1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Brasil não possui atraso tecnológico energético, diz especialista

Não há encontro bilateral ou de cúpula, onde a questão energética não seja um dos temas centrais hoje em dia. A DW-WORLD entrevistou o especialista brasileiro em planejamento energético Luiz Pinguelli Rosa sobre o tema.

default

Que razões levaram a questão energética a tornar-se tema central da agenda internacional?

Luiz Pinguelli Rosa

Pinguelli: 'atraso tecnológico do Brasil não está na área energética"

O professor Luiz Pinguelli Rosa, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e ex-presidente da Eletrobrás, é o coordenador do Programa de Planejamento Energético da Coppe, a Coordenação dos Programas de Pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A DW-WORLD conversou com ele para saber mais sobre a questão da energia, a integração energética da América Latina e o programa brasileiro de enriquecimento de urânio.

DW-WORLD: Professor Pinguelli, a questão energética tornou-se um tema central da agenda mundial, como no caso do recente encontro do G8 em São Petersburgo. Se admitirmos que temas energéticos estão hoje nas manchetes de jornais bem mais do que antigamente, por que a mudança de paradigma em relação à energia?

Luiz Pinguelli Rosa: Três fatores contribuíram para este fato. Primeiramente, a subida do preço do petróleo, que chegou a 10 dólares por barril na década de 90 e agora ultrapassou os 70 dólares. Outro fator é o efeito estufa, provocado pela emissão de gases tóxicos provenientes do uso de combustíveis fósseis.

Como último fator, devemos mencionar a instabilidade geopolítica do mundo atual: o terrorismo, a ocupação do Iraque e do Afeganistão, a crise no Oriente Médio, a questão nuclear iraniana e os mísseis da Coréia do Norte, tudo isso agrava a segurança energética.

O senhor esteve recentemente no Chile participando do encontro sobre Segurança Energética promovido pela Universidade La República e a Embaixada da França. Quais os temas abordados neste encontro? A energia também é tema central da agenda latino-americana?

No caso da América Latina, somos um continente com imensos recursos hidrelétricos subutilizados, temos dois grandes produtores de petróleo, o México e a Venezuela, temos o gás natural da Bolívia e um grande mercado consumidor que é o Brasil.

No encontro no Chile, as discussões giraram em torno de uma maior integração energética da América Latina, o que é um tanto paradoxal, se levarmos em consideração a crise gerada pela nacionalização do gás natural e do petróleo na Bolívia – uma decisão aceita pelo governo brasileiro, que reduziu a discussão à mera questão de preço do gás natural.

A Radio Universidad de Chile comentou a unânime constatação dos participantes do encontro sobre a crescente tendência de intervenção governamental nos mercados energéticos, como no caso da Rússia, Bolívia e Venezuela, que reassumem o controle de seus hidrocarbonetos. Como o senhor observa este fenômeno?

Bolivien Gas Behälter

Bolívia estatizou o gás natural

Sofremos com o problema da liberalização do setor energético devido a privatizações mal feitas. Não houve investimento dos grupos estrangeiros na expansão da geração e da transmissão. No caso do Brasil, isto causou, em 2001, um racionamento de energia elétrica que ficou famoso no mundo inteiro. Hoje, o governo brasileiro suspendeu a privatização das empresas elétricas estatais. No caso da Venezuela, trata-se do petróleo e, no da Bolívia, do gás natural.

Acredito que atualmente vivemos uma situação oriunda do excesso de liberalização econômica que não deu certo e talvez agora se caia em um excesso de intervenção estatal. É preciso chegar a um meio-termo.

Qual a melhor forma de planejamento energético? Uma visão da energia como importante fator para o progresso coletivo, o que justificaria uma intervenção estatal, ou uma visão comercial, que possivelmente evitaria sua utilização como arma estratégica governamental?

As duas coisas. A energia tem um lado comercial de oferta e procura, mas também um lado de serviço público, ou seja, não se pode deixar um país sem energia. Daí a energia ser uma concessão.

Em relação ao petróleo, trata-se da necessidade de mobilidade, então é natural que o Estado tenha um papel importante, embora também não se possa negar o mercado como regulador de preço e disponibilidade. É preciso julgar com as duas faces da moeda, o mercado e o Estado.

Leia mais sobre a integração energética na América Latina

Leia mais