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Mundo

Caminho aberto para abdicação do imperador do Japão

Soberano octogenário expressou desejo de entregar trono ao príncipe-herdeiro, mas primeiro é preciso criar os mecanismos legais que permitam sua saída. Akihito sofre de câncer e sofreu cirurgia cardíaca.

Imperador Akihito e imperatriz Michiko durante serviço memorial em Tóquio

Imperador Akihito e imperatriz Michiko durante serviço memorial em Tóquio

O governo japonês aprovou nesta sexta-feira (19/05) um decreto extraordinário permitindo que o imperador Akihito, de 83 anos, renuncie. Já se tem como certa a rápida aprovação final pelo Parlamento para o que será a primeira abdicação no país em dois séculos, comunicou o secretário-geral do gabinete, Yoshihide Suga, após a assinatura pelo primeiro-ministro, Shinzo Abe. A abdicação deve ocorrer num prazo de três anos após o decreto ser transformado em lei.

Em julho de 2016, o imperador surpreendeu o Japão, ao manifestar o desejo de deixar o posto. No mês seguinte mencionou publicamente sua idade avançada e saúde abalada, o que foi interpretado como a intenção de entregar o Trono do Crisântemo ao príncipe-herdeiro, Naruhito. Akihito está se tratando de câncer da próstata e já se submeteu a uma cirurgia cardíaca.

Especulou-se que ele poderia renunciar no fim de dezembro de 2018, para ser substituído por seu filho mais velho em 1º de janeiro do ano seguinte. Como a atual legislação japonesa não prevê a possibilidade de abdicação, é necessário o Legislativo criar os mecanismos necessários.

Na monarquia hereditária mais antiga do mundo, o status do imperador é altamente sensível, devido às guerras travadas no século 20 em nome do pai do atual soberano, Hirohito, morto em 1989. Reverenciado como um semideus antes e durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi reduzido a mera figura representativa, como parte das reformas do pós-guerra.

Akihito é apreciado pela forma como exerce seu papel de símbolo nacional, como prescrito pela Constituição, e é grande a compreensão por seu desejo de abdicar.

AV/afp,dpa

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