Campanha presidencial deixou de lado potencial ecológico do país | Eleições 2014 | DW | 30.09.2010
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Eleições 2014

Campanha presidencial deixou de lado potencial ecológico do país

A proteção climática recebe mais atenção fora do que dentro do Brasil. Embora nação seja vista como promessa de liderança verde, com exceção de Marina Silva, candidatos à presidência dão pouca importância ao assunto.

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Floresta amazônica, potencial ecológico brasileiro

Sob a perspectiva estrangeira, o Brasil recebe destaque por sua forte atuação em favor da proteção ambiental. A imprensa internacional lembra com frequência o punho de ferro do presidente Lula ao defender, diante da plateia incrédula na cúpula do clima de Copenhague, a adoção de metas de redução de emissões.

"O presidente do Brasil naquela ocasião contribuiu para mudar o resultado das negociações climáticas. Foi depois de Lula que os Estados Unidos, China e Japão começaram a falar em redução também", cita Federico Foders, pesquisador da Universidade de Colônia.

Brasilien Wahlen Marina Silva Präsidentschaftskandidat Grüne

Marina Silva

Todo esse potencial, no entanto, não encabeça as pautas dos candidatos com chance de ganhar a presidência do país. José Serra faz chegar ao público suas propostas ligadas a economia e saúde. Dilma Rousseff bate na tecla do continuísmo e programas sociais bem-sucedidos do governo Lula. "E Marina Silva é vista como a candidata monotemática pelo eleitorado brasileiro, com foco em políticas ambientais e climáticas", analisa Daniel Flemes, pesquisador especializado em política brasileira, do Instituto Alemão para Estudos Globais e Regionais (Giga).

Já Roberto Guimarães, pesquisador em política ambiental da Fundação Getúlio Vargas, afirma categoricamente: "Meio ambiente é um tema que não existe na agenda dos candidatos. Marina é a única que discute o assunto sob o aspecto do desenvolvimento sustentável. Ela deu muito enfoque a meio ambiente no começo da campanha, mas há duas semanas ela mudou o discurso, de maneira a que as pessoas entendam mais o assunto. E foi então que ela começou a crescer nas pesquisas".

Elemento não decisivo

Ainda na década de 1970, Roberto Guimarães passou a investigar as relações entre meio ambiente e política. Sobre a posição internacional progressista em questões ambientais do governo Lula, que gera esse prestígio no exterior, Guimarães pontua: "Essa é, talvez, a única coisa que Lula não pode dizer que seja algo que aconteceu ‘pela primeira vez na história do país'. Porque o Brasil, desde a época da ditadura, sempre é considerado de vanguarda quando se discute o problema internacionalmente, só se esquecem de aplicar dentro do país o que falam lá fora".

Em 1972, quando se falou em internacionalização da Amazônia, o governo ditatorial não fez qualquer oposição, não defendeu o território brasileiro. Argumentou apenas que, já que a floresta era considerada um patrimônio internacional, o conhecimento científico também teria esse mérito e que, portanto, todas as patentes mundiais deveriam ser quebradas para que o conhecimento fosse internacionalizado. O mundo calou-se e não se falou mais sobre a Amazônia como território compartilhado, lembra Guimarães, citando o histórico progressismo internacional brasileiro para questões ligadas ao meio ambiente.

Amazonas Musiktheater

Região de Watoriki, Roraima

Da Alemanha, Daniel Flemes analisa que a ex-ministra do Meio Ambiente deu um impulso tardio significativo à administração Lula. "Foi somente depois que Marina Silva deixou o ministério que o governo do Partido dos Trabalhadores reconheceu a importância da discussão climática e tentou, com certo sucesso, promover o Brasil como potência climática no cenário mundial."

Heranças incertas

O posicionamento brasileiro na área de meio ambiente também rende manchetes internacionais não tão positivas. E dois temas especialmente polêmicos do governo Lula serão herdados pelo próximo presidente: a hidrelétrica de Belo Monte e a usina nuclear Angra 3.

"Se Dilma vencer as eleições, ela não só vai herdar a questão de Belo Monte, ela também vai tocar o projeto adiante. O escândalo está no fato de que essa é uma obra totalmente financiada pelo governo. Não é viável nem em termos de mercado. Além de todas as outras questões de impacto ambiental e social", analisa Roberto Guimarães.

O edital de montagem de Angra, conforme noticiou a Eletronuclear nesta quarta-feira (29/09), foi adiado e agora é esperado para novembro, quando o Brasil já souber quem será seu novo presidente.

Efeito pós-eleição

Para Daniel Flemes, embora o tema proteção ambiental seja mencionado de forma breve por José Serra e Dilma Rousseff, a maioria dos eleitores não pondera o assunto de forma crucial: "Clima e meio ambiente não são tão importantes como problemas sociais e econômicos, saúde e educação. Portanto, as questões ligadas a meio ambiente não terão um impacto decisivo nas eleições".

Já o Roberto Guimarães vê o avanço de Marina Silva nas pesquisas como um indicativo de que a população brasileira possa estar mais atenta à discussão. "Acredito que a campanha de Marina esteja influenciando, sim, a população, e que as ideias pregadas por ela vão causar um impacto depois da eleição. Os brasileiros irão exigir mais do governo nesse assunto."

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

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