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Copa do Mundo

Brasil vence México com show de Neymar e da torcida

Novamente decisivo, atacante do Barcelona faz golaço, dá passe para outro e comanda vitória brasileira em Fortaleza. Clima no estádio foi de festa, mas, do lado de fora, foi marcado por novos protestos e confrontos.

Num jogo marcado por uma atuação de gala de Neymar, uma grande festa da torcida em Fortaleza e, novamente, protestos do lado de fora do estádio, o Brasil venceu nesta quarta-feira (19/06) o México por 2 a 0 e chegou aos seis pontos no grupo A da Copa das Confederações.

Na partida, o Brasil teve o seus momentos de domínio de jogo, principalmente no começo de cada tempo. Sem mostrar muita inspiração no meio-campo e problemas com as bolas áreas no sistema defensivo, a seleção brasileira contou com uma tarde inspirada do craque Neymar. Antes da partida, o atacante já havia dito, no Twitter, que entraria “em campo inspirado por essa mobilização”. E não foi diferente.

O novo astro do Barcelona abriu o marcador com um linda finalização, de primeira, logo aos oito minutos. E, já nos acréscimos, após uma jogada desconcertante, tocou para Jô fechar o placar final. O destaque negativo ficou por conta da atuação apagada do atacante Fred, que mal tocou na bola e foi substituído no segundo tempo.

Com a vitória, a seleção brasileira alcançou um recorde histórico. O Brasil é o primeiro país a conseguir nove vitórias consecutivas e dez partidas seguidas sem derrota na história da Copa das Confederações. Os jogadores tentaram conter a euforia.

"Em qualquer competição, o Brasil é um dos favoritos, mas mantemos os pés no chão", disse Neymar, mantendo a cautela. "O próximo jogo é contra a Itália, uma grande seleção."

Confed Cup 2013 Proteste Brasilien Fortaleza

Cerca de 30 mil manifestantes protestaram nos arredores do Castelão e entraram em confronto com a polícia

Nem tudo foi festa. Antes da partida, como já virou praxe nos arredores dos estádios que sediam partidas da Copa das Confederações, manifestantes bloquearam ruas em protestos contra a corrupção, a Fifa e os altos gastos com a Copa do Mundo. Houve confronto com policiais e até jornalistas credenciados foram barrados nas imediações do estádio.

Dentro do Castelão, na hora do hino nacional, alguns torcedores viraram de costas e levantarem cartazes de protesto. Os 11 titulares do Brasil cantaram abraçados e deram um claro sinal de união e vontade de representar o povo brasileiro. A torcida cantou junto, como há muito tempo não se via.

Gol logo no início

Assim como contra o Japão, a seleção brasileira começou a todo vapor. A rede mexicana balançou logo aos quatro minutos do primeiro tempo. O gol de Oscar, porém, foi corretamente anulado por impedimento de Neymar, que havia cruzado a bola para a área mexicana.

O ímpeto inicial não esfriou e, quatro minutos depois, veio o gol brasileiro. Daniel Alves cruzou da direita, o zagueiro Francisco Rodríguez desviou a bola para a entrada da área e Neymar acertou de primeira um belo chute no canto direito do goleiro José Corona. Mais um golaço da jovem estrela brasileira, que comemorou seu segundo gol na competição com o famoso soco no ar, à lá Pelé. Com o gol, Neymar é o segundo atleta brasileiro a marcar nos dois primeiros jogos do Brasil em Copa das Confederações - o primeiro foi Ronaldinho em 1999.

Aos 13 minutos, em mais uma investida pelo lado direito, Daniel Alves tentou cruzamento, mas a bola foi direto no ângulo de Corona, que se esticou todo e colocou a bola para escanteio.

Passados os primeiros 15 minutos, o México equilibrou a partida. Principalmente nas bolas áereas, a defesa brasileira demonstrou ainda não estar encaixada. Em um lance discplicente, o lateral-esquerdo Marcelo tentou dar um chapéu dentro da grande área, perdeu a bola e Hiram Mier aproveitou para arrematar cruzado, com perigo para a meta de Júlio César.

Mais preso na marcação, coube a Neymar tentar carregar a bola pra frente e desafogar a defesa brasileira. As investidas do jogador do Barcelona eram paradas com faltas, algumas mais duras. Quando a zaga mexicana não conseguia parar Neymar, o camisa dez criava sempre um lance de perigo para a meta mexicana. Aos 22 minutos, após belo lançamento de Fred, ele dominou no peito, tirou Mier da jogada e fuzilou de pé esquerdo, por cima do gol.

