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Cultura

"Código Da Vinci" chega às telas alemãs sob muita polêmica

Em entrevista à Agência Católica de Notícias, Christoph Bockamp, clérigo responsável pela Opus Dei na Alemanha, afirma que "O Código Da Vinci" retrata a organização de uma forma caricatural e, por vezes, absurda.

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Em cena: Tom Hanks é Robert Langdon em 'O Código Da Vinci'

A produção hollywoodiana de 100 milhões de dólares baseada no romance homônimo de Dan Brown, O Código Da Vinci, chega aos cinemas alemães nesta quinta-feira (18/05) em um ambiente de polêmicas e discussões religiosas.

Da Vinci Code

Audrey Tautou é Sophie Neveu, neta do diretor do Louvre assassinado

O filme, estrelado por Tom Hanks e dirigido por Ron Howard, fala de uma teoria da conspiração engendrada pela Igreja católica a fim esconder o que seria "o grande segredo": Jesus Cristo era casado com Maria Madalena e teve com ela uma filha, cuja linha de descendência prossegue até hoje.

A organização católica Opus Dei aparece no romance como uma das maiores guardiãs do segredo, que, para protegê-lo, utiliza-se de todos os artifícios, não se privando, inclusive, de mandar matar ou "fazer desaparecer" pessoas. Além disso, é retratada como uma instituição que tem poder econômico e político suficiente para calar vozes indesejadas.

Repercussões na Opus Dei alemã

A página alemã da organização na internet recebeu mais de três milhões de visitas em abril e Christoph Bockamp, clérigo responsável pela Opus Dei na Alemanha, diz que o filme deve ser visto como uma chance para se discutir a fé. Como cristão e membro, Bockamp diz não ter nenhuma simpatia pelo filme ou pelo livro. "Eu esperava mais respeito no tratamento de um tema que impressiona tantas pessoas", afirma.

A Opus Dei organizou um dia de protesto em Roma, em que criticou a distribuidora Sony por não ter explicitado que o filme é uma obra de ficção, mas não convocou boicote por parte de seus membros ou da comunidade católica. Christoph Bockamp afirma que este é o momento ideal para usar o interesse das pessoas em favor da organização:

Josemaria Escriva' de Balaguer

A página da Opus Dei não recebeu tantas visitas nem quando seu fundador foi santificado

"Nós alcançamos a marca de três milhões de visitantes em nosso site no último mês. Isso é dez vezes o número de outubro de 2002, quando nosso fundador, Josemaria Escriva, foi santificado. Também na Alemanha o interesse e as tentativas de contato são enormes. Somos atualmente 600 membros, no total, e temos crescido de 1 a 2% nos últimos anos."

Outro ponto polêmico que envolve a organização, tanto no livro, quanto no filme, é a questão da prática do autoflagelo por parte de seus membros. Bockamp diz que a questão é mostrada de forma absurda na obra, que ninguém dentro da Opus Dei a pratica da forma como ela é descrita por Dan Brown.

"A abordagem sobre a penitência pessoal no filme é simplesmente mórbida. São muito poucos os que a praticam e o fazem por tradição, como forma de se lembrar do sofrimento corporal a que Cristo foi submetido. O jejum também faz parte da prática, que era exercida por Madre Teresa de Calcutá e pelo papa João 23. O importante para nós é que a transmissão de doenças ou os problemas na família e no trabalho fazem mais vítimas, implicam mais abandonos e sofrimento do que o flagelo simbólico do corpo."

Protestante acredita que a obra não representa ameaça à fé cristã

Dan Brown

Dan Brown, autor do livro 'Código Da Vinci'

A bispa luterana Margot Kässmann, de Hannover, aconselhou seus fiéis a receberem o filme controverso com tranqüilidade, pois "não se trata de um debate teológico sério". Kässmann acredita que mais filmes ainda surgirão para colocar em questão a Bíblia, a Fé e a Igreja.

"É a história de um crime. Eu não consigo conceber como uma coisa dessas pode balançar a fé cristã", diz Margot Kässmann sobre o temor de alguns teólogos de o filme representar uma ameaça à Igreja. Ela mesma leu o livro nas férias e considerou um ótimo passatempo "apesar de a tensão pelo desvendamento do mistério ir se dissipando até o final da história."

Críticos torcem o nariz em Cannes

Na quarta-feira (17/05), um dia antes da estréia mundial, O Código da Vinci foi apresentado aos críticos por ocasião do Festival de Cannes. Não houve mãos para puxar os aplausos indicadores de aprovação depois do "The End". A platéia permaneceu em silêncio, com seus cadernos de anotações lotados de críticas ácidas, esperando ansiosa o fim da sessão para dar ao público o seu veredicto.

Da Vinci Code

'Nenhuma química entre Tom Hanks e Audrey Tautou', reclamam os críticos

"Muita culpa, pouco divertimento", avaliou o crítico Kirk Honeycutt. As longas passagens com debates históricos e religiosos tornaram a obra bastante tediosa, em sua opinião. O colega da revista Screen International, Lee Marshall, teve dificuldade em encontrar as palavras certas para demonstrar sua decepção: "Entre Audrey Tautou e Tom Hanks não há simplesmente nenhuma química".

O filme poderá ser conferido a partir desta semana, com cerca de 20 mil cópias distribuídas mundialmente.

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