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América Latina

Cada vez mais venezuelanos pedem asilo na UE

Maioria opta pela Espanha, mas encontra dificuldades para ter pedido atendido. Apesar de número de requerentes bem inferior aos da Síria e Iraque, Venezuela é único país latino-americano na estatística.

Panama Demo - Reisepass Venezuela (AFP/Getty Images)

A concessão de asilo é extremamente limitada para os venezuelanos

Um total de 4.695 venezuelanos entrou com pedidos de asilo na União Europeia (UE) em 2016. O número não é elevado se for comparado aos 1,2 milhão de pedidos de refúgio e asilo recebidos pelos 28 países, mas os venezuelanos são um grupo que vem crescendo. Apesar de ocupar apenas a 24° posição entre os 30 países com mais solicitantes, a Venezuela é a única nação da América Latina que faz parte das estatísticas.

O impacto da chegada dos venezuelanos também é sentido de maneira diferente em cada um dos 28 países da UE. A Alemanha continua sendo o destino preferido dos sírios, iraquianos, iranianos, afegãos e eritreus. Já a Espanha, que compartilha a língua com o país sul-americano, concentra mais de 80% dos requerentes da Venezuela – em 2016, 3.960 deles estavam no país ibérico. Além dos requerentes de asilo, entre 200 mil e 500 mil venezuelanos migraram normalmente para a Península Ibérica desde o início dos anos 2000.

De acordo com o sociólogo Tomás Páez, quase 2 milhões de venezuelanos escolheram partir para o exterior nas últimas duas décadas. Uma deles é Iselle, de 31 anos. Ela optou pela a UE para estudar, mas agora se sente uma expatriada, já que não pode voltar para casa. No ano passado, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano determinou que nacionalidade venezuelana prevalece entre os cidadãos do país. Dessa forma, venezuelanos com várias nacionalidades têm que usar um passaporte local para entrar e sair do país.

"Preciso de um passaporte, só que ele não chega. Para mim é simplesmente uma forma de impedir que os venezuelanos deixem o país. Na Venezuela, quem estiver numa situação boa ou não tão boa está decidindo deixar o país devido à insegurança, falta de comida, falta de medicamentos. O país está ficando sem potencial profissional", disse Iselle à DW.

Embora o fluxo de migrantes da Venezuela à UE tenha se intensificado desde 2014, o que chama a atenção nesse momento são os pedidos de asilo de venezuelanos. Segundo o Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat), eles quintuplicaram desde então.

Preferência para refúgio humanitário

Chegar até a Europa e pedir asilo não significa o fim dos problemas. De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, dos 40 pedidos analisados ​em 2016, apenas quatro foram atendidos. Desde 2012, o asilo foi concedido em apenas seis casos. Por causa das dificuldades no país ibérico, aqueles que aceitam encarar o desafio de aprender uma nova língua decidem optar por outras nações da UE.

É o caso de Israel, de 19 anos, e sua família. Eles chegaram à UE logo após a onda de manifestações sangrentas de 2014. Sua família acolheu manifestantes da oposição que fugiam do gás lacrimogêneo. "Eles (governistas) começaram a nos ameaçar. Escolhemos a Bélgica aleatoriamente. Fomos aconselhados a procurar asilo", disse Israel. Os meses num abrigo não deixaram boas recordações. Agora ele está terminando o ensino médio.

O tenente Wilmer Aguirre é outro que decidiu deixar a Venezuela e partir para a Bélgica. Ele sofreu retaliações no seu país ao escrever um relatório em que questionava o poder dos "coletivos" – os grupos paramilitares armados pelo governo chavista. Entre a escolha de pedir baixa das Forças Armadas ou sofrer uma punição exemplar, ele foi tomado pelo impulso de deixar o país.

Chegou à Bélgica em agosto de 2016, mas ainda não recebeu qualquer sinal de que seu pedido de asilo será aceito. Enquanto isso, pessoas de outros países que vieram depois já conseguiram o status de refugiado.

"Fico triste de ver que pessoas que chegaram depois já receberam uma resposta positiva. Entendo que é um refúgio humanitário, que elas vêm de países em guerra. Mas o meu pedido é de asilo político", afirmou, citando o caso de refugiados do Iraque e da Síria, que têm preferência sobre os venezuelanos.

Enquanto espera uma resposta, ele vive num abrigo, onde recebe três refeições diárias, 7 euros por semana e assiste a aulas de holandês. É tomado pela angústia de ainda não ter ideia de quando vai ser a sua segunda entrevista oficial para a concessão do pedido.

"Vim para este abrigo em agosto. Meu trem chegou da França à estação Bruxelas-Norte, onde há um busto de Simón Bolívar. Entendi isso como um bom sinal", disse Aguirre, que precisa obter o status de asilado para poder levar sua mulher e filha para a Bélgica.

 

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