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Alemanha

Café sofisticado, a nova mania alemã

Espresso, cappuccino, café machiato, café au lait... É cada vez maior o número de alemães que preferem saborear os diferentes tipos de café em casa. A mania surgiu com a chegada dos coffee-shops ao país.

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Interior da filial do coffee-shop Starbucks, em Berlim

Com produtos diferenciados e de alta qualidade, os chamados coffee-shops despertaram no povo alemão o gosto pelo café preparado de forma diferente da tradicional. A chegada destes locais atraiu também um novo tipo de clientela, o público jovem, que descobriu as delícias de um café torrado na hora servido em xícara com uma espuma cremosa, por exemplo.

Beber café na Alemanha é uma tradição de longa data. O famoso Kaffee und Kuchen (café e bolo) à tarde é um ritual indispensável nos finais de semana para muitos alemães. A nova tendência, entretanto, aponta o surgimento de um outro estilo de tomar café. A bebida agora não se restringe apenas ao café filtrado misturado com um pouco de leite. As diversas variações oferecidas nos coffee-shops buscam agradar ao paladar do consumidor mais exigente, dando ao café um toque moderno e exclusivo.

Um bom negócio

A novidade foi tão bem aceita que as máquinas de fazer café espresso não tardaram em invadir os lares alemães. Esses aparelhos sofisticados, que há muito deixaram de ser um artigo de luxo, estão desbancando as antigas cafeteiras, cujo uso se restringe à filtração do café. De acordo com a Sociedade de Pesquisa de Consumo, a venda de máquinas de fazer café espresso foi praticamente igual à venda de cafeteiras na Alemanha, em 2001.

O preparo variado da bebida impulsionou no país a venda dos grãos usados para o espresso, um café menos amargo, com mais gosto e aroma e menor teor de cafeína. De acordo com a Associação Alemã do Café, em 2000 foram comercializadas 8 mil toneladas de grãos de café no país, a maioria de torrefação italiana. No ano seguinte, a venda cresceu mais 600 toneladas. O comércio do cappuccino também está em alta na Alemanha. Somente no primeiro semestre de 2002, as vendas aumentaram 22 %, totalizando 18.300 toneladas.

Novidade estagnada

Se por um lado os coffee-shops despertaram o interesse do consumidor alemão, por outro não conseguiram alcançar a esperada explosão no mercado. Quando começaram a surgir nos grandes centros urbanos, há três anos, além de diversos tipos de cafés, esses locais também ofereciam petiscos e lanches rápidos. Hoje, para atrair clientes e tentar driblar a crise no comércio, alguns coffee-shops diversificaram seus produtos, colocando à venda artigos de uso pessoal e doméstico com a marca do fabricante de café.

Tal estratégia é compreensível; afinal, o preço cobrado em um coffee-shop por uma xícara de café especial não é barato. Para ter lucro, o estabelecimento precisa ter uma boa localização, de preferência nas grandes metrópoles, e estar permanentemente lotado, com alta rotatividade de clientes dispostos a pagar muito por um serviço rápido. E isto não ocorre em tempos de baixo consumo.

A Alemanha conta com cerca de 400 coffee-shops. "O crescimento é bem aquém do esperado", revelou Hans-Georg Müller, da Associação Alemã do Café. Um bom exemplo é a tática adotada pela rede americana Starbucks, que possui quase seis mil coffee-shops espalhados pelo mundo. Embora a empresa acredite que a Alemanha tenha um potencial para 1500 lojas Starbucks, está prevista a implantação de apenas 180 coffee-shops da rede em solo alemão para os próximos cinco anos.

Consumo alemão em alta

A Itália trouxe o café da Terra Santa para a Europa, no século 16. Hoje o país continua sendo um importante centro distribuidor, com mais de 750 torrefações. Não é à toa que os italianos deram origem a diversos tipos de café, como o correto (com licor), corto (forte), crema (com espuma açucarada) ou latte macchiatto (café com leite).

Apesar de o consumo italiano per capita ser alto, com cinco quilos de café por ano, os alemães conseguem superar esta marca. Calcula-se que por ano cada alemão consuma em média 6,7 quilos de café, o equivalente a quatro xícaras diárias. Já o consumo brasileiro é bem inferior, de apenas 3 quilos de café per capita ao ano.