Cúpula UE-China vai além da crise do euro | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 14.02.2012
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Mundo

Cúpula UE-China vai além da crise do euro

No 14ª encontro de cúpula UE-China, buscam-se convergências em questões econômicas e políticas. A China é o principal parceiro comercial da UE e está prestes a substituir os EUA como parceiro número um da Europa.

O Grande Salão do Povo, em Pequim, abriga a 14ª cúpula UE-China nesta terça-feira (14/02). Originalmente, a reunião deveria ter acontecido em outubro de 2011, na cidade de Tianjin. Mas a União Europeia (UE) cancelou o encontro por os políticos europeus estarem, então, ocupados demais com a crise da Grécia e do euro.

O tema crise da dívida soberana ainda faz, porém, parte da agenda do encontro – que reúne o premiê chinês, Wen Jiabao, o presidente do Conselho da UE, Herman Van Rompuy, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. As relações entre a UE e a China remetem aos tempos de Mao Tse Tung, tendo sido estabelecidas em 1975.

Atualmente, a China possui um tesouro em reservas cambiais de cerca de 3 trilhões de dólares, o maior do mundo. Mas, já durante a visita ao país da chanceler federal alemã, Angela Merkel, no início de fevereiro, Wen falou apenas em uma vaga possibilidade de considerar uma participação no resgate do euro. "A base e a chave do controle da crise da dívida são os próprios esforços da Europa", escreveram, então, os europeus no livro de convidados.

Força econômica e política

Treffen EU-Außenministerrat in Brüssel Catherine Ashton

Ashton, chefe da diplomacia da UE, pediu que BRICS traduzam força econômica em política

As relações econômicas entre China e Europa são estreitas. Em 2010, foram trocadas mercadorias no valor de aproximadamente 400 bilhões de euros. A UE é o principal parceiro comercial da China. Por outro lado, a China está prestes a substituir os Estados Unidos como parceiro comercial número 1 da Europa. Por isso, o interesse chinês em uma economia europeia saudável é grande.

A China goza também do status de "parceiro estratégico" da UE, assim como os outros membros do BRICS: Brasil, Rússia, Índia e África do Sul. Em 1º de fevereiro deste ano, a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, convidou os países do BRICS a "traduzir sua força econômica em força política" e desempenhar seu papel de parceiro da UE com "autoconfiança e ambição" – no âmbito do combate ao terrorismo, bem como nas políticas climáticas e nos direitos civis.

Gigante econômico, anão político

A China, por sua vez, não fez tantas exigências à UE. Enquanto é visto como um gigante econômico, Pequim é também um anão político. É muito difícil para os europeus seguir uma única linha com relação a questões políticas fundamentais.

Por outro lado, a autoconfiança chinesa mostrou-se apenas recentemente no Conselho de Segurança da ONU, quando o país vetou uma resolução sobre a Síria. Há alguns temas difíceis envolvidos no item "assuntos regionais e internacionais" da agenda da cúpula UE-China, entre eles a questão iraniana.

Entretanto, para o presidente do Conselho da UE, Van Rompuy, as discordâncias são naturais. "Falamos abertamente sobre nossas diferenças de opinião, elas não são segredo. Temos boas relações com a China, somos parceiros estratégicos. Mas precisamos ser sinceros: temos sistemas diferentes e temos pontos de vista distintos sobre muitas questões. Porém, também compartilhamos muitos interesses. E temos uma forte vontade de estabelecer as melhores relações possíveis entre nós", disse Van Rompuy à Deutsche Welle.

Questões controversas

Symbol-Bild Europa bittet China um Finanzierung für den Rettungsschirm der Eurozone

Relações UE-China começaram nos tempos de Mao, em 1975

Questões controversas não faltam entre os parceiros estratégicos. A China quer ser reconhecida como economia de mercado e deseja o fim do embargo de armas. Já os europeus buscam em Pequim ajuda não apenas para a crise do euro, mas esperam também ações relativas às políticas climáticas, uma maior abertura do acesso ao mercado, condições justas para as licitações públicas na China e um maior respeito aos direitos humanos.

Para que haja uma aproximação entre ambas as partes, diversos projetos conjuntos devem ser lançados em Pequim. Entre eles, estão uma parceria para o desenvolvimento urbano sustentável e uma expansão da cooperação energética.

Paralelamente ao encontro, acontece também no Grande Salão do Povo a 7ª cúpula de negócios UE-China. O lema ambicioso do encontro entre líderes empresariais é "cooperação em maior escala – inovação, indústria, investimentos".

Autor: Matthias von Hein (lpf)
Revisão: Carlos Albuquerque

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