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Mundo

Cúpula dos credores

EUA propõem que Alemanha, França e Rússia perdoem os bilhões de dólares devidos pelo governo do Iraque. Para discutir a nova ordem do pós-guerra, Putin encontra-se com Schröder e Chirac em São Petersburgo.

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Schröder e Putin: discussões sobre as dívidas do governo iraquiano

Embora a mídia tenha salientado apenas o caráter humanitário da postura antibélica de Berlim, Paris e Moscou em relação ao conflito no Iraque, o pós-guerra revela alguns detalhes que não podem ser ignorados neste contexto. Em Washington, o secretário adjunto da Defesa, Paul Wolfowitz, propôs na quinta-feira (10) que os governos dos três países abdiquem do pagamento das dívidas contraídas pelo governo de Saddam Hussein. O dinheiro, segundo Wolfowitz, teria sido de qualquer forma utilizado "para a compra de armas, construção de palácios e como instrumento de repressão".

O não de Berlim - O Iraque deve nada menos que oito bilhões de dólares ao governo francês, a mesma cifra à Rússia e quatro bilhões de dólares à Alemanha. Os três países que, curiosamente, fizeram frente às invasões norte-americanas no país. Berlim, segundo o porta-voz do governo, Bela Anda, "rejeita, em princípio, a concessão de uma moratória ao Iraque". A questão, segundo Anda, deverá ser discutida no Clube de Paris, o pódio dos países credores ocidentais. "Não acho que chegou o tempo certo para que questões como essa possam ser cuidadosamente ponderadas e respondidas", resumiu o porta-voz.

Nova ordem econômica - Antes que os mais ricos se reúnam mais uma vez ao pé da lareira no chamado Clube de Paris, Putin resolveu convidar seus colegas credores para uma rápida visita a São Petersburgo. A cúpula do trio que fez frente a Bush, rebelando-se contra a guerra, debate em solo russo "a nova ordem do pós-guerra". Teoricamente, a nova ordem política e geoestratégica. Nos bastidores, certamente a nova ordem econômica e o pagamento ou não das dívidas. A maior parte destes créditos foram concedidos nos anos 80, durante a guerra Irã & Iraque. A União Soviética foi, então, o maior fornecedor de armas para Bagdá.

Dentro da Alemanha, a visita de Schröder a Putin é vista com reservas pela oposição. O líder do Partido Liberal, Guido Westerwelle, condenou a formação de uma nova cúpula Putin-Schröder-Chirac como um "erro grave" do governo alemão, que estaria contribuindo para "a perpetuação da formação de eixos" na política internacional.

Diálogo - Na sede do governo, a justificativa é de que Schröder estaria, no momento, aberto ao diálogo com várias frentes. Para a próxima terça-feira (15), por exemplo, está agendado um encontro com o premiê britânico Tony Blair, em Hanôver. Em Berlim, espera-se, porém, que a reunião em São Petersburgo sirva para discussões concretas sobre o papel da ONU na reconstrução do Iraque. Ponto que cutuca mais Washington que Londres, uma vez que Blair já se disse disposto a envolver as Nações Unidas no processo.

Os chamados "Diálogos de São Petersburgo" aconteceram pela primeira vez há três anos, quando os chefes de governo da Alemanha e Rússia, por iniciativa de Putin, resolveram criar o encontro voltado para a discussão das relações teuto-russas. O número de convidados gira em torno de 120 e a pauta é extensa: ali são debatidas questões que envolvem política, sociedade civil, economia, intercâmbio cultural e cooperação no setor de mídia, entre outros.

Protest gegen Völkermord in Tschetschenien

Eisam Bitshiraeva protesta em Berlim contra o genocídio do governo russo na Chechênia

Antiamericanismo - Em sua última edição, no entanto, o encontro de São Petersburgo começou a perder tanto em significado quanto em ressonância na imprensa. Com a presença de Schröder e Chirac este ano, o cenário muda, sendo apontado como mais um conchavo dos países avessos à guerra. Em solo russo, diga-se de passagem, a guerra no Iraque serviu para reavivar o antiamericanismo que havia empalidecido desde o início dos anos 90, quando se começou a acreditar nas promessas neoliberais.

Hoje, com uma população pobre e desapontada com as promessas não cumpridas de um novo sistema, a Rússia assiste ao renascimento de uma postura avessa aos EUA, tão bem introduzida nos subconscientes do país durante tantas décadas. A proximidade ao "eixo" franco-alemão veio, assim, a calhar, e os três países se uniram na postura antibélica.

O que pouco se debateu é que o elo de ligação era, entre outros, os bilhões devidos por Bagdá a cada um dos membros do novo eixo. A história ensina que russos, da mesma forma que alemães, nunca primaram por um pacifismo exacerbado. Vide-se o recente caso Chechênia, onde o número de crianças mortas e feridas supera certamente em muito o das vítimas iraquianas da guerra que se encerra.

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