″Caixa dois″ é prática antiga na Siemens | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 14.09.2008
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Economia

"Caixa dois" é prática antiga na Siemens

Documentos datados da década de 1950 mostram que o "caixa dois" já era prática corrente nos negócios da empresa fora do país. Sem subornos, afirmava antigo presidente, "não há comércio exterior".

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Subornos fora do país: longa tradição

O sistem do "caixa dois" já era comum nos bastidores do grupo alemão Siemens desde o pós-guerra. Segundo noticia o semanário Der Spiegel, há nos anais da empresa documentos que comprovam a iplementação conseqüente, nos anos 1950, de um sistema de corrupção.

A revista alemã reproduz uma anotação do então presidente do conselho de administração da Siemens, Hermann Franz, na qual ele descreve uma conversa tida com o então presidente do grupo, Gerd Tacke, um dos mais importantes executivos para a retomada do comércio exterior da empresa depois da Segunda Guerra.

Nesta, Tacke teria dito estar "completamente convencido" de que "o comércio exterior só é possível com o auxílio de suborno e dos instrumentos necessários para tal, ou seja, dos caixas dois". O termo usado para descrever tais pagamentos escusos pelos executivos era o de "despesas úteis".

Em casa como lá fora

A documentação citada pela Spiegel trata ainda dos executivos da Siemens que, acostumados às tramóias e subornos fora do país, tentavam "transportar" os métodos para dentro da Alemanha, quando voltavam a trabalhar dentro do país. Isso, segundo os relatos, era considerado "perigosíssimo".

Hermann Franz foi por muitos anos um dos principais líderes da Siemens, considerado eminência parda mesmo depois de ter deixado o conselho administrativo. Em 1989, ele supostamente alertou os colegas da direção do grupo a darem continuidade à prática de subornos nas representações da Siemens no exterior.

Maiores escândalos da história

Quando a procuradoria de Munique iniciou o processo para apurar corrupção dentro do gupo, Franz afirmou que a única saída seria "limpar a empresa", o que, segundo ele, iria provocar sérias conseqüências: "Vamos ter que reestruturar toda o nosso sistema de distribuição", disse.

Os escândalos envolvendo corrupção dentro do grupo foram os maiores da história das empresas alemãs. Segundo a atual diretoria, há "pagamentos suspeitos" nos caixas do grupo em torno de 1,3 bilhão de euros. As multas determinadas pela Justiça, os acertos com o fisco e as investigações internas custaram à Simens até agora 1,9 bilhão de euros.

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