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Mundo

Bush: Europa entrará em nova era com ampliação da Otan

Reunidos na Letônia, os dez países candidatos reivindicam admissão simultânea na aliança militar. Porém, acredita-se que encontro em Praga, em novembro, aprovará por enquanto somente a entrada de sete.

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Em breve, mais bandeiras devem tremular diante da sede da aliança em Bruxelas

Os dez candidatos a ingressar na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) – Albânia, Bulgária, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Macedônia e Romênia – entram na reta final de seus esforços para serem admitidos na aliança militar que reúne atualmente 17 países europeus, os Estados Unidos e o Canadá. Ao encerrar neste sábado sua reunião em Riga, capital letã, os chefes de governo dos dez candidatos conclamaram a Otan a promover uma ampla abertura da organização para o Leste europeu.

A decisão será tomada em novembro, na capital tcheca. "O encontro de Praga será o início de uma nova era na Europa e nas relações transatlânticas", prometeu o presidente norte-americano, George W. Bush, aos participantes da conferência em Riga através de uma gravação em vídeo.

De fato, a Otan ruma para um avanço histórico, ao incorporar países, que há 12 anos compunham o território do Pacto de Varsóvia, a antiga aliança militar inimiga. De lá para cá, o Leste Europeu abandonou o comunismo e afastou-se do papel de subserviência a Moscou.

Oficialmente, nove países são reconhecidos pela Otan como candidatos a ingresso. A Croácia, apesar de participar do chamado Grupo de Vilnius, só começou a negociar sua admissão recentemente. Os observadores consideram que sete países têm grandes chances de serem recebidos de portas abertas no encontro de Praga. Assim, a Otan promoveria a maior ampliação de seus 53 anos de história.

Os chefes de governo dos candidatos mostraram-se otimistas em Riga, com os avanços nas relações de seus países com a Otan. Em 2000, quando seus ministros do Exterior reuniram-se pela primeira vez para tratar do assunto em Vilnius, capital da Lituânia, o processo de ampliação tropeçava. A ex-superpotência Rússia resistia contra a expansão da aliança militar ocidental, liderada por Washington. Dentro da Otan, duvidava-se que os candidatos teriam condições de atingir os padrões militares e democráticos exigidos pela aliança.

Desde então, o Grupo Vilnius tem demonstrado solidariedade interna e apelado à Otan por uma medida radical, que acabasse de vez com a linha divisória da Europa em ocidental e oriental. Em Riga, os candidatos reafirmaram sua reivindicação de que todos sejam admitidos ao mesmo tempo e em breve na organização.

Em paralelo aos esforços diplomáticos, os governos do Leste Europeu procuraram aproximar-se na prática da Otan, colocando tropas à disposição para missões de paz na Bósnia e em Kosovo. Após os atentados a Nova York e Washington em 11 de setembro do ano passado, todos cerraram fileiras imediatamente com a aliança antiterror convocada por Bush. "Ali já agimos como aliados", argumenta Andris Berzins, primeiro-ministro da Letônia. E, atendendo outro requisito da Otan, muitos dos candidatos se aproximam da meta de destinar 2% de seu PIB para as Forças Armadas.

Os esforços têm sido reconhecidos pelos sócios da Otan, conforme se pode notar nas declarações enviadas à conferência em Riga. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, por exemplo, disse se empenhar "numa expansão tão ampla quanto possível".

Segundo diplomatas, as ex-repúblicas bálticas da União Soviética, Estônia, Letônia e Lituânia já estão com um pé na aliança, desde que o presidente russo, Vladimir Putin, retirou suas objeções. A inclusão da Eslovênia e da Eslováquia também é tida como certa. Para muitos, já deveriam ter sido aceitas em 1999, quando foram admitidas Polônia, República Tcheca e Hungria. Bulgária e Romênia são fortes candidatas, mas ainda esbarram em resistências. Somente para os três países candidatos dos conturbados Bálcãs (Macedônia, Albânia e Croácia) não haveria esperanças de uma admissão em novembro.