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Mundo

Cada vez mais islamistas saem da Alemanha para lutar na Síria

Autoridades de Hamburgo monitoram jovens que saem do país para apoiar grupos islâmicos sírios. Nos últimos meses, número de suspeitos aumentou. Há temor de que eles voltem dispostos a realizar atentados na Europa.

Enquanto a comunidade internacional aguarda o desenrolar dos novos capítulos da sangrenta guerra na Síria, na iminência de uma intervenção militar dos Estados Unidos, alguns jovens decidiram colocar as mãos em armas e se juntar aos rebeldes em território sírio. Segundo levantamento da rádio Norddeutscher Rundfunk (NDR), desde o início deste ano pelo menos dez islamitas deixaram a cidade de Hamburgo, no norte da Alemanha, e seguiram em direção ao campo de batalha.

A viagem de quatro mil quilômetros foi feita de carro ou de avião até a Turquia, de onde atravessaram a fronteira. "O que chama a atenção neles é que são muito jovens, vários com apenas 18, 19 anos de idade", ressalta a jornalista Carolin Fromme, que trabalhou no levantamento da NDR. Ela conta ainda que a maioria deles tem nacionalidade alemã, mas vem de famílias de migrantes.

Radicalização

"Sabemos por algumas fontes da área de segurança que parte desses jovens pertence a gangues de Hamburgo", afirma Fromme. Alguns mantêm contato com a organização Hizb-u-Tahrir, proibida na Alemanha. O grupo é suspeito de recrutar os rapazes no país para atuar em seus propósitos.

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Alvo da vigilância por parte das autoridades já há alguns anos, a mesquita Ibnu Taymiya, na cidade de Kiel, também surgiu neste cenário. Recentemente ela esteve nas manchetes dos jornais quando o tcheco-alemão Aslanbek F. morreu na Síria em janeiro deste ano. Ele havia se juntado a uma rede organizada que o enviou à guerra. Os primeiros contatos teriam sido feitos na mesquita de Kiel.

O perfil dos rapazes envolvidos nestes casos é semelhante: jovens islamistas provenientes de famílias pobres e facilmente manipulados e influenciados. O vice-diretor da Autoridade de Proteção à Constituição de Hamburgo, Torsten Voss, acompanha o cenário e conhece as motivações.

"São pessoas que apoiam a jihad. E, com a participação nesses confrontos, elas querem se tornar mais radicais", explica Voss. Ele conta que os islamistas deixam a Alemanha com o intuito de tomar parte diretamente no confronto ou de apoiar os grupos islâmicos financeiramente.

Prova de coragem

Entre eles, estão muitos simpatizantes que até então não eram considerados islamistas pelas autoridades. Para muitos, o importante é ter estado no local dos conflitos, tirar fotos – exibindo armas em muitas delas – e as publicar, posteriormente, em redes sociais, como o Facebook. "A atitude é importante para consolidar a reputação deles no cenário extremista de Hamburgo", conta Voss. Para muitos, a viagem até a Síria significa uma grande aventura e uma prova de coragem.

Segundo dados do governo de Hamburgo, seis homens voltaram da Síria há poucas semanas. Difícil é descobrir o que eles fizeram no território sírio no caminho até lá.

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Até agora, em toda a Alemanha cerca de 120 pessoas suspeitas de apoiarem grupos islâmicos viajaram para a Síria. A cifra aumentou bastante nos últimos meses. Andreas Breitner, secretário do Interior do estado de Schleswig-Holstein, mostra-se preocupado com o cenário. "Essas pessoas representam um grande perigo se tiverem se radicalizado e voltaram com uma propensão a fazer uso de violência". Ele ressalta que, na maioria das vezes, elas passam por treinamento nos campos de batalha.

O presidente da Autoridade Federal de Proteção à Constituição, Hans-Georg Maassen, também demonstra preocupação. "Quando essas pessoas voltam, são recebidas como heróis", afirma. Eles voltam tão carregados de emoção que há o risco de passarem a preparar ataques a partir da Alemanha, a encorajar simpatizantes e até mesmo a realizar atentados no país.

"Não há planos concretos de ataque", afirma Carolin Fromme. "Certamente esses seis que voltaram da Síria para Hamburgo aprenderam a lidar com armas, fizeram contatos. E as autoridades observam isso de perto, obviamente."

Os órgãos de segurança podem tentar impedir a viagem desses islamistas, mantidos sob vigilância, suspendendo seus passaportes e proibindo a saída do país. Alguns, porém, encontram maneiras de ir para o exterior. E da Turquia é fácil chegar na Síria – apenas com a carteira de identidade.

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