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Cabral e Nuzman viram réus por compra de voto para Rio 2016

20 de outubro de 2017

No mesmo dia em que STJ manda soltar ex-chefe do COB, juiz aceita denúncia apresentada pelo MPF na véspera. Além de Nuzman e ex-governador do Rio, ação envolve outras quatro pessoas, acusadas de corrupção nos Jogos.

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Carlos Nuzman, ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB)
Detido desde 5 de outubro (foto), Nuzman conseguiu habeas corpus para sair da prisão nesta quinta-feiraFoto: Getty Images/AFP/M. Pimentel

O juiz federal Marcelo Bretas aceitou nesta quinta-feira (19/10) a denúncia contra o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) Carlos Arthur Nuzman e o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, acusados de atuar em compra de votos para a escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016.

Com a decisão, ambos se tornaram réus e responderão pelos crimes de corrupção passiva. Nuzman, que estava preso desde o início do mês e teve liberdade concedida nesta quinta-feira, é ainda acusado dos delitos de organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Na mesma ação, tornaram-se réus o empresário Arthur Soares, conhecido como Rei Arthur, e Leonardo Gryner, considerado braço-direito de Nuzman no COB.

Os senegaleses Papa Massata Diack e Lamine Diack, ex-membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), também são alvos da denúncia, mas o juiz determinou que o processo contra eles seja desmembrado, uma vez que ambos residem no exterior.

Ex-governador do Rio Sérgio Cabral
Esta é a 16ª ação a que Cabral responde na Lava JatoFoto: Imago/Fotoarena

A denúncia foi apresentada nesta quarta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro, envolvendo as seis pessoas. Nuzman teria feito a "ponte" em um esquema de corrupção entre o governo Cabral e membros do COI que garantiu a escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos do ano passado. A eleição ocorreu em 2009.

Segundo a acusação, Cabral, Nuzman e Gryner solicitaram valores diretamente ao empresário Soares, com a promessa de um repasse de propina para a delegação senegalesa do COI.

Foram identificados depósitos que somam 2 milhões de dólares feitos por empresas de Soares a companhias de Papa Diack, filho de Lamine Diack – esse último foi presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) de 1999 a 2015.

O valor da propina, de acordo com as investigações, foi debitado de uma dívida de Soares com Cabral. O empresário obteve mais de 3 bilhões de reais em contratos com o estado do Rio.

Na denúncia, o MPF também destacou que, nos últimos dez dos 22 anos de presidência do COB, Nuzman ampliou seu patrimônio em 457%, sem indicação clara de seus rendimentos, além de manter parte de seu patrimônio na Suíça.

A denúncia é resultado da operação chamada Unfair Play, uma ramificação da Lava Jato no Rio de Janeiro. Em 5 de outubro passado, a ação deteve Nuzman e Gryner, além de cumprir mandados de busca e apreensão nas casas e empresas de ambos.

No dia seguinte, o COI decidiu suspender o COB em razão da investigação de seu então presidente, além de afastar Nuzman de todas as suas funções no comitê internacional, do qual é membro honorário. Na semana passada, ele anunciou sua renúncia à  

Nuzman se torna réu no mesmo dia em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu conceder a ele um habeas corpus e liberá-lo da prisão. Os ministros, no entanto, determinaram contra ele medidas cautelares, como a proibição de deixar o país e de manter contato com os demais investigados.

Os membros do STJ entenderam que a prisão preventiva – sem prazo determinado – era medida desproporcional em relação às acusações que pesam contra ele.

Cabral, por sua vez, está preso desde novembro do ano passado e já acumula duas condenações no âmbito da Lava Jato. A ação que o tornou réu nesta quinta-feira é o 16º processo a que ele responde dentro da operação.

EK/rtr/ots/dw

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