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Mundo

Cúpula histórica sela legado de Obama para a América Latina

Encontro entre presidentes dos EUA e de Cuba ofusca Cúpula das Américas no Panamá e deixa claro que Obama e Castro querem mesmo fazer história. "Este é um homem honesto", afirma líder cubano sobre o presidente americano.

O clímax da sétima Cúpula das Américas parecia até um encontro banal. Quando imagens da reunião histórica entre os presidentes dos Estados Unidos e de Cuba foram divulgadas, elas pareciam mostrar um encontro bilateral como outro qualquer, às margens do evento no Panamá.

E também as declarações de Barack Obama e Raúl Castro à imprensa foram pouco espetaculares. O processo de reaproximação vai levar tempo, disseram. É preciso paciência, e frequentemente ambos vão "concordar que discordam" em alguns assuntos.

Mas o que estava acontecendo era algo histórico. E os discursos de ambos na cúpula sugeriam que Obama e Castro queriam realmente fazer história. Como disse Obama, "os Estados Unidos não serão aprisionados pelo passado".

A declaração veio acompanhada de uma ironia típica de Obama, direcionada ao presidente equatoriano, Rafael Correa, que anteriormente havia criticado o legado dos Estados Unidos na região. "Sempre gosto das lições de história que recebo quando estou aqui", acrescentou. "Sou o primeiro a reconhecer que a maneira como os Estados Unidos implementaram questões relacionadas aos direitos humanos [no continente americano] nem sempre foi coerente", disse.

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No discurso de Castro, parecia que Obama receberia outra lição de história. O líder cubano apresentou uma longa lista de "agressões imperialistas" dos Estados Unidos no continente americano. Como caso mais brutal na América do Sul, citou o golpe de Estado de 1973 contra o presidente chileno Salvador Allende.

Mas, de repente, em meio à fala, após passagens abrangendo a Revolução Cubana, o líder cubano pediu desculpas a Obama por falar sobre a revolução com tamanha emoção. "Obama não tem nada que ver com tudo isso. Todos [os presidentes anteriores dos EUA] têm dívidas conosco, mas não o presidente Obama", que "é um homem honesto" e com uma "forma de ser coerente com sua origem humilde".

De qualquer forma, ficou claro que, assim como Obama, Castro escolheu mudar a história em vez de dar voltas ao redor dela. Foi várias vezes ovacionado.

Democracia

No entorno da cúpula, dissidentes cubanos foram convidados a participar de um Fórum da Sociedade Civil. Rosa Maria Paya, filha do proeminente ex-ativista cubano Oswaldo Paya, participou do fórum. A família afirma que o Estado cubano é responsável pelo acidente que matou o ativista, em 2012.

Rosa disse que saúda os esforços da administração Obama para se aproximar de Cuba. Entretanto, ela alerta que a inclusão não pode ser completa até que os Estados Unidos, em vez de apenas responderem às demandas do governo cubano, comecem a responder aos anseios do povo cubano.

Paya afirma que, para isso, os Estados Unidos deveriam apoiar um plebiscito sobre uma transição à democracia. "Enquanto o povo cubano permanecer excluído, esse processo de transição não pode começar", declarou.

Reaproximação regional

A administração Obama afirma claramente que o processo de reaproximação não diz respeito apenas a Cuba, mas que a intenção é virar a página da relação com toda a região. Nos corredores da cúpula, falava-se no "legado" do presidente – algo que ganhará mais evidência à medida que Obama se aproximar do fim de seu segundo mandato.

Lideranças regionais se mostraram otimistas. O ministro do Exterior do Chile, Heraldo Muñoz, disse à DW que esse é o começo do fim da Guerra Fria na região. "Estamos muito, muito confiantes no processo [de reaproximação], não apenas em nível bilateral, mas também em relação à região", completou seu homólogo da Costa Rica, Manuel González.

Um dos mais notáveis comentários de Obama sobre o papel americano na região ocorreu na Cúpula da Sociedade Civil. "Os dias em que nossa agenda neste hemisfério presumia que os Estados Unidos poderiam se intrometer sem serem punidos fazem parte do passado", disse o presidente. A declaração parecia ter a intenção de afastar as críticas à sua decisão de impor sanções à Venezuela, algumas semanas atrás.

O governo em Washington citou a violação aos direitos humanos quando anunciou as sanções, em março. No entanto, foi duramente criticado por favorecer o presidente Nicolás Maduro ao desviar a atenção dos problemas econômicos e políticos da Venezuela, incluindo a prisão de líderes da oposição, como Leopoldo López.

Céticos também questionaram por que a administração Obama estava dificultando as coisas para a Venezuela e facilitando para Cuba.

Sanções à Venezuela

As sanções dos EUA à Venezuela levam muitos a esperar um confronto maior com Maduro, aliado do regime de Castro. Logicamente, Maduro, em seu discurso durante a Cúpula das Américas, afirmou que as sanções são um ato de agressão e disse ter conseguido 11 milhões de assinaturas pedindo que sejam revogadas.

No entanto, a fala de Maduro foi menos venenosa do que muitos esperavam. Ele pediu que Washington retire as sanções, mas rapidamente acrescentou que Obama "não é um George W. Bush". Foi um aparente aval às considerações de Raúl Castro sobre o atual presidente americano.

Mais tarde, a Casa Branca confirmou que Obama e Maduro tiveram uma "breve conversa informal" paralela à cúpula. Nela, Obama disse a Maduro que os Estados Unidos não são uma ameaça à Venezuela. Mas Maduro não conseguiu o que queria, ou seja, as sanções foram mantidas.

Obama também não atendeu aos pedidos de Cuba e postergou a decisão sobre a retirada do país da lista de países que os EUA consideram patrocinadores do terrorismo. Representantes do governo americano afirmaram que ele está pronto para ratificar a decisão nos próximos dias.

Muitos esperavam que Obama fizesse o anúncio durante ou mesmo antes da cúpula. Castro, porém, pelo menos em público, não pareceu desapontado. Apenas declarou estar satisfeito por a decisão sair logo. "Na minha opinião, o presidente Obama é um homem honesto", disse.

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