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Brasil

Brasileiras recebem prêmio alemão pela defesa do mico-leão-dourado

Denise Marçal Rambaldi e Andréia Fonseca Martins receberam, na Prefeitura de Frankfurt, o maior prêmio destinado ao meio ambiente e à natureza concedido por uma entidade privada alemã.

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Prêmio foi entregue pelo curador do evento, Hermann Clemm

Dotado no valor de 100 mil euros e divido em quatro categorias, o Prêmio Bruno H. Schubert prestigia, há 25 anos, o trabalho de estudantes, pesquisadores e cientistas, como o francês Jacques Cousteau, premiado em 1983.

Denise Rambaldi e Andréia Martins foram louvadas "pelo resultado extraordinário de seus trabalhos, engajamento e repercussão de seus esforços na defesa do mico-leão-dourado e do hábitat desses animais, a Mata Atlântica brasileira".

A cerimônia para 300 convidados no salão imperial do Römer, nesta quinta-feira (21/06), teve a presença da prefeita de Frankfurt, Petra Roth, que discursou sobre a importância de empresários como Bruno H. Schubert, pertencente a uma tradicional família de fabricantes de cerveja, atuarem como mecenas de causas ecológicas.

Repercussão imediata

Diretora da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), Denise Rambaldi comemorou a repercussão imediata do recebimento do prêmio: "A Fundação Nacional do Meio Ambiente se comprometeu em criar um fundo de apoio ao mico-leão-dourado, de forma que para cada um real arrecadado por nós, eles acrescentarão mais um real, podendo chegar até um milhão de reais por ano". Segundo ela, esses recursos serão aplicados em ações de conservação e monitoramento.

Denise Marçal Rambaldi, aus Brasilien, Preisträgerin 2007 der Bruno H.Schubert-Stiftung Foto: privat, wurde uns zur Verfügung gestelllt

Denise Rambaldi espera que premiação contribua para aumentar interesse pelo projeto

Rambaldi espera que a divulgação do trabalho da AMLD repercuta no comando de grandes empresas alemãs, como Bayer e Volkswagen, fortemente presentes no Brasil e que ainda não colaboram com a entidade.

O valor de 700 mil dólares arrecadado por ano é pequeno se comparado aos recursos investidos na defesa da Amazônia, que, por ser mais conhecida internacionalmente, oferece maior status aos doadores. "Os defensores da Amazônia têm tanto dinheiro, que nem sabem o que fazer com ele. Em termos de variedade de espécies, a Mata Atlântica está num mesmo patamar", protesta Rambaldi.

Ela lembra que 50% do Produto Social Bruto é produzido nessa região, onde mais de 70% da população brasileira está concentrada, onde ficam as maiores cidades – como Rio de Janeiro e São Paulo – e os principais complexos industriais do país. Seu território, que antes da colonização européia abrangia uma região de 1,29 milhão de km² – três vezes o tamanho da Alemanha –, soma hoje apenas 7% desse total.

Ainda assim, a Mata Atlântica permanece uma das florestas tropicais do planeta mais ricas em biodiversidade e possui grande número de espécies endêmicas. O desmatamento, a expansão agropecuária e a urbanização reduziram o hábitat do mico-leão-dourado a pequenas ilhas isoladas. A ação de predadores incumbiu-se do restante.

Goldgelbe Löwenäffchen (micos-leões-dourados). Copyright: R. Hausmann

'Criticamente ameaçada' nos anos 70, população dos micos-leões-dourados voltou a crescer

No início dos anos 70, a população mundial dessa espécie caiu para cerca de 200 indivíduos. A implementação do Programa Internacional Cooperativo para Reprodução em Cativeiro do Mico-Leão-Dourado, em 1972, foi a primeira iniciativa para salvá-lo da extinção. Em 1974, foi criada a Reserva Biológica de Poço das Antas e, em 1992, a AMLD. Apoiada por 148 instituições de cinco continentes, a AMLD tem a Sociedade Zoológica de Frankfurt como principal parceiro – já investiu quase 1 milhão de euros no projeto.

Além de criar corredores florestais para recuperar terrenos remanescentes e conectar as regiões fragmentadas da Mata Atlântica, a entidade fluminense realiza pesquisas sobre a biologia do mico-leão-dourado, promove programas de educação ambiental e reintroduz animais criados em cativeiros de zoológicos do mundo inteiro em seu hábitat original – as florestas de baixada costeira do litoral leste brasileiro.

Recuperação da espécie

Graças aos militantes da AMLD, o mico-leão-dourado tornou-se a bandeira da defesa ecológica no Brasil e está presente até nas notas de 20 reais. Hoje, já existem mais de 1.400 desses animais e seu número tende a aumentar.

Andréia Fonseca Martins, aus Brasilien, Preisträgerin 2007 der Bruno H.Schubert-Stiftung: Foto: privat,

A bióloga Andréia Fonseca Martins é coordenadora de campo do projeto

Já em 2003, o mico-leão-dourado passou da categoria de espécie "criticamente ameaçada" para "ameaçada" na lista vermelha dos animais em extinção da União Internacional para Conservação da Natureza. Se até 2025 a população desses micos chegar a 2 mil indivíduos, ele estará completamente fora dessa lista.

A festa em Frankfurt só não foi completa por um motivo: a ausência de representantes da diplomacia brasileira. "A nosso pedido foram remetidos convites ao Ministério das Relações Exteriores e ao Ministério do Meio Ambiente. Inclusive, recebi do Itamaraty cópia do fax enviado aos diplomatas brasileiros que trabalham na Alemanha. É incompreensível a ausência deles, sinto-me desprestigiada", desabafou Denise Rambaldi.

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