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Alemanha

Cada vez menos gelo no Pólo Norte

O aquecimento do clima global está derretendo o gelo ártico mais rápido do que se pensava. Em Viena, oito mil pesquisadores revelam descobertas alarmantes.

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Os esquimós em torno do Pólo Norte foram os primeiros a perceber os efeitos do aquecimento global em sua região. Antes, para a caça, eles precisavam atentar para o curto período em que o o mar não estava congelado. Agora os espaços de tempo são cada vez mais amplos, o gelo derrete mais rápido e só retorna mais tarde.

A alteração da qualidade da neve também dificulta a construção dos tradicionais iglus, e as pessoas se perdem nos campos de gelo, por não mais poder confiar nos ventos gelados para sua orientação.

Dados da organização ambiental Fundo Mundial para a Natureza (WWF) confirmam: nos últimos 100 anos, a temperatura média no Ártico elevou-se em 5ºC. Isso foi o suficiente para degelar uma área de quase um milhão de quilômetros quadrados: uma região do tamanho da França e Espanha e que continha um quarto do gelo ártico.

Pólo Norte se aquece rapidamente

Durante a assembléia geral da União Européia das Ciências Geológicas, em Viena, os oito mil pesquisadores anunciaram que o aquecimento global progride de forma bem mais rápida do que se supunha há poucos anos.

"No Ártico, o clima se aquece com o dobro ou o triplo da velocidade da média global", explica Peter Prokosch, diretor geral da WWF na Alemanha. Normalmente o gelo polar reflete a energia solar, esfriando a Terra. Quanto mais ele desaparece, mais se acelera o degelo.

As imagens de satélite documentam como a cada ano a superfície do mar coberta de gelo encolhe até 4%. Além disso, o WWF conta com uma elevação da temperatura global entre 4ºC e 7ºC, nos próximos 100 anos.

Sob tais condições, até o fim do século o Pólo Norte poderia estar completamente desprovido de gelo. Estes são os sombrios prognósticos de Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge, que seu colega Heinz Miller, vice-presidente do Instituto Alfred Wegener (AWI), de Bremerhaven, considera um tanto exagerada: "Atualmente só se observa uma redução da área congelada, e não dispomos de informação sobre sua profundidade".

Mar sete metros mais alto

O gelo compõe 85% da superfície da Groenlândia. Caso a base glacial se derreta completamente, o nível do mar poderá subir até sete metros, em todo o planeta. Um enorme perigo, considerando-se que a elevação em apenas um metro já ameaça 17 milhões de pessoas.

Segundo o Conselho Ártico, entre os países mais atingidos estariam Bangladesh e Índia, assim como os Estados norte-americanos da Flórida e Louisiana, que estão localizados apenas um metro acima do atual nível do mar.

Eisbär in Alaska

Urso polar no Alasca

Uma outra conseqüência apontada pelo WWF é a ameaça à população de 22 mil ursos polares, já que com o fim do chamado "gelo eterno" desapareceria também o seu habitat natural.

Europa congelada

Porém o cenário apocalíptico esboçado pela organização ambientalista não pára aí. As enormes quantidades de água liberadas pelo degelo diluiriam o sal dos oceanos, influenciando as correntes marítimas.

Neste caso, os efeitos se fariam sentir em especial na Corrente do Golfo do México, que aquece as águas européias, prevê Miller. "Não é que estejamos ameaçados por uma nova Era Glacial. Porém distúrbios no Corrente do Golfo aproximariam o clima do norte europeu e Escandinávia do da gélida província canadense de Newfoundland".

Recuperação lenta

Peter Prokosch, do WWF, está seguro que os países industrializados precisam fazer mais para reduzir rapidamente suas emissões de gases causadores do efeito estufa. Por sua vez, Miller é mais reticente: "É difícil identificar as causas do aquecimento global, pois nos encontramos num período naturalmente quente". Na sua opinião, de 40% a 50% das atuais alterações climáticas se deve a influências humanas.

Porém, mesmo que os cientistas já hajam identificado o problema e suas causas, demorará bastante até que se salve pelo menos parte do gelo eterno: "Mesmo que reduzíssemos imediatamente a emissão de dióxido de carbono a zero, só em 50 a 100 anos é que o clima reagiria", explica Miller do Instituto Alfred Wegener.

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