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Cultura

Brasileiros predominam no Carnaval das Culturas de Berlim

Um milhão de pessoas participaram do grande festival na capital alemã, que encerrou-se com desfile de 115 grupos de 81 países ou regiões do mundo. Nem a chuva atrapalhou.

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O grupo Afoxé Loni levou muita alegria para as ruas

Durante nove horas de meia do domingo, 115 grupos, blocos e cordões de 81 países ou regiões do mundo desfilaram por 3,5 quilômetros no bairro Kreuzberg, em Berlim, apresentando seus usos, costumes, sons, ritmos e tradições.

Nem mesmo a chuva fina insistente que caiu durante quase todo o dia na capital alemã esfriou os ânimos dos 4200 atores, músicos e dançarinos protagonistas de uma folia contagiante, bem diferente, não só da brasileira, mas também dos tradicionais carnavais de Trinidad Tobago, Tenerife, Jamaico e Granada.

Identificado como o carnaval berlinense, o Carnaval das Culturas é promovido anualmente na semana que antecede o feriadão religioso de Pentecostes, a festa do Espírito Santo, que também tem uma mensagem mista de festa e tolerância entre as diferentes culturas.

Segundo os organizadores, o bairro de Kreuzberg, na zona leste de Berlim, transformou-se mais uma vez "num mosáico cultural, verdadeiro oceano de sons, ritmos e fantasias, num espetáculo único na Alemanha, na Europa e, sem dúvida, até mesmo em todo o mundo".

Variedade cultural - O Carnaval das Culturas já está consolidado no calendário de eventos da capital alemã. A edição deste ano foi aberta no dia 11, com uma festa infanto-juvenil com desfile de fantasias e máscaras para crianças e adolescentes. Na mesma noite, músicos e dançarinos brasileiros radicados em Berlim exibiram-se no show TohuwaBuhu, no clube Pfefferberg.

Os brasileiros formam o povo com maior representação nesta festa popular berlinense. Das 115 formações que desfilaram, 12 são da terra do samba, do axé e do frevo: Afoxé Loni, Amasonia, Anaconda, Bloco Explosão, Boi da Caipora, Capitães de Areai, Edy Carlos e Banda Nação, Furiosa & Yemanjá, Projeto Maracatu Hipopótamo, Sapucaí no Samba, Terra Brasilis e capoeiristas. Os temas apresentados abordaram candomblé, índios, preservação da natureza, cultura nordestina e meninos de rua, entre outros.

Já a cultura africana esteve representada por cinco grupos, que destacaram-se pela fidelidade na representação de suas tradições. Entre os demais participantes, chamaram a atenção também as bolivianas, hindus, chinesas, polonesas, croatas, mexicanas, indianas, curdas, espanholas, russas, flamencas, caribenhas, tarantelas do sul da Itália e egípcias.

O desfile contou ainda com a passagem de grupos de homossexuais, de iniciativas culturais infanto-juvenis para a tolerância e compreensão entre os povos, índios colombianos, budistas, pomerânios alemães e até de fãs de Elvis Presley. Isto sem falar no bloco do Greenpeace e da Anistia Internacional.

Opinião de brasileiros - Fundadora da Amasonia (com "s" mesmo), a primeira escola de samba de Berlim, a carioca Sônia de Oliveira acompanha a evolução do festival desde 1997, quando o desfile do Carnaval das Cultural contou com "apenas" 42 grupos e 2700 participantes. Para ela, o melhor do espetáculo berlinense é "a alegria e espontaneidade, sem profissionalismo, o que casa bem com a mensagem do carnaval". Sônia acrescenta: "Quero levar a beleza e transparência comunicativa do samba até os alemães e irradiar o modus vivendi pacífico e brincalhão dos brasileiros."

O público que foi às ruas de Kreuzberg no domingo não viu apenas o desfile. Ele teve à disposição, em 250 estandes, especialidades culinárias e suvenires de todos os países participantes. Dentre os produtos mais procurados, a caipirinha brasileira manteve sua liderança, segundo os organizadores.

A festa também rolou em 10 palcos, com shows de 40 grupos de músicos e bailarinos, de todos os continentes. Na Longa Noite das Igrejas, os participantes puderam freqüentar 110 cultos religiosos de diferentes credos.

Estima-se que mais de 500 mil pessoas acompanharam o desfile de encerramento em Kreuzberg, mas acredita-se que quase um milhão participou das atividades durante toda a semana.

Brasileiro de 19 anos, Luís Eduardo assistiu ao desfile e se surpreendeu com a variedade cultural apresentada pelos grupos de seu país: "Imaginem se nós, brasileiros, com a enorme gama de raças, mestiçagens, infra-estrutura histórica e culinária de nosso país, realizássemos também uma festa deste porte e desta diversidade. Ninguém mais pensaria que o Carnaval brasileiro é apenas mulatas desbundando na avenida."

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