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Mundo

Cúpula tentará reduzir barreiras entre UE e América Latina

Encontro de Santiago, no fim de semana, discutirá entraves nas relações entre os dois blocos. Enquanto europeus em crise reclamam de protecionismo, autoconfiança faz latino-americanos tentarem impor diretrizes.

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Lateinamerika Gipfel in Santiago Chile

Claro que o Parlamento Europeu também quis produzir um documento dando sua posição sobre a próxima Cúpula América Latina, Caribe e União Europeia. E claro que o texto não perdeu a oportunidade de, novamente, elogiar o encontro entre líderes europeus e latino-americanos como uma grande oportunidade para conseguir "claros acordos políticos" e novos progressos nas negociações. Mas os parlamentares europeus não poderiam deixar de dar uma pequena alfinetada.

A resolução pede "um clima estável para proteção dos investimentos" e lamenta o "protecionismo" recente de alguns países latino-americanos. Nomes não são mencionados, mas é claro a quem essa crítica se dirige. Ironicamente, as duas maiores economias do Mercosul, Brasil e Argentina, vêm isolando seus mercados cada vez mais.

Chile Außenminister Alfredo Moreno zu Grenzstreit mit Peru

Alfredo Moreno, ministro do Exterior chileno: "América Latina é solução e não problema"

Além da retórica cúpula

Comentários como esses mostram que nem tudo está indo bem nas relações entre a Europa e América Latina, como a retórica de cúpula gostaria de mostrar. A União Europeia é o maior parceiro comercial do Mercosul. Os investimentos europeus quase dobraram nos últimos dez anos, ultrapassando a marca dos 600 bilhões de dólares e se mantêm muito acima daqueles dos EUA. Mas o grande objetivo, um acordo de livre comércio, negociado há anos entre a UE e o Mercosul, ainda está muito longe de virar realidade.

Em vez de se pautar pelo consenso, o relacionamento entre os dois blocos é dominado por queixas mútuas diante da Organização Mundial de Comércio. Do outro lado do continente, no entanto, os países do Pacífico Chile, Peru, Colômbia e México há muito tempo já fecharam acordos bilaterais com os países europeus.

Além disso, as economias dinâmicas da América Latina deixam os europeus em crise cada vez mais inquietos. "A maioria já conseguiu muito ao longo dos últimos 10 a 15 anos. Isso é uma base para um novo equilíbrio dos relacionamentos", opina Christian Leffler, diretor para América do Norte e do Sul no Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE).

E a economia do continente cresce cheia de autoconfiança. Alfredo Moreno, ministro do Exterior do Chile, país anfitrião da cúpula, disse que a América Latina já não é mais parte do problema e sim uma fonte para possíveis soluções. Já a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, não se cansa de enfatizar que os conceitos econômicos de EUA e Europa possivelmente não são o caminho certo.

Dilma Rousseff Cristina Kirchner Brasilien Argentinien

Presidentes Cristina Kirchner e Dilma Rousseff: Argentina e Brasil são acusados de protecionismo pela UE

Nova autoconfiança

Os anfitriões se apresentam pela primeira vez como Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), um grupo em que estão representados todos os países americanos, menos os EUA e Canadá. A Celac pode aceitar que 15 de seus membros em breve sejam excluídos dos programas de desenvolvimento social da EU, afinal, a Europa tem que economizar, e a América Latina não precisa mais de ajuda financeira.

"A Celac deveria definir sua própria agenda em Santiago do Chile", diz Héctor Casanueva, diretor do Centro Latino-Americano para as Relações com a Europa. "Ela deve apresentar à UE um roteiro para a cooperação futura, incluindo interesses mútuos, tais como proteção ambiental, energia, pesquisa e desenvolvimento e educação", diz.

Diplomatas encarregados das negociações prévias à cúpula são ainda mais claros. Por eles, o texto da declaração final do encontro deve prever que investimentos europeus tenham "efeitos positivos sobre a sociedade civil, o meio ambiente e os interesses dos povos indígenas" do subcontinente.

Metas modestas

Já os objetivos dos europeus parecem modestos. Eles insistem na segurança dos seus investimentos e na proteção contra interferências de governo, tais como desapropriações. Exigências nas quais os chineses, que investem maciçamente na América Latina, sequer pensam.

Diante dessa situação, o analista político Juan Tokatlián, da Universidade do Torcuato di Tella, em Buenos Aires, não acredita que a cúpula de Santiago traga grandes novidades. "Há uma dissociação estrutural de longa data entre a UE e a América Latina. Os dois blocos têm prioridades cada vez menos confluentes." Se depender apenas de uma bonita retórica de cúpula, a situação dificilmente será mudada.

Autor: Marc Koch (md)
Revisão: Francis França

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