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Brasil

Brasil quer explicação sobre espionagem a Dilma ainda nesta semana

Revelação de que presidente brasileira foi espionada diretamente causa indignação no Planalto, que cobra justificativa "formal e por escrito" da Casa Branca. Viagem de Dilma a Washington, por enquanto, está mantida.

O governo brasileiro expressou nesta segunda-feira (02/09) indignação com a denúncia de que os Estados Unidos monitoraram comunicações da presidente Dilma Rousseff e cobrou uma explicação imediata dos americanos. Uma retaliação, no entanto, foi descartada até que a Casa Branca se manifeste.

“Esperamos resposta ainda nesta semana”, disse o chanceler Luiz Alberto Figueiredo Machado, em conversa com a imprensa. A espionagem, segundo ele, constitui uma prática “incompatível com a confiança necessária a uma parceria estratégica entre os dois países”.

As mais recentes denúncias foram apresentadas pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo (01/09). Assinada também pelo jornalista britânico Glenn Greenwald, a matéria mostra, através de documentos entregues por Edward Snowden, que as comunicações de Dilma e do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, foram monitoradas pelos EUA com uma ferramente capaz de espionar até mensagens de celular.

Dilma tem viagem marcada para outubro a Washington, onde será recebida pelo presidente Barack Obama. Apesar de seguidamente questionado por jornalistas sobre o tema, o chanceler não se pronunciou nesta segunda-feira sobre um possível cancelamento da visita, já especulado pela imprensa brasileira.

Embaixador convocado

Na manhã desta segunda-feira (02/09), Figueiredo chamou o embaixador americano Thomas Shannon para uma conversa e exigiu “explicações formais por escrito sobre os fatos”. O chanceler garantiu que Shannon entendeu o recado, transmitido, segundo ele, “de maneira muito clara”.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, voltou na sexta-feira de uma viagem aos Estados Unidos, onde se encontrou com o vice-presidente Joe Biden em uma tentativa de chegar a uma posição comum sobre as recentes denúncias.

Após reunião emergencial com a presidente Dilma nesta segunda, Cardozo transmitiu a posição do governo: “Se confirmados os fatos, isto revelará uma violação inaceitável e inadmissível da nossa soberania.”

Enrique Pena Nieto und Dilma Rousseff

Dilma ao lado de Peña Nieto: espionados

O governo ainda não antecipa quais podem ser as possibilidades de retaliação. “O tipo de reação dependera do tipo de resposta que for dada”, disse Figueiredo.

O ministro adiantou que levará a questão aos órgãos internacionais competentes uma vez que, além do Brasil, há indícios de que outros países também estejam sendo atingidos.

O chanceler também adiantou que o Brasil já está em contato com outros países para “avaliar como eles se protegem desse tipo de situação e quais ações conjuntas podem ser tomadas”.

O senador Ricardo Ferraço, presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, considerou o caso um “desrespeito a princípios e valores dos mais caros à civilização", mas disse não estar surpreso.

“Sinceramente o fato não me surpreendeu. Os indicativos que tínhamos até então mostravam que o nível de espionagem praticado pelos americanos não tem limites”, afirmou.

CPI mais próxima

O Senado pretende instalar, nesta semana, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deverá investigar quais empresas de telefonia estariam contribuindo com a transferência de dados ao governo americano. Ferraço quer que o embaixador americano compareça para "esclarecer os fatos".

Na reportagem exibida no domingo pela Rede Globo, Glenn Greenwald mostra um documento datado de junho de 2012. Os alvos da espionagem são Enrique Peña Nieto, então candidato à presidência do México, e Dilma. Segundo a reportagem, números de telefone, e-mails e endereços de IP são identificados para monitorar comunicação entre autoridades, assessores e terceiros.

Na última página do documento, segundo a reportagem, o método é apresentado como uma “filtragem simples e eficiente que permite obter dados que não são disponíveis de outra forma e que pode ser repetido”.

Nos documentos, há dois trechos de mensagens de Peña Nieto, mas não há exemplos de comunicações da presidente brasileira. Apesar disso, as relações entre Brasil e EUA à época são postas como indefinidas – o Brasil poderia ser amigo, inimigo ou um parceiro problemático.

Ao comentar esse trecho da reportagem, o chanceler brasileiro afirmou que “o Brasil não pode admitir ser considerado – nem em sonho – um país de risco ou um país problemático”.

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