Daí em diante, só o México fazia a bola circular. A partida ficou mais truncada e com algumas faltas mais pesadas. Até Neymar pegou gosto em derrubar o dez mexicano, Giovani dos Santos. O México continuou com as bolas levantadas na área brasileira e, em um dos muitos cruzamentos, David Luiz, na tentativa de afastar a bola, cabeceou a nuca de Thiago Silva. No encontro, o zagueiro do Chelsea machucou o nariz e ficou quase quatro minutos fora de campo para estancar o sangramento.

Foi um primeiro tempo com começo avassalador do Brasil, mas com um final de etapa preocupante. Nos primeiros 23 minutos, a seleção brasileira finalizou sete vezes contra o gol mexicano, contra nenhuma nos 22 minutos restantes.

Com Jô, mais movimentação

O México voltou do vestiário com uma dura missão para o segundo tempo. O Brasil nunca perdeu uma partida em Copa das Confederações quando marcou o primeiro gol. Foram 28 vitórias e dois empates.

Mas o que parece estar se tornando uma marca registrada desta seleção de Luiz Felipe Scolari – pressionar o adversário nos momentos iniciais de cada tempo de jogo – voltou a acontecer. Logo no primeiro minuto do segundo tempo, Neymar cobrou uma falta para dentro da grande área do México e, após um desvio em Luiz Gustavo, Thiago Silva completou para o gol. Foi o segundo gol brasileiro anulado corretamente na partida.

Aos nove minutos, Hulk tabelou com Neymar, apareceu livre na cara do goleiro Corona e chutou na rede pelo lado de fora. Fred, que estava sumido no jogo, estava livre na pequena área, pedindo o passe que não veio.

No lance seguinte, Neymar passou fácil pelo lateral-esquerdo Carlos Salcido e bateu cruzado. Hulk chegou atrasado, e a bola saiu pela linha de fundo.

No minuto 15, a melhor chance do México no jogo. Andrés Guardado recebeu livre na esquerda e cruzou rasteiro para Chicharito. David Luiz deu o carrinho providencial e salvou a seleção de tomar o primeiro gol na competição.

Confed Cup 2013 Brasilien Mexiko

Lateral-esquerdo Marcelo teve problemas para conter as investidas da seleção do México pelo seu setor

A partida seguia parelha no segundo tempo. Giovani dos Santos driblou três zagueiros brasileiros, entrou na diagonal e foi derrubado. O árbitro inglês Howard Webb nada marcou. No contra-ataque, Paulinho fez fila no meio-campo até a entrada da área, tocou para Neymar, que chutou entre as pernas do zagueiro para grande defesa de Corona.

A sobrevida do México na competição dependia muito das jogadas individuais de Giovani dos Santos e Pablo Barrera, que infernizava o lado esquerdo da defesa brasileira. Todo cruzamento na área brasileira era um deus-nos-acuda. David Luiz, Thiago Silva e Luiz Gustavo tiveram muito trabalho para cortar as bolas sempre perigosas.

O único que ainda tentava algumas ações de ataque pelo lado brasileiro era o incansável Neymar. Com dribles e até um chapéu desconcertante, Neymar carregou o Brasil, quase que sozinho, para o campo de ataque. Nem as faltas duras o intimidaram.

Já nos acréscimos do jogo, o craque recebeu a bola pelo lado esquerdo e a levou até a linha de fundo. Marcado por dois zagueiros mexicanos, tabelou com os próprios pés, enganou um dos defensores, passou a bola entre as pernas do outro, correu entre os dois e rolou para Jô só empurrar para o gol vazio. Golaço pela jogada – um drible no estilo futsal do ex-santista.

Com o gol, o atacante Jô se tornou o primeiro jogador da história da Copa das Confederações a marcar nos acréscimos em duas partidas seguidas consecutivas. Contra o Japão, ele balançara as redes aos 48 minutos do segundo tempo, e contra o México o fez aos 46 minutos.

Ficha técnica

Local: Estádio Castelão – Fortaleza

Gols: Neymar (8 do primeiro tempo); Jô (47 do segundo tempo)

Cartões amarelos: Thiago Silva e Daniel Alves (Brasil); Guardado, Rodríguez e Herrera (México)

Arbitragem: Howard Webb (Inglaterra), auxiliado por seus compatriotas Michael Mullarkey e Darren Cann.

Brasil: Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar (Hernanes); Neymar, Hulk (Lucas) e Fred (Jô). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

México: José Corona; Gerardo Flores (Hector Herrera), Francisco Rodríguez, Héctor Moreno e Carlos Salcido; Jorge Torres (Pablo Barrera), Gerardo Torrado, Andrés Guardado e Hiram Mier; Giovani dos Santos e Chicharito Hernández. Técnico: José Manuel de la Torre.