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Brasil registra um assassinato a cada 10 minutos, diz estudo

Karina Gomes11 de novembro de 2014

Mais de 50 mil pessoas foram vítimas de homicídio doloso no ano passado, aponta Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Quantidade de estupros pode chegar a 143 mil, quase o triplo do registrado pelas delegacias do país.

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Foto: picture alliance/dpa

Uma pessoa é assassinada a cada dez minutos no Brasil, de acordo com estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta terça-feira (11/11). Em 2013, 50.806 pessoas foram vítimas de homicídio doloso, o que corresponde a 5,8 assassinatos a cada hora. Os dados fazem parte da 8ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Apesar de ter ocorrido uma redução de 2,6% na incidência de homicídios – passou de 25,9 para 25,2 mortes em cada grupo de 100 mil pessoas –, o número de vítimas aumentou 1,1%.

No Rio Grande do Norte, o número de homicídios mais que dobrou – passou de 369, em 2012, para 747, em 2013. De acordo com a pesquisa, os dados podem ser ainda piores, já que o estado apresenta problemas com a subnotificação de dados.

O estado que registrou o maior número de homicídios foi a Bahia, com 5.440 casos, onde, porém, houve uma queda de 7,47% em relação a 2012. Na sequência, aparecem São Paulo (4.739) e Rio de Janeiro (4.745). Em último lugar na lista está o Acre, com 195 vítimas.

Segundo os pesquisadores, as estatísticas mostram, porém, que pela primeira vez o Brasil caminha para uma estabilização no número de homicídios. “Isso tem que ser comemorado”, afirmou Samira Bueno, diretora-executiva do fórum.

Analistas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública acreditam que seja possível reduzir as taxas em 65,5% até 2030. Para que a meta seja alcançada, será necessário que as instituições de segurança se aproximem da população, façam "uso intensivo de informações" e aperfeiçoem a inteligência e a investigação.

"O maior problema é articular os diversos agentes da cadeia de segurança pública", afirma o documento.

Salvador Gefängnis Archiv 2006
Sistema penitenciário brasileiro tem déficit de 220 mil vagasFoto: picture-alliance/dpa

Estupros e sistema penitenciário

Apesar de boletins de ocorrência apontarem para 50.320 casos de estupro em 2013, o fórum estima que 143 mil mulheres possam ter sido vítimas do abuso.

"A projeção se baseia no fato de haver uma grande subnotificação desse tipo de crime no país e no mundo. Apenas 35% das vítimas costumam prestar queixa", diz a pesquisa.

Na análise sobre o sistema penitenciário, o estudo contabiliza um déficit de 220 mil vagas nos presídios brasileiros, um aumento de 9,77% na comparação com 2012.
São Paulo tem o pior cenário, com déficit de 97,3 mil vagas, seguido de Pernambuco e Minas Gerais. A maior parte dos detentos é do sexo masculino (93,8%), negra (61,7%) e com idade entre 18 e 29 anos (54,8%).

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública também mostra que a polícia brasileira matou em cinco anos mais pessoas do que a polícia dos Estados Unidos em três décadas. O estudo aponta ainda que o governo federal gasta mais com efeitos da criminalidade do que com políticas de prevenção.