Campanha eleitoral francesa deixa União Européia de lado | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 17.04.2007
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Campanha eleitoral francesa deixa União Européia de lado

Depois do "não" dos franceses à Constituição da UE, candidatos à presidência do país põem os assuntos europeus em segundo plano. Veja a posição de cada um dos concorrentes sobre o tema.

default

Temas europeus têm pouco destaque na agenda dos candidatos à presidência

Os principais candidatos à presidência da França têm relegado a política européia a segundo plano. "Assuntos de política européia quase não estão presentes na campanha eleitoral francesa", observa o diretor do centro de debates Forum Carolus, Henri de Grossouvre.

Esse acanhamento numa campanha de resto barulhenta tem uma explicação muito simples: é difícil marcar pontos junto ao eleitorado francês com temas europeus. Em 29 de maio de 2005, a população da França se dissociou da elite política no plebiscito sobre a Constituição da União Européia (UE) e levou o país a um impasse no se que refere à política européia.

O mal-estar em relação à UE também pode ser explicado pela figura do presidente francês, Jacques Chirac. Mais do que seu antecessor François Miterrand, Chirac colocou seus interesses e os da França em primeiro lugar quando acertava compromissos europeus. Em 1998, impôs à força sua vontade de que o presidente do Banco Central Europeu fosse um francês.

Chirac deixa ao seu sucessor uma herança indesejada no campo das relações políticas européias. E os quatro candidatos ao posto têm propostas bem distintas para tirar a UE da crise.

Sarkozy: sem plebiscito

Nicolas Sarkozy

Sarkozy: projeto de Constituição mais enxuto

Nicolas Sarkozy, representante da situação e candidato do partido conservador UMP, fala de uma variante enxuta da atual proposta de Constituição. Se eleito, ele quer apresentar um texto mais simples e curto ao Parlamento francês. Essa versão simplificada deverá garantir o funcionamento do bloco com 27 países-membros.

"Sarkozy tem tudo pronto para tirar a França do isolamento", afirma o diretor do Instituto Teuto-Francês de Ludwigsburg, Frank Baasner. O candidato descarta um novo plebiscito: "O primeiro referendo conduziu a Europa à estagnação, o segundo destruiria a Europa".

Royal: estilo participativo

Wahlen in Frankreich - Segolene Royal

Royal: novo plebiscito é risco que vale a pena

A candidata do Partido Socialista, Ségolène Royal, defende um "novo estilo político participativo", como explica Daniela Schwarzer, especialista em França do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP). Até agora, Royal promoveu mais de 5.000 debates públicos sobre diversos temas eleitorais.

Também quando o tema é política européia ela quer ouvir a voz dos eleitores: Royal pretende adaptar o texto nos aspectos ecológico e social e submeter o projeto de novo à votação dos eleitores em 2009. Ela diz estar "disposta a correr esse risco".

"Um novo plebiscito colocaria a Europa como tema da agenda política", diz o porta-voz para Políticas Européias da bancada do SPD no Parlamento alemão, Axel Schäfer. Ele afirma que a grande maioria dos franceses é a favor de uma nova Constituição Européia.

Bayrou: candidato europeu

Frankreich Wahlen Präsidentschaftswahlen Francois Bayrou in Marseille

Bayrou: interesse pela Europa não é retórica

François Bayrou, da centrista UDF, propõe um meio termo entre Sarkozy e Royal. Assim como a candidata socialista, ele defende a realização de um novo plebiscito sobre a Constituição Européia. E, assim como Sarkozy, é favorável a um texto adaptado, "confiável, simples e curto". Esse deve abordar a "única questão que interessa": "Como se elabora uma decisão e qual o papel dos cidadãos nesse processo?" Bayrou sempre defendeu uma Europa federal.

O interesse de Bayrou pela política européia é mais do que apenas retórica de campanha: devido ao seu longo empenho por estruturas européias unificadas, Bayrou é o candidato mais pró-Europa, assegura Baasner. "Para os parceiros europeus, ele é um candidato relativamente previsível."

Le Pen: retorno das fronteiras

Wahlen in Frankreich - Jean-Marie Le Pen

Le Pen: nacionalismo

Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, denuncia a União Européia como uma "medusa gorda e mole" e defende o restabelecimento das fronteiras nacionais. "Aqueles que hoje retiram a bandeira francesa do baú esquecem de dizer que foram eles que assinaram o fim da França ao impor aos franceses uma nova Constituição tão logo foram eleitos", disse a filha de Le Pen à emissora BFM-TV.

Com isso, ela se refere à principal pedra no sapato dos três grandes favoritos para as eleições de 22 de abril quando o tema é política européia: Sarkozy, Royal e Bayrou apoiaram o texto da Constituição em 2005. Daqui a algumas semanas, um deles terá de explicar aos seus colegas europeus por que e como pretende modificar o projeto que ele mesmo apoiou.

Leia mais