ilumina o céu também é perigoso: cerca de 500 pessoas são atingidas anualmente no país, 130 delas fatalmente. Os diversos aspectos ligados a essa troca que se passa entre nuvens e solo virou tema de um documentário produzido no Brasil. O filme Fragmentos de Paixão estreia no grande circuito de cinemas em 11 de outubro.

A produção da jornalista Iara Cardoso usou seis personagens para ilustrar o tema. Eles viram suas vidas serem transformadas em decorrência dessas descargas elétricas. O condutor da narrativa é o maior especialista em raios do Brasil, Osmar Pinto Júnior, coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Além do aspecto humano, o filme considera também os lados científico, histórico e cultural ligados ao fenômeno meteorológico.

"O pesquisador Osmar Pinto começa essa trajetória como o personagem que vai conectar essas seis vidas que foram afetadas pelos raios de formas completamente diferentes", conta Cardoso.

Entre os fragmentos mostrados, o filme retrata uma história de paixão entre um homem atingido por essa descarga e a moça que o salvou. Outro personagem sobreviveu a um acidente, que deixou sequelas, e fala sobre o medo que agora tem dos raios. Há também a história de um pajé e sua tribo, que percebe esse fenômeno como uma forma de proteção.

Fragmentos de Paixão foi realizado pelo Elat. Seu processo de produção, gravação e edição do durou três anos e foi rodado em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul.

Segundo um levantamento feito pelo Elat, 80% das mortes causadas por raios poderiam ser evitadas. É por isso que o documentário focou também o caráter social, para ajudar a reduzir o número de mortes no Brasil. "Mas ele tem também um papel de divulgação da ciência, trazendo os conhecimentos dos institutos de pesquisa para a vida das pessoas de uma forma realmente presente", diz Cardoso.

Assistir ao vídeo 03:01

Entrevista com autora feita pela internet

País campeão

Há 35 anos, Osmar Pinto estuda esse fenômeno. Além de contribuir para melhorar a proteção contra os raios, a pesquisa ajuda a prever e entender melhor as mudanças climáticas.

"A tendência é que com o aquecimento do planeta venha ocorrer mais raios, pois o calor favorece a formação de tempestades e essa ocorrência. Então monitorar os raios em diferentes pontos do planeta permite verificar até que ponto esse aquecimento está alterando a atmosfera e gerando mais tempestades", afirma o pesquisador.

A base da pesquisa desenvolvida pelo Elat é de observação, com o desenvolvimento e instalação de equipamentos para detectar as descargas elétricas. Também são feitas análises históricas e modelos de computador para entender melhor essa ocorrência e simular sua variação para as próximas décadas.

Os raios são descargas elétricas formadas durante tempestade, entre partículas com cargas negativas nas nuvens e positivas no solo. A posição geográfica do Brasil explica seu recorde em ocorrência desse fenômeno – é o maior país da região tropical do planeta. As temperaturas mais elevadas favorecem a formação de tempestades.

Essas descargas riscam quilômetros de céu até chegarem ao solo, com uma voltagem de 100 milhões de volts, ou seja, quase um milhão de vezes maior do que a voltagem de tomadas domésticas.

Para evitar acidentes durante esse fenômeno, o Elat aconselha a população a buscar abrigo em carros fechados ou residências durante chuvas fortes com raios e trovoadas. Dentro de casa é importante se afastar de objetos que conduzem eletricidade, como telefone com fio, celular conectado na tomada e objetos metálicos grandes.

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