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Mundo

Cada vez mais "casos isolados"

Boicote contra empresa alemã e vinhos franceses, campanha contra a "velha Europa". Casos isolados ou uma ameaça real às relações econômicas entre os EUA e os países contrários à guerra?

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Uma aliança do passado?

A firma Enefco International (Auburn, EUA) é uma importante fornecedora da indústria de calçados dos Estados Unidos. Até agora, sua lista de produtos incluía também solas de couro e outras peças adquiridas da empresa alemã Lederett Lederfaserwerkstoff, sediada em Siebenlehn, nos subúrbios de Dresden. Os negócios sempre transcorreram muito bem para ambas as partes. Até meados de fevereiro último.

Foi quando o representante da Lederett nos EUA recebeu uma comunicação oficial da Enefco, cortando todo o relacionamento comercial entre as duas empresas. Na carta, a cliente americana ressaltou estar muito satisfeita com a qualidade dos produtos, com o serviço e os preços da Lederett. E declarou o motivo da decisão: protesto contra a política do governo alemão, de não apoiar a planejada intervenção militar americana no Iraque.

Para a Câmara Teuto-Americana de Comércio, em Frankfurt, este é o primeiro caso conhecido de boicote explícito a produtos alemães. "Acreditamos tratar-se de um caso isolado", afirmou uma porta-voz da instituição.

Cerimônias públicas

A experiência vivida agora pela pequena firma exportadora de Dresden é efeito da campanha cada vez mais disseminada entre os "patriotas", especialmente nas camadas conservadoras da sociedade americana, contra os países classificados pelo secretário da Defesa Donald Rumsfeld como pertencentes à "velha Europa".

A campanha inclui o apelo de boicote a todos os produtos provenientes da Alemanha e da França. E mesmo que tal apelo ainda não tenha obtido grande repercussão entre os consumidores, alguns empresários aproveitam-se dele para lograr publicidade gratuita e atrair novos clientes. É o caso, por exemplo, de donos de restaurantes que destruíram vinhos e queijos franceses em verdadeiras cerimônias públicas. Naturalmente, com ampla cobertura por parte da imprensa americana.

Alguns meios de comunicação também participam da campanha contra a "velha Europa". O jornalista alemão Markus Günther cita, em artigo no diário Kölner Stadt-Anzeiger, o caso de uma emissora de televisão de Nevada, que mostrou a cena do atropelamento propositado de Jacques Chirac (representado por uma foto em tamanho natural) numa highway local.

Günther faz referência também à campanha encetada pelo ativista de direita Dave Bossie, da organização Citizens United, contra a Alemanha e a França. Segundo Bossie, "quem tem tais amigos, não necessita mais de nenhum inimigo" e os Estados Unidos deveriam adotar sanções econômicas contra Berlim e Paris, além de retirar todas as suas tropas estacionadas em solo alemão. A seu ver, uma punição adequada pela "falta de lealdade" dos dois países.

Interpelações críticas

Os representantes do empresariado alemão nos Estados Unidos ainda vêem tais fatos como casos isolados. Segundo eles, tais ocorrências não são representativas do pensamento e do sentimento da grande maioria dos americanos. O que realmente causa preocupação, não apenas ao empresariado mas também à diplomacia alemã, são os contínuos ataques verbais contra a "velha Europa" nos meios políticos e em conceituados órgãos da imprensa americana.

Um exemplo disto é o articulista do Washington Post, Charles Krauthammer, segundo o qual a França estaria escrevendo o necrológio da tradicional aliança ocidental, com a ajuda da Alemanha. "Temos de demonstrar a todo aquele que minar dessa forma a nossa política, que terá de pagar o seu preço", escreveu Krauthammer. Segundo ele, a ONU e a OTAN serão relegadas dentro em breve "à insignificância" e uma "coalizão da boa vontade" passará a determinar os rumos da política internacional, sob a liderança dos Estados Unidos.

Tais ataques são os principais motivos de preocupação para os alemães. Robert Bergmann, representante da Confederação da Indústria Alemã (BDI) em Washington, é citado pelo Kölner Stadt-Anzeiger: "Até agora, não houve uma queda de faturamento. Mas os empresários alemães estão ficando nervosos e seus representantes têm de responder, com freqüência cada vez maior, a interpelações críticas sobre a política alemã."

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