″Brexit″: incerteza e pessimismo entre imigrantes britânicos | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 11.06.2016
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Mundo

"Brexit": incerteza e pessimismo entre imigrantes britânicos

Cerca de 1 milhão de cidadãos do Reino Unido que vivem em outros países da União Europeia sofrem com falta de informação sobre reais consequências do referendo, o que aumenta temor entre eles.

Protesto durante discurso de Boris Johnson, um dos maiores apoiadores da saída britânica da UE

Protesto durante discurso de Boris Johnson, um dos maiores apoiadores da saída britânica da UE

Em 23 de junho, os britânicos vão às urnas decidir se permanecem ou não na União Europeia (UE). Há meses, o debate no Reino Unido tem como foco o tema da imigração. Cerca de 3 milhões de pessoas que nasceram em outros países da Europa vivem na Inglaterra, dos quais 2 milhões são trabalhadores. A campanha pela saída da UE tem como bandeira o fato de a relativamente forte economia britânica ter levado a um afluxo descontrolado de cidadãos de outros lugares do continente.

Mas e o outro lado do debate sobre a imigração? Atualmente, há 1,2 milhão de britânicos vivendo em outros países europeus, tirando vantagem do direito de se deslocar livremente e de trabalhar nos outros 27 estados-membros da UE. A maioria dos expatriados britânicos é de jovens migrantes econômicos que trabalham em países europeus ou de pensionistas que usufruem de aposentadorias em lugares com o clima mais quente. A Irlanda é o país que recebe o maior número de cidadãos britânicos na Europa, seguida da Espanha, onde áreas inteiras são povoadas por pensionistas britânicos. O que vai acontecer com essas pessoas se o Reino Unido deixar a UE?

Eben Marks é um cidadão britânico que recentemente se mudou para Berlim com sua parceira. Ele planeja votar para que o Reino Unido permaneça na UE. "Nesse ponto, não estou certo sobre o que significaria deixar [a UE]", disse. "Depende de qual acordo o Reino Unido alcançar, mas se, depois da saída, o governo britânico quiser restringir o número de cidadãos estrangeiros vivendo no Reino Unido, os países europeus devem dar o troco. Como novo morador na Alemanha ainda sem muitas raízes aqui, isso me preocupa."

Falta de clareza

O discurso dos políticos transmite a mesma incerteza. O ministro dos Assuntos Europeus, David Lidington, alertou recentemente que uma saída britânica afetaria tudo "sobre o acesso ao mercado único", incluindo "o direito de cidadãos britânicos de viver na Espanha ou na França".

O ex-procurador-geral Dominic Grieve, por sua vez, argumenta que a saída resultaria em cidadãos britânicos que vivem em países europeus "se tornando imigrantes ilegais da noite para o dia", caso o Reino Unido não mantenha alguma forma de deslocamento livre depois de sair da UE. Uma vez que a livre-circulação e a imigração irrestrita são os principais assuntos que movem a discussão, parece improvável que eles sejam preservados.

Teresa Litherland é uma aposentada britânica que vive há 12 anos no Chipre. Ela se diz preocupada com o significado do "Brexit": "Pensionistas expatriados vivendo na UE ainda serão submetidos ao aumento anual nas pensões? E o acesso a serviços de saúde aqui? Temos residência permanente aqui no Chipre pelo fato de sermos cidadãos de um país da UE. Isso poderia ser removido?"

A Convenção de Viena de 1969 garante "Direitos Adquiridos", o que significa que, quando um tratado é encerrado, os direitos e obrigações criados previamente não podem ser afetados. Em teoria, no caso de um "Brexit", os países da UE não poderiam expulsar os residentes britânicos imediatamente e vice-versa – o Reino Unido não poderia deportar a população europeia que vive no país. No entanto, juristas apontam que outros direitos, como acesso à saúde, benefícios e pensões, não estão garantidos pela convenção, apesar de ela assegurar o direito de residência permanente. Num relatório sobre os riscos do "Brexit" publicado em fevereiro, o governo britânico diz que o direito à pensão ou o acesso ao sistema de saúde no país de residência não pode ser garantido.

Imogen Roy, de 26 anos, vive em Paris, onde trabalha para a companhia de trens Eurostar. "Estou muito preocupada pessoal e profissionalmente. Eu me beneficio grandemente do direito de trabalhar e circular de forma livre pela Europa. É um grande privilégio comparado à batalha dos meus amigos não europeus para conseguir trabalhar e pagar impostos na França", afirma. "Amo viajar, ter visto livre e me beneficiar de atendimento de emergência gratuito quando estou no exterior, graças ao esquema de seguro-saúde da UE, que faz tudo ser menos estressante."

Großbritanien Nigel Farage Brexit Bus

"Brexit" divide opiniões: alguns expatriados criticam a política da UE, mas temem por pensões e benefícios

Opiniões divididas

Fora os que estão vivendo no exterior por mais de 15 anos, expatriados britânicos têm o direito de votar no dia 23 de junho. Ainda não há grandes pesquisas de opinião disponíveis, mas é amplamente sabido que cidadãos britânicos vivendo em outros países europeus devem votar pela permanência do Reino Unido no bloco.

"Acho que a UE tem um papel importante em encorajar a cooperação pacífica entre os países", diz Marks. "Tenho minhas reservas sobre aspectos de governança e política, mas para mim a resposta é reforma em vez de saída [do bloco]."

Esses pontos de vista não são predominantes, talvez em parte por causa do número significativo de idosos vivendo em países como Espanha e Chipre: as urnas têm mostrado de forma consistente que pessoas da velha geração são mais propensas a votar pela saída.

"Vou votar no referendo e provavelmente pela permanência, mas com o coração pesado", diz Litherland. "É uma instituição de enorme desperdício. Mover todo um Parlamento uma vez por mês para Estrasburgo é um caso paradigmático. Meu maior problema com a UE é a pressão por uma união política; não é o que as pessoas acordaram em 1973."

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