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Cultura

Brasileira concorre em festival dedicado ao cinema feito por mulheres

Filme da cineasta Julia Murat concorre ao prêmio de 10.000 euros com outras sete diretoras de diversas nacionalidades. Festival na cidade alemã de Colônia premia o talento cinematográfico feminino.

O Festival Internacional de Cinema Feminino Dortmund-Colônia, que começa nesta terça-feira (17/04) e vai até domingo na cidade alemã de Colônia, tem o foco voltado para o cinema feito por mulheres.

O objetivo do festival é valorizar o trabalho e o talento feminino nas diversas etapas da produção cinematográfica, além de apresentar as mais recentes produções e servir de fórum para o debate de novas tendências. Cerca de cem filmes serão exibidos em diversas mostras e nas duas categorias que valem prêmio.

Diretoras de oito nacionalidades competem na categoria Estreia Internacional de Ficção pelo prêmio de 10.000 euros. Entre elas está a cineasta brasileira Julia Murat, que concorre com seu primeiro longa-metragem de ficção, Histórias que só existem quando lembradas. Ela concorre com diretoras da França, Geórgia, Canadá, Marrocos, Áustria, Turquia e Estados Unidos.

A diretora Julia Murat no set de filmagem de seu filme 'Histórias que só existem quando lembradas'

A diretora Julia Murat no set de filmagem de seu filme 'Histórias que só existem quando lembradas'

Choque entre o novo e o antigo

O filme de Murat é ambientado em Jotuamba, um fictício vilarejo esquecido, localizado no Vale do Paraíba e onde os poucos moradores são idosos.

Lá vive Madalena, uma senhora presa à memória de seu falecido marido, enterrado no único cemitério da cidade, hoje trancado. O cotidiano de Madalena muda com a chegada de Rita, uma jovem fotógrafa, que chega a cidade à procura de trens abandonados e que se hospeda na casa de Madalena.

O longa retrata o choque de culturas, entre o novo e o antigo, a cidade grande e o povoado, a modernidade e o passado.

De acordo com a diretora, a ideia surgiu durante as gravações de Brava Gente Brasileira, filme dirigido por Lúcia Murat, mãe de Julia. No local das filmagens, em Forte de Coimbra, há uma vila, cujo cemitério foi fechado pelos militares. "Eu fiquei muito fascinada com a ideia de você não poder ser enterrado na sua cidade natal", disse a diretora à DW Brasil.

Contra a separação por gênero

Sobre o festival, a cineasta elogiou a curadoria e as escolhas dos filmes, mas disse ter dificuldade em aceitar um festival voltado somente para mulheres por não concordar com a separação de gêneros.

Sonia Guedes no papel de Madalena

Sonia Guedes no papel de Madalena

"Fui criada com a ideia de que não existe essa divisão e sou um pouco radical nessa questão", disse Murat. "Sou de um país onde atualmente não existe mais essa questão, tudo já é muito igualitário", acrescenta.

Ela lembra que é natural cada vez mais mulheres ocuparem a cadeira de diretor. "Quanto mais pessoas diferentes estiverem fazendo filmes, mais interessante será", disse a diretora.

O Festival Internacional Cinema Feminino Dortmund-Colônia surgiu em 2006 com a junção de dois outros, o Feminale, de Colônia, e Femme Totale, de Dortmund, e conta também com cursos de desenvolvimento profissional, workshops de filmes para garotas, discussões e palestras com convidados.

Não só diretoras de cinema, como também compositoras de trilhas sonoras e diretoras de fotografia terão seus trabalhos exibidos no festival. O evento acontece uma vez ao ano, alternando entre as cidades de Colônia e Dortmund.

Autora: Anna Strohm
Revisão: Alexandre Schossler

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