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Mundo

Campanha eleitoral em país dividido

O Partido Democrata dos Estados Unidos está em busca de um desafiante para George W. Bush. Quais as qualidades de um candidato ideal para a Casa Branca? Peter Filzmaier, perito em Estados Unidos, analisa.

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Os Estados Unidos nunca estiveram divididos de forma tão profunda como no ano eleitoral de 2004. As votações dos últimos anos acabaram com porcentagens praticamente equiparadas para democratas e republicanos. A eleição do ano 2000 foi decidida por 0,0005% dos votos. Desde 1998, as maiorias no Congresso apóiam-se em apenas alguns mandatos. Chegaremos a um impasse inclusive se somarmos as votações para o Congresso nos 50 estados norte-americanos.

Nas pesquisas de opinião, cerca de um terço dos questionados se diz eleitor fiel dos republicanos; outro terço, dos democratas. Digno de nota, também, que uma clara linha ideológica separa o Partido Republicano, conservador, do Democrata, relativamente liberal. Isto leva a fortes confrontações e pouca cooperação no Congresso, o que ficou evidenciado tanto no processo impetrado pelos republicanos para destituir Bill Clinton após o caso Levinski, como nos protestos contra a instituição de um Estado de ordem às custas de liberdades individuais.

Polarização e abismo O clima entre a população reflete esta tendência. O índice de aceitação da política de Bush chega a 60%. Já entre os republicanos, ela chega a mais de 90%, além do que Ronald Reagan jamais conseguiu. Ao mesmo tempo, menos de 25% entre os democratas apóiam sua forma de governo. Este é um índice abaixo do de Richard Nixon no apogeu do escândalo Watergate.

O mesmo abismo marcou todos os setores da política, desde a econômica à de exterior. Os republicanos saúdam a política econômica do presidente e vêem-se subjetivamente numa situação melhor que em 2000. Já os democratas acreditam que o país enfrenta uma crise econômica generalizada e acham que sua situação pessoal piorou. Quanto a ações militares preventivas no exterior, elas têm o apoio de 82% dos eleitores republicanos e de menos de 50% dos que costumam votar no Partido Democrata.

Para acirrar ainda mais esta polarização entre os partidos e na própria população, há uma fissão regional dos estados. Tudo isso faz com que as eleições presidenciais e para o Congresso, este ano, tenham um caráter decisivo, pois já um pequeno número de votos pode provocar mudanças substanciais nos Estados Unidos.

Pesquisas de opinião são irrelevantes Na realidade, tanto faz quem desafiará George Bush nas eleições presidenciais. Como o presidente concorre novamente, a única pergunta que os eleitores se fazem é: "Bush merece continuar presidente?" Quase a metade dos norte-americanos desconhece os pré-candidatos democratas. Isto, no entanto, vai mudar em meados do ano, quando acontecem as tradicionais convenções dos partidos e a campanha vai para sua fase final.

Mas também aí será importante: somente quem não acha que Bush esteja fazendo um bom governo terá a curiosidade de procurar informações sobre os desafiantes. Isto aconteceu pela em 1980 e 1992, quando os presidentes Carter e Bush sênior demonstraram fraquezas inesperadas e os eleitores acabaram optando inesperadamente por Reagan e Clinton.

As atuais pesquisas de opinião são irrelevantes. Até julho, não há relação entre o nível de simpatia pelo presidente e o resultado da eleição. Só em meados do ano é que se poderá dizer se um índice de aprovação superior a 55% torna provável a reeleição de Bush ou se ele está em dificuldades.

Quem desafiar á George Bush? A escolha do desafiante, entretanto, está se dando de forma surpreendente. Howard Dean deveria estar sem chance alguma, já que, apesar do patriotismo exagerado pós-11 de setembro, insistiu em criticar a guerra no Iraque. Além disso, o establishment do partido não gosta dele. Mas como governador do pequeno Vermont, Dean tem a vantagem de vender melhor a crítica contra Washington do que o senador John Kerry, detentor, durante anos, de um mandato no Congresso.

Um fator decisivo pode ser o financeiro. Aproveitando-se das vantagens da internet, Dean em breve poderá ter juntado uma soma de até três casas à frente do milhão. Seria a maior soma já reunida por um desafiante nas prévias.

A dinâmica própria do apoio aos favoritos levou a que cada vez mais financiadores rapidamente se decidissem por Dean. O perigo aí implícito é que sua popularidade chegue ao auge muito cedo.

Dependendo do desempenho dos concorrentes, os bons resultados de Dean em uma ou outra prévia podem ser interpretados como derrota para ele. Isto prejudicaria sua imagem como vencedor. Também cada êxito parcial dos outros candidatos democratas no páreo (Kerry, Clark, Edwards e Lieberman) aumenta as chances de vencerem. Desta forma, o resultado final ainda é imprevisível.

Independente disto, qualquer um dos desafiantes só será vitorioso se uma maioria for contra a política de segurança interna de Bush e as atividades militares no exterior. Caso contrário, o próprio Franklin Roosevelt não teria chances. Se os ânimos se voltarem contra Bush, até mesmo o Pato Donald terá boas chances.

O autor, Peter Filzmaier, é cientista político e professor na Universidade de Klagenfurt, Áustria. Seu texto foi publicado em www.politik-digital.de .

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