Breve pergunta, grande efeito | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 09.11.2004
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Alemanha

Breve pergunta, grande efeito

Em uma coletiva de imprensa, há exatos 15 anos, o jornalista italiano Riccardo Ehrman escreveu história com uma pergunta curta e direta que mudou o mundo, levando a população às ruas e antecipando a queda do Muro.

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Ehrman: 'O mundo mudou. Hoje'.

No dia 9 de novembro de 1989, há precisos 15 anos, o jornalista italiano Riccardo Ehrman fez uma pergunta que mudou o mundo. Em uma coletiva de imprensa, na qual a RDA (República Democrática Alemã) divulgava sua nova lei de viagens, Ehrman obteve do porta-voz do governo, Günter Schabowski, uma declaração que não havia sido planejada pelo Conselho Ministerial: a de que viagens para o Ocidente seriam permitidas a partir daquele exato momento.

A agência italiana de notícias ANSA, para qual Ehrman trabalhava, publicou exclusivamente a corajosa notícia de que o Muro havia caído. As imagens do evento rodaram o mundo. Logo, milhares de cidadãos da RDA correram para os postos fronteiriços, onde soldados, inseguros e sobrecarregados, abriram as passagens. O Muro havia realmente caído.

"O mundo mudou. Hoje."

Naquele dia fatídico, Riccardo Ehrman chegara atrasado ao evento. Como não havia mais cadeiras, agachara-se bem à frente de Schabowski, com o bloco de notícias no joelho. Schabowski proferiu então a declaração do Conselho Ministerial de que "viagens particulares ao exterior poderiam ser requeridas sem condições prévias – motivos ou relações de parentesco. A autorização seria fornecida em curto prazo. Viagens permanentes poderiam ser efetuadas a partir de qualquer posto fronteiriço da RDA para a RFA ou para Berlim Ocidental".

A pergunta de Riccardo Ehrman foi: "Quando isso entra em vigor?". Schabowski respondeu com a incerteza de um porta-voz: "Pelo que eu sei... imediatamente". Foi o suficiente para que Ehrman se levantasse e deixasse o recinto. "Primeiro, corri para o telefone para dar a notícia, depois para o aparelho de telex", lembra. "Naquele momento, pensei, o mundo estava mudando. Escrevi exatamente isso: O mundo mudou. Hoje."

"Muitas agências falaram apenas numa simplificação da lei de viagens. Mas para mim aquilo tinha um significado claro: o Muro havia caído. Foi isso que escrevi em meu relato: o anúncio de Günter Schabowski sobre a nova lei de viagens equivale à queda do Muro. Os cidadãos da RDA são livres para ir ao ocidente. O Muro caiu."

Seus colegas italianos reagiram com surpresa. "Eles ficaram loucos e não quiseram acreditar, claro. Meu redator-chefe se perguntava: mas o que aconteceu com o Riccardo, será que ele enlouqueceu? Mas consegui convencê-lo de que aquilo correspondia aos fatos."

Multidão saiu às ruas

Günter Schabowski gibt Öffnung der Grenze bekannt

Schabowski: 'Senhor Ehrman, você me deixou nervoso'.

Ehrman antecipou assim a queda do Muro de Berlim. "Schabowski anunciou a nova lei de viagens com 24 horas de avanço. Ao nos encontrarmos depois, ele me disse: Senhor Ehrman, você me deixou nervoso". Após sua publicação, diversas agências divulgaram o mesmo fato. E a população correu para as fronteiras.

"Primeiro fui à Igreja Gedächtniskirche, onde uma multidão havia se formado. O que as jovens garotas do Leste mais observavam eram os sex shops. Para elas, aquilo era a liberdade. Poder ter ou ver tudo o que quisessem. Fui então ao posto de fronteira da Leipziger Strasse, para ver o que estava acontecendo por lá. Naquele momento, eu ainda não sabia que a coletiva de imprensa havia sido transmitida pela televisão. Quando cheguei lá, alguém me reconheceu na multidão e gritou: lá está ele. Eles me levantaram e me jogaram para o alto. Temo que hoje essas mesmas pessoas provavelmente me espancariam."

De fato, há muitos cidadãos alemães que vêem a reunificação com insatisfação. Segundo pesquisas recentes, 12% dos alemães do Leste desejam a volta do Muro. No Oeste, esse índice chega a 24%. "É compreensível que os cidadãos do Leste quisessem ter tudo o que os do Oeste tinham. O mesmo trabalho, o mesmo salário. Acho que é preciso ter paciência. Eu torço com os alemães para que dê certo."

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