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Ciência e Saúde

Brasil é criticado por falta de liderança na Rio+20

O temor é que a conferência acabe esvaziada e não traga resultados concretos. Críticos exigem que o Brasil assuma uma postura mais ativa na elaboração de propostas em prol do desenvolvimento sustentável.

A mais recente crítica ao Brasil relacionada com a Rio+20 partiu de um grupo de 15 ex-ministros do Meio Ambiente, ambientalistas e economistas. O grupo lançou, nesta quarta-feira (18/04), um manifesto em que alerta para "um elevado risco de que a Rio+20 seja não apenas irrelevante, mas configure um retrocesso".

"Essa percepção começa a se generalizar e pode, inclusive, conduzir a um esvaziamento da confe­rência em termos de presença de Chefes de Estado e Governo, configurando embaraçoso contraste com a Rio 92, cujo aniversário se pretende comemorar”, diz o documento, intitulado Rio Mais ou Menos 20.

O Ministério das Relações Exteriores não comentou o documento, alegando não ter sido oficialmente comunicado do seu lançamento. Mas, em conversa com jornalistas nesta quinta-feira, o secretário executivo da Comissão Nacional para a Rio+20, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, disse que a conferência vai buscar definir "objetivos globais que têm como foco a implementação do desenvolvimento sustentável dos próximos 20 anos".

Um dos signatários do documento, o professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Eduardo Viola, disse à DW Brasil que, na avaliação dele, "a probabilidade de fracasso é alta".

Postura pró-ativa

Durante o lançamento do manifesto, a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-candidata à Presidência da República Marina Silva disse que "o Brasil precisa ter uma agenda pró-ativa no sentido de uma governança global para o meio ambiente, com compromissos a cumprir e avaliações honestas do que precisamos avançar. É fundamental que o País lidere pelo exemplo e evite um retrocesso".

Viola disse à DW Brasil que o governo brasileiro tem tido um comportamento de procurar um mínimo denominador comum não muito ambicioso. "O que a gente está propondo é uma postura mais pró-ativa, de liderança. Isso não vai ter o apoio de todos, mas, pelo menos, colocaria o Brasil num lugar diferente nas negociações internacionais. O lugar do Brasil hoje é um lugar muito low profile", avaliou.

Figueiredo disse, entretanto, que o Brasil está sendo ouvido e que o país tem todas as condições de liderar uma conferência desse tipo. Ele também rebateu as críticas sobre o documento final e disse que o Brasil está confiante que o texto apresentado após a próxima rodada de negociações, que acontece na próxima semana em Nova York, será ambicioso. "Uma conferência como essa tem a obrigação de pensar grande, de olhar para frente e ver quais erros estão sendo cometidos e lançar uma nova etapa de prosperidade", comentou.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, também garantiu que o Brasil terá um papel de liderança. "O Brasil tem uma oportunidade única de liderar e buscar a convergência entre várias situações para que a reunião seja exitosa. Queremos uma agenda forte de desenvolvimento sustentável na ONU", disse, nesta semana, durante um evento sobre a Rio+20.

Autora: Ericka de Sá, de Brasília
Revisão: Alexandre Schossler

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