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Mundo

Brigando pela defesa

Embaixadores da Otan debateram em Bruxelas a portas fechadas: o propósito da União Européia de criar uma estrutura própria de defesa pode colocar em risco a estabilidade da aliança militar?

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Otan: sobrevivência em perigo frente a iniciativas da UE?

O grito de descontentamento partiu dos EUA: o embaixador norte-americano na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Nicholas Burns, acusou os europeus de estarem ameaçando o futuro da aliança militar criada no contexto da Guerra Fria. Concretamente, a razão dos protestos de Burns refere-se à vontade de alguns países europeus, entre estes Alemanha e França, de criarem suas próprias forças de defesa, independentes da estrutura da Otan.

A UE, apesar de ter suas próprias tropas, aptas a entrarem em ação em missões de paz e passíveis de serem enviadas a regiões em crise, não dispõe de logística suficiente. Em situações de emergência, o bloco de países é obrigado a utilizar as estruturas da Otan. A cooperação foi estabelecida através de um acordo conhecido como Berlim Plus, num momento em que nenhum dos lados envolvidos via necessidade de ampliar seus próprios tentáculos.

Novas idéias - Passada a guerra no Iraque, não deixa de ser sintomático que alguns dos países da UE – entre eles Alemanha e França, que se opuseram à invasão norte-americana ao país – tenham mudado de idéia. Em fins de abril último, as duas nações, apoiadas por Bélgica e Luxemburgo, abraçaram em um pequeno encontro de cúpula a idéia de criar para a UE sua própria estrutura de defesa. Diante das reclamações vindas do outro lado do Atlântico, os quatro asseguram terminantemente que não pretendem, com a iniciativa, disseminar qualquer espécie de poder da Otan.

Segundo a proposta, trata-se apenas de "poder planejar" melhor. "Não vai haver Europa unida sem a capacidade de defesa", chegou a afirmar o presidente francês Jacques Chirac. Nesse ínterim, desconfiou-se até mesmo que do Reino Unido estavam sendo dados acenos de apoio à idéia.

Na última semana, no entanto, Tony Blair deixou claro que continua mantendo um pé em Bruxelas e outro em Washington. "Jamais permitirei que a Otan seja ameaçada. E não poderão me acusar de não ser um aliado estreito dos EUA", declarou o premiê.

Tony Blair

Premiê britânicoTony Blair: um pé em Bruxelas, outro em Washington

Com ou sem o Reino Unido - Para Alemanha, França, Bélgica e Luxemburgo, as palavras de Blair caíram como um balde de água fria. Afinal, os quatro contavam com o aval britânico para poder convencer os outros países da UE da necessidade de criar uma estrutura própria de defesa para o bloco.

O que parece claro é que se Blair tropeçar pelo caminho, Berlim e Paris devem comprar a briga sozinhos. Frente a um "não" definitivo de Londres, não é de todo improvável que as quatro nações envolvidas criem mesmo assim uma política de defesa autônoma.

O delegado da UE para questões relativas à política externa, Javier Solana, tentou colocar panos quentes na questão. "Por favor, não tentem dramatizar tudo. A situação não é dramática." A atmosfera relativamente descontraída da reunião em Bruxelas, nesta segunda-feira (20/10), serviu de confirmação.

Washington, contudo, parece pensar diferente. Após as críticas do embaixador norte-americano na Otan, é o próprio secretário de Estado, Colin Powell, quem pretende vir à Europa conversar com seus colegas. No próximo 18 de novembro, ele estará chegando a Bruxelas.

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