Cameron nega que medidas de austeridade sejam a causa de tumultos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 12.08.2011
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Mundo

Cameron nega que medidas de austeridade sejam a causa de tumultos

No Parlamento, o premiê britânico, David Cameron, culpa gangues de rua pelos distúrbios e promete indenizar todos os que tiveram propriedades danificadas. Situação se acalma no Reino Unido.

Premiê Cameron no Parlamento britânico

Premiê Cameron no Parlamento britânico

Falando numa sessão de emergência no Parlamento, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, culpou gangues de rua e criminosos oportunistas pelos piores distúrbios urbanos em décadas em seu país e negou que as medidas de austeridade de seu governo e a pobreza tenham provocado as revoltas.

Ele prometeu indenizar as vítimas dos ataques e anunciou medidas para acabar com as revoltas. Cameron admitiu que o Exército pode ser convocado para conter a violência que provocou a morte de uma quinta pessoa na madrugada desta sexta-feira (12/08).

A polícia de Londres informou que Richard Mannington Bowes, de 68 anos, morreu no hospital depois de ser atacado na segunda-feira, ao tentar deter os saqueadores distrito de Ealing, no oeste de Londres.

Cameron disse, que um ano antes de Londres sediar os Jogos Olímpicos de 2012, o Reino Unido precisa mostrar uma face mais positiva ao mundo após os distúrbios em que dezenas de edifícios e carros foram incendiados. "Não vamos parar até que essa violência gratuita e a criminalidade sejam derrotados e a lei e a ordem sejam totalmente restauradas em todas as nossas ruas", ele disse aos deputados.

Indenizações a vítimas

Jovens mascarados nas ruas de Londres: para governo, revolta é obra de criminosos

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"Precisamos mostrar ao mundo, que nos assiste realmente horrorizado, que os causadores da violência que temos visto em nossas ruas não são de forma alguma representativos do nosso país nem dos nossos jovens", disse. "Todas as pessoas cujas propriedades foram danificadas serão indenizadas", acrescentou Cameron.

O Reino Unido ainda está se recuperando depois de quatro das piores noites de tumultos ocorridas por décadas no país. A violência começou em Londres e depois se espalhou para outras cidades inglesas, incluindo Manchester, Liverpool e Birmingham. Os distúrbios começaram no sábado, provocados pela revolta pela morte do taxista Mark Duggan, de 29 anos, baleado pela polícia no bairro de Tottenham.

Cameron, que interrompeu suas férias para lidar com a crise, disse inicialmente que "simplesmente foram enviados muito poucos policiais às ruas". Pela primeira vez, admitiu que está sendo estudada a possibilidade de se enviar forças militares às ruas e de que toques de recolher sejam usados para conter a violência no futuro.

"É minha responsabilidade garantir que todas as possibilidades sejam apreciadas, inclusive se existem tarefas que o Exército possa empreender e assim liberar mais policiais para a linha de frente", explicou. Estas incluiriam, segundo o chefe de governo, "algumas tarefas simples de guarda". Mas ele acrescentou que esta alternativa ainda não é necessária, afirmando que ela não é prevista "nem para hoje nem para amanhã".

Canhões de água e tecnologia digital

Polícia britânica poderá ter ajuda de militares

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Ele reiterou, ainda, que a polícia foi autorizada a usar jatos d'água e balas de borracha e também sugeriu que as forças de segurança irão usar a tecnologia para controlar os distúrbios futuros e impedir manifestantes de usar o Twitter, o Facebook ou o BlackBerry Messenger para se organizar.

Cameron, cuja coalizão de governo liberal-conservadora está realizando severos cortes de gastos públicos, voltou a rejeitar alegações de que a pobreza esteja contribuindo para a revolta, dizendo que as ações não são atos de protesto e sim de criminosos. Ele disse haver evidências de que "gangues de rua" coordenaram ataques à polícia e saques. A polícia começou a invadir endereços em Londres na quinta-feira para prender pessoas envolvidas com a violência.

Justiça trabalha de madrugada

Tribunais trabalham durante a madrugada para lidar com o atraso nos inquéritos de mais de 1.200 pessoas presas durante os tumultos. Vários receberam sentenças de prisão ainda na quinta-feira. Entre os indiciados estão um menino de 11 anos e a filha de um milionário.

Na quinta-feira, a polícia prendeu três homens, com as idades de 16, 17 e 26 anos, suspeitos de terem matado em Birmingham três homens asiáticos muçulmanos em um atropelamento ocorrido às margens de tumultos na madrugada de quinta-feira.

Críticos do governo atribuem os tumultos a tensões sociais e raciais. Líderes comunitários afirmam que cortes nos serviços públicos e o desemprego de jovens estão insuflando a violência em Londres, Birmingham, Manchester e outras cidades que abrigam comunidades de estrangeiros. Cameron está sob crescente pressão para relaxar suas medidas de austeridade, endurecer o policiamento e fazer mais pelas classes mais necessitadas.

MD/rtr/afp
Revisão: Alexandre Schossler

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