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Economia

Cálculos divergentes para os custos do controle de fronteiras na UE

Com a retomada de controles, prejuízos para o espaço de Schengen chegariam a até 143 bilhões de euros por ano. Especialistas alertam sobre o comprometimento do projeto europeu e mesmo o fim do mercado interno.

Os cerca de 400 milhões de cidadãos dos países europeus que formam o espaço de Schengen podiam, até agora, atravessar suas fronteiras sem ser que apresentar documentação. Contudo, em reação à crise dos refugiados, diversos países reinstituíram os controles. A Alemanha o fez em novembro último, de início até meados de maio.

É ponto pacífico que tais controles também acarretam danos econômicos. Congestionamentos nas fronteiras ocasionam atrasos no tráfego das mercadorias, as empresas precisam manter estoques maiores, quem trabalha e reside em países diferentes necessita mais tempo até o emprego, e turistas são desencorajados, já que as excursões transfronteiriças de um dia talvez não compensem.

As estimativas quanto aos prejuízos causados pela reintrodução dos controles variam muito, indo de 10 bilhões de euros por ano para a Alemanha a 143 bilhões de euros anuais para toda a União Europeia.

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Entenda o Acordo de Schengen

Na sexta-feira passada (04/03), a Comissão Europeia alertou quanto a "significativos custos econômicos", entre 5 bilhões e 18 bilhões de euros anuais, considerando-se o comércio de mercadorias, o deslocamento para o trabalho e turismo.

No início de 2016, a Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK) também fizera uma avaliação elevada das despesas causadas por engarrafamentos, períodos de espera, burocracia adicional e maiores custos de armazenamento, que poderia "alcançar rapidamente 10 bilhões de euros por ano" só para a economia alemã.

Estimativas divergentes

As estimativas da Fundação Bertelsmann vão ainda mais longe. Segundo estudo apresentado em fins de fevereiro, em que só se considera os efeitos sobre o comércio, a economia alemã poderá perder entre 77 bilhões e 235 bilhões de euros nos próximos dez anos, ou seja, até 23,5 bilhões de euros anuais.

Para a União Europeia como um todo (excluídos Luxemburgo, Malta, Chipre e Croácia), conta-se com uma redução anual de até 143 bilhões de euros do Produto Interno Bruto (PIB). Os autores partem do princípio que, em decorrência dos controles de fronteira, os preços de importação em todo o Espaço de Schengen subiriam até 3%.

Um estudo do instituto France Stratégie, subordinado ao chefe de governo francês, confirma a estimativa de um encarecimento das importações em cerca de 3%. No longo prazo, o comércio entre os países do Espaço de Schengen se reduziria em mais de 10%.

Os economistas franceses acrescentam que o PIB da UE cairia 0,8%, o equivalente a 110 bilhões de euros. Até mesmo o fluxo financeiro poderia ser comprometido, embora aqui os efeitos sejam "difíceis de avaliar".

Métodos e dados questionáveis

Uma vez que toda previsão estatística depende essencialmente das hipóteses tomadas como base, é difícil comparar as investigações. Por exemplo, no estudo da Fundação Bertelsmann, os especialistas em estatística partem do princípio que os controles ocorram em todas as fronteiras internas da UE – embora no momento se cogitem, sobretudo, controles ao longo da "rota dos Bálcãs".

Em seguida, para simular os efeitos econômicos, os especialistas submetem diferentes cenários a processamento informático – por exemplo, com preços de importação 3% mais altos. Aqui, novamente, são aplicados modelos econômicos que só se sustentam sob determinadas pré-condições teóricas.

A Fundação Bertelsmann cita apenas sete fontes, das quais cinco se referem a pesquisas econômicas. A mais antiga é de 1988, três outras são da década de 1990 – uma época, portanto, em que a UE era consideravelmente menor e o euro ainda não existia. Uma única pesquisa é de 2016, e realizada justamente pelo instituto France Stratégie, o qual chega a números totalmente diversos em sua própria estimativa.

Risco para o projeto europeu

A conclusão é que não se sabe nada com precisão. Possivelmente por isso a France Stratégie conclui seu estudo com a advertência geral de que os controles de fronteira são "um risco para o futuro do projeto europeu".

Em outra ocasião, o presidente da Comissão Europeia,

Jean-Claude Juncker

, já formulara a questão de maneira bem mais explícita: "Quem aniquilar Schengen terá, no fim das contas, levado o mercado interno europeu ao túmulo."

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