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Mundo

Brasileiro insiste em permanecer no Líbano

Milhares de estrangeiros deixam o Líbano em caráter de urgência. Aposentado brasileiro de origem libanesa opta por ficar no país. Filha na Alemanha teme pelo pai.

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O comerciante Ali Hussein Yaktine passou 45 dos seus 66 anos de vida no Brasil. Depois de se aposentar, optou por ficar uma parte do ano no Vale do Bekaa, no Líbano, seu país de origem. Surpreendido pelo conflito armado que assola a região, ele insiste, porém, em permanecer no país.

"A questão não é não querer sair. Tenho duas irmãs aqui, tenho primas, sobrinhas. Está na hora de mostrar o sentimento de lealdade e apoio. É por isso que fico com minha família", diz Yaktine à DW-WORLD.

Comunidade brasileira

O brasileiro diz que a região onde ainda vem sendo, em parte, poupada dos bombardeios, que atingem mais o sul do país e alguns bairros de Beirute. O Vale do Bekaa é uma área de produção agrícola, habitada por vários brasileiros de origem libanesa, que costumam voltar ao Líbano quando se aposentam ou para passar férias.

Perigos na rua

Yaktine acredita que a maioria dos cidadãos brasileiros já deixou a região, tendo saído através da capital síria Damasco. "No Vale do Bekaa temos 1300 feridos, 800 deles graves. E mais ou menos 320 mortos. Há falta de medicamento, comida, de tudo. Ontem foi bombardeado um aeroporto a 40 quilômetros de onde estou. Mas se a pessoa fica em casa, não há nenhum perigo imediato. Viajar é perigoso. Se bombardeiam uma ponte e você está ali perto, vai junto", conta.

Outro problema grave visto por Yaktine é o fluxo interno de refugiados desta guerra. Libaneses, e entres estes brasileiros de origem libanesa, que vivem no sul do país e estão fugindo em direção ao centro e ao norte. "Essas pessoas estão vivendo nas ruas, nos porões, estão sendo acolhidas por outros, mas daqui a pouco vai faltar muita coisa para essa gente", avalia o brasileiro.

Aprendendo a lidar com a guerra

Vivendo na Alemanha, Safia, uma das filhas de Yaktine, preferiria que seu pai deixasse o território libanês. "Escutando todas essas notícias, gostaria que meu pai deixasse o país. Mas por outro lado, entendo a posição dele, que tem familiares lá, irmãs, sobrinhas".

Safia Yaktine lembra que seu pai já esteve outras vezes no Líbano em ocaisões de guerra. "Lá, as pessoas acabam aprendendo a lidar com a situação, mesmo psicologicamente. É claro que é um risco, sua vida pode acabar ali. E esse medo, esse trauma de um passado em guerra voltou agora, as pessoas não saem de casa. Ou seja, para mim não é uma situação confortável saber que meu pai está lá", diz.

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