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Economia

Café sem sabor amargo

Na Alemanha, surgiu a idéia de elaborar um novo "código de comportamento" para o mercado mundial do café. Trata-se de melhorar as condições dos produtores e de incentivar a preservação do meio ambiente.

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Pagando um pouco mais, pode-se ajudar o desenvolvimento

A iniciativa partiu do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha, assim como da Associação Alemã do Café, e foi motivada pela recente evolução negativa do setor. Nos últimos anos, o mercado internacional do café vem se caracterizando pela falta de estabilidade e o aviltamento dos preços.

Atualmente, as cotações internacionais do produto estão abaixo do seu custo de produção. Segundo especialistas do comércio cafeeiro, é preciso fazer concessões de qualidade para que o setor possa subsistir.

Círculo vicioso

O colombiano Nestor Osorio, secretário-geral da Organização Internacional do Café, adverte que "se os preços são baixos, também caem as possibilidades dos produtores de cuidar dos cafezais da maneira correta". Com isto, a qualidade do produto sofre e o seu preço no mercado internacional se deteriora ainda mais.

É preciso romper tal círculo vicioso, mas sem uma interferência direta na comercialização. Osorio teme que muitos produtores não consigam sobreviver, se não se lograr dar um passo rumo a uma produção sustentável. Inúmeros países, que são hoje produtores tradicionais de café, poderiam acabar por reduzir ou eliminar inteiramente a sua participação no mercado mundial. No final, o resultado seria uma concentração nas mãos de poucos países, o que também afetaria de forma negativa as indústrias cafeeiras na Europa e nos Estados Unidos.

Hora de agir

O governo alemão afirma ter reconhecido o problema. Mas trata de não preocupar-se exclusivamente com o consumidor alemão de café, mas sim também com as questões sociais e ecológicas dos países produtores. Neles, cerca de 25 milhões de agricultores estão ameaçados de cair irreversivelmente na pobreza. Além disto, um cultivo intenso e não-sustentável poderia arruinar extensas regiões em muitos países.

Um código de comportamento para os produtores e para os consumidores deve, por isto, contribuir para evitar esta combinação fatal. Uschi Eid, deputada do Partido Verde e secretária do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, espera desta maneira poder "fortalecer os padrões sociais e contribuir para uma estabilização do mercado de café a médio prazo". O objetivo é resumido numa lema simples: qualidade em vez de quantidade.

No supermercado

Mesmo que esta meta possa soar excessivamente idealista para muitos, a Alemanha pode ser um bom "laboratório" para tentar lográ-la. Pois os artigos que são conhecidos por terem sido produzidos com respeito pelas condições justas de trabalho e a preservação ambiental gozam de uma cota certa no mercado alemão e de lugar destacado nas prateleiras de supermercados.

Segundo se recomenda, o caso ideal seria que também o café consumido pela maioria respeite o código de comportamento em elaboração, para que seu preço não aumente excessivamente, oferecendo ao mesmo tempo um benefício para os produtores dos países em desenvolvimento. É um campo complexo que não se pode ver isoladamente de outros problemas do desenvolvimento econômico, já que inclui, entre outras coisas, "aspectos sociais, direitos humanos e padrões sociais", explica Anemike Weinl, vice-presidente da Associação Alemã do Café.

Isto quer dizer que um código de comportamento, como o que foi anunciado, está muito longe de representar uma fórmula mágica. Ao mesmo tempo, caso realmente seja implementado, ele poderia representar um elemento para lograr mais justiça no comércio de matérias-primas entre as nações industrializadas e os países em desenvolvimento.

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