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Brasil

Brasil fecha dois anos de retrocesso e deve ter recuperação lenta do PIB

Crise financeira mundial e erros do governo contribuíram para sucessivas quedas no crescimento da economia brasileira nos dois primeiros anos de Dilma. Especialistas dizem que há muito por fazer para país crescer.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve fechar o ano de 2012 com o amargo crescimento de apenas 1%, bem abaixo do que se esperava no início do governo Dilma Rousseff, há quase dois anos.

Esse crescimento é o menor entre os países do grupo BRICS – que inclui também Rússia, Índia, China e África do Sul – e o segundo menor da América Latina, perdendo somente para o Paraguai.

O Banco Central do Brasil (BC) revisou diversas vezes – sempre para baixo – as estimativas de crescimento do país este ano. Em março, a previsão era de 3,5%. Em junho, o BC fez a primeira revisão para 2,5%, e em setembro, para 1,6%. Já nesta quinta-feira (20/12) corrigiu a projeção para 1% – o menor crescimento desde 2009. No primeiro ano de governo da presidente Dilma, o Brasil crescera 2,7%.

Decisões erradas

Para especialistas, esse resultado é fruto da crise econômica mundial, mas também das escolhas erradas da equipe de Dilma Rousseff, que focou metade de seu madato em estimular o consumo das famílias brasileiras em vez de investir em infraestrutura e num clima favorável para os investimentos de empresas privadas no país.

Guido Mantega

Mantega reduziu tributos de diversos setores, mas não houve o efeito esperado

Segundo Samy Dana, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), durante a crise de 2008, o ex-presidente Lula direcionou sua política econômica para incentivar o consumo ao reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além de oferecer juros baixos e crédito fácil.

"Mas chegamos a um estrangulamento, em que as medidas passam a não ter mais efeito. A população consumiu o que podia e o que não podia. Então não adianta mais tentar estimular o consumo", frisou Samy Dana.

Por outro lado, Manuel Enriquez Garcia, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) relativizou o baixo crescimento do PIB e afirmou que houve ganhos importantes, como a taxa de desemprego próxima a 5,5% com tendência de queda – quase pleno emprego – e aumento do salário real acima da média mundial.

Papel de "bombeiro"

Para os especialistas, o governo deveria se concentrar em problemas-chave, como melhorar a infraestrutura e o fraco sistema de educação, oferecer clima mais favorável ao investimento estrangeiro e, ainda, realizar uma profunda reforma tributária no país – prometida desde o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Em vez disso, o governo age de forma pontual com a redução de tributos, por exemplo, para os setores industrial, de construção civil e têxtil. Na opinião de Dana, o governo não tem uma política econômica clara. "Eu tenho a impressão de que o governo tem pouco controle sobre a situação. Hoje tenta aqui, amanhã tenta ali, parece uma visão amadora da questão técnica. Do ponto de vista técnico econômico é bombeiro apagando incêndio", acentuou.

Além disso, o governo precisaria criar uma atmosfera mais segura para os investidores. "Não há muito respeito pelos contratos firmados. Além disso, houve aumento e diminuição constante de tributos", frisou Garcia, que também é presidente da Ordem dos Economistas do Brasil.

Demanda menor do exterior

O governo Dilma não conseguiu manter, nos últimos dois anos, o mesmo patamar de crescimento econômico de seu antecessor. Para os especialistas, a comparação é difícil, por se tratar de duas conjunturas econômicas diferentes.

Ernte Zuckerrohr in Brasilien

Queda na demanda por commodities brasileiras contribuiu para o baixo crescimento

O governo do ex-presidente Lula cresceu "na esteira da economia mundial", disse Garcia. "O preço das commodities subiu consideravelmente, e a quantidade exportada do setor de agronegócios acabou expandindo o PIB. Com isso houve crescimentos de 4% na última década." Daí veio a crise mundial, e o governo se concentrou nas soluções de curto prazo.

A desaceleração do crescimento da China e da Índia em comparação com o ano de 2011 enfraqueceu a demanda por produtos brasileiros e, ao mesmo tempo, houve uma forte valorização do real, dificultando as exportações. "Isso é especialmente ruim para a indústria, que é mais sensível do que o setor de commodities", analisou o professor do Instituto de Economia de Kiel, na Alemanha, Federico Foders.

Os especialistas fizeram diferentes prognósticos para o aumento do PIB nos próximos dois anos, mas acreditam que a retomada do crescimento será lenta: o país deve crescer em torno de 2,5% em 2013 e no máximo 4,5% em 2014, impulsionado também pelos projetos envolvendo a Copa do Mundo.

Autor: Fernando Caulyt
Revisão: Francis França

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