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Economia

C. Bechstein: épico econômico ao som de piano

Em 1853 Carl Bechstein fundou sua fábrica de pianos em Berlim. Após 150 anos de glórias e derrotas, a empresa renasce, pronta para conquistar o mercado mundial. Mas sem perder o idealismo.

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Tradição de qualidade

“Só se devia escrever música para o Bechstein”, afirmava o compositor francês Claude Debussy (1862–1918). E o romântico Franz Liszt (1811–1886) declarou um instrumento dessa mesma marca como seu “piano para toda a vida”. Ao longo de mais de 150 anos, inúmeros compositores e virtuoses – dentre eles também Richard Strauss, Edvard Grieg e Béla Bartók – têm agradecido ao mestre do som e da técnica, em dedicatórias e cartas pessoais.

Bechstein, Blüthner, Steinway. Mesmo quem jamais tocou piano conhece o nome desses fabricantes. Todos com fama mundial, todos originários da Alemanha, mas cada um com uma história totalmente diversa. Heinrich Engelhard Steinweg emigrou em 1850 para Nova York, lá fundando a firma Steinway and Sons. Julius Blüthner abriu sua fábrica em 1853, em Leipzig. Em 1972, ela foi declarada pelo regime comunista da RDA “empresa do povo”, ou seja, expropriada.

Época de ouro

Carl Bechstein também fundou em 1853 sua firma, em Berlim. Ele estudara construção de pianos na Alemanha, completando sua formação na Inglaterra e França. O primeiro instrumento, ele montara praticamente com as próprias mãos, porém logo sua produção conquistou conservatórios e salas de concerto, alcançando celebridade internacional.

Já em 1866 Bechstein conseguia exibir seus pianos na Exposição Mundial de Londres. Após numerosas premiações – mas também graças à admiração de pianistas, compositores, e até mesmo da concorrência – a empresa se ampliou rapidamente.

O final do século 19 foi a época de ouro do piano na Europa, ele era presença obrigatória nas salas de estar da burguesia. Bösendörfer em Viena, Zimmermann e Blüthner em Leipzig, Steinway em Nova York, demanda era o que não faltava para nenhuma delas. Porém Bechstein almejava mais ainda: conquistar os corações dos compositores e as salas de concerto.

Trabalhando junto aos compositores

Karl Schulze, atual proprietário da C. Bechstein Flügel & Klaviere, explica a estratégia de seu antecessor: “Carl Bechstein não era apenas construtor de pianos, mas também um bom homem de negócios. Ele soube, no diálogo com os compositores e muitos pianistas, descobrir que tipo de ferramentas eles precisavam.”

Liszt, um dos músicos mais virtuosos e mais dinâmicos de seu tempo, foi responsável por boa parte do sucesso da marca: “Ele que havia, literalmente, destroçado diversos instrumentos dos concorrentes, encontrou no Bechstein um piano que não só resistia à sua maneira dinâmica e poderosa de tocar, como também o satisfazia do ponto de vista sonoro”, comenta Schulze.

Por volta de 1890, a firma é uma das líderes mundiais do ramo: 1100 funcionários produzem cinco mil instrumentos por ano. Porém, com a morte do fundador, em 1900, anos difíceis se anunciam. Helene Bechstein, nora de Carl, idolatra o jovem Adolf Hitler, e nos anos 20 o introduz na alta sociedade de Berlim e Munique.

Coalizão infeliz

Essa fatídica aproximação não trouxe qualquer vantagem para a empresa, na forma de subvenções ou de encomendas especiais. Pelo contrário: a casa da família em Obersalzberg foi simplesmente confiscada pelo regime nazista. E, como ocorria com o resto da indústria nacional, suas fábricas foram “recrutadas” para a produção de material bélico, neste caso, motores e ataúdes.

Após a Segunda Guerra Mundial, pouco sobrou das instalações da Bechstein em Berlim. O processo de desnazificação implicou a perda de diversas filiais. Somente após 1948 ela voltou a ter a permissão de realizar reformas completas em instrumentos usados ou danificados, e apenas dois anos mais tarde pôde construir pianos novos. Retornar ao esplendor de antes era quase impossível, já que no meio tempo a Steinway, a “vencedora” imaculada, dominava o mundo pianístico.

Na próxima página, o renascimento da C. Bechstein.