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Mundo

Briga com o Irã reaproxima Alemanha e EUA

Relações teuto-norte-americanas nunca foram tão turbulentas quanto no governo da coalizão SPD/Verdes. Há sinais de reaproximação na crise UE-Irã, mas persistem conflitos de interesses entre Washington e Berlim.

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Bush e Schröder voltam a sorrir, depois de se estranharem

Depois do confronto aberto na questão da guerra no Iraque, a Alemanha e os Estados Unidos dão sinais de reaproximação em relação a outro país árabe, considerado um perigo mundial: o Irã. O presidente dos EUA, George W. Bush, elogiou a resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), organização da ONU sediada em Viena, que exige a suspensão imediata do programa nuclear desenvolvido pelo governo em Teerã.

A proposta, que partiu da Alemanha, França e Reino Unido, em nome da União Européia, foi a última tentativa de resolver o conflito sem recorrer ao Conselho de Segurança (CS) da ONU, como querem os EUA. Como o Irã rejeita a decisão, é quase certo que o assunto será levado ao CS.

Teerã tem prazo até 3 de setembro para cumprir a resolução. Nesse dia, o diretor-geral da AIEA, Mohamed El-Baradei, apresentará um relatório à UE sobre a implementação do documento que, na opinião de Bush, "é um primeiro passo positivo. Nossa estratégia é cooperar com a Alemanha, França e Reino Unido (UE-3), para que os iranianos ouçam uma voz comum".

Do Iraque ao Irã

Berlin: Demonstration gegen Präsident Bush

Protestos em Berlim contra Bush e 'sua' guerra no Iraque

Faz tempo que Berlim não ouvia – ainda que indiretamente – uma declaração tão conciliadora de Washington. As relações Alemanha-EUA foram marcadas por turbulências nos últimos anos. Em sua visita a Berlim em maio de 2002, Bush ainda agradeceu o apoio moral dos alemães após o 11 de setembro de 2001, mas as ruas do país já eram tomadas por protestos contra a política norte-americana para o Iraque.

O chanceler federal Gerhard Schröder aproveitou a rejeição popular à guerra no Iraque para aplainar o caminho de sua reeleição. Os tons antiamericanos de seu governo (a ex-ministra Justiça Hertha Däubler-Gmelin chegou a comparar Bush com Hitler) cavaram um fosso profundo entre Berlim e Washington.

O troco veio de imediato. O secretário norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld, jogou a Alemanha no mesmo balaio de países como Cuba e Líbia, por sua oposição à guerra. "Quando você pensa na Europa, pensa na Alemanha e França. Eu não. Acredito que isso é a velha Europa", disparou.

Ao ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, empenhado em aparar as arestas, só restava uma reação: pedir calma aos americanos. Na questão em si, a Alemanha não arredou pé e negou seu apoio aos EUA na ONU e nos campos de batalha do Iraque.

Ofensiva do charme

O primeiro sinal de reaproximação foi o engajamento alemão no Afeganistão, o que ensejou Rumsfeld a declarar, já há dois anos, que as relações estão "desenvenenadas". Logo após sua reeleição em novembro de 2004, Bush fez questão de ressaltar a importância das relações transatlânticas para os EUA. Seguiu-se uma "ofensiva do charme", com as viagens de sua secretária de Estado, Condoleezza Rice, no final de 2004 e do próprio presidente à Europa, no início deste ano.

Apesar de persistirem divergências de opinião, por exemplo, quanto à proteção global ao meio ambiente, as relações bilaterais hoje são consideradas boas. Um ponto de atrito continua sendo a ambição alemã de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, rejeitada sem muita cerimônia por Washington.

Pontos em Washington, de olho nas urnas alemãs

Schröder voltou de sua última viagem aos EUA, em junho passado, afirmando que Bush lhe desejou "tudo de bom para a campanha eleitoral". Como a proposta da oposição alemã (CDU/CSU) para as relações com os Estados Unidos, no caso de chegar ao poder, é uma incógnita, Schröder pode ao menos alimentar a esperança de que os pontos marcados em Washington revertam em votos para sua coalizão SPD/Verdes nas urnas alemãs.

Na avaliação da mídia alemã, agradar os EUA na crise UE-Irã em tempos de terrorismo internacional parece menos difícil do que no caso do Iraque. Ela tangencia uma série de temas inevitáveis no capítulo da política externa na campanha eleitoral alemã. O Irã está localizado na região do globo em que mais cresce o fanatismo religioso e o nacionalismo muçulmano. Seus vizinhos são o Iraque, a região curda da Turquia, o despótico Turcomenistão, o Afeganistão e o Paquistão.

"Há 26 anos, o Irã vive sob um regime que viola os direitos humanos, nega a existência do Estado de Israel, apóia terroristas e quer ter armas atômicas. Mísseis iranianos poderiam acertar alvos na Europa, também na Alemanha", escreve o semanário Die Zeit.

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