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Economia

Boom do riesling alemão

O vinho alemão vive um momento de franca expansão no mercado. Crescem as exportações e o consumo interno.

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Aumenta o consumo de vinho na Alemanha

Todos os anos, acontece em Düsseldorf a Feira do Vinho, o evento mais importante do setor na Alemanha. A edição de 2006 do evento, que termina nesta quarta-feira (29/03) conta com a participação de 2,9 mil expositores de 46 países.

Os organizadores esperam um público de aproximadamente 28 mil visitantes. Paralelamente ao evento, foi criada uma bolsa de informações para a divulgação de estudos sobre o vinho e sobre a situação do produto no mercado internacional. O Brasil está representado por 24 produtores e comercializadores de vinhos e bebidas destiladas.

Franca expansão

O vinho da Alemanha está conquistando cada vez mais o mercado, tanto no país quanto no exterior. As exportações cresceram 10% em 2005 e chegaram a 475 milhões de euros. Os principais importadores foram o Reino Unido, os Estados Unidos e a Holanda.

Apesar da forte concorrência de vinhos internacionais, principalmente do Mediterrâneo, africanos e australianos, também no mercado interno as vendas dos produtos nacionais aumentaram 1,2%, para 37%, segundo os dados fornecidos pelo Instituto do Vinho Alemão (DWI).

"O vinho alemão está passando pela sua renascença. Nossos produtos estão sendo muito procurados, coisa que não acontecia desde a década de 80", afirmou Steffen Schindler, chefe de marketing internacional do DWI, ao jornal Die Welt.

Feldhüter Reinhold Wiedemann erntet am 21.8.2002 in Neustadt-Mußbach den ersten neuen Wein der Rebsorte Ortega.

Sucesso da uva riesling impulsiona as vendas

Prestígio através do riesling

A expansão do produto se deve, principalmente, à forte mudança de imagem das uvas riesling, típicas da Alemanha.

"A maioria dos apreciadores está nos Estados Unidos. Ali está acontecendo um verdadeiro boom do riesling. Mas os apreciadores também estão no sul da Europa. Na Itália e na Espanha estamos em franca expansão. Os escandinavos estão começando a descobrir a uva riesling. Podemos mesmo dizer que atingimos uma etapa de desenvolvimento em que podemos brilhar internacionalmente", declarou o príncipe Michael zu Salm-Salm, presidente da Associação Alemã dos Produtores de Vinhos com Predicado.

O sucesso da uva riesling não se deve apenas ao seu sabor. Os comentários positivos de renomados jornalistas e especialistas em vinhos sobre a variedade têm contribuído para aumentar as vendas. Na classificação do "guru" do vinho, Robert Parker, aparecem mais de cem vinhos alemães com nota entre 86 e 94 (de um máximo de 100).

Foram agraciados com o predicado "excelente" 34 dos vinhos analisados. Dois produtores alemães, Robert Weil, da cidade de Kiedrich (Rheingau), e Martin Franzen, da Renânia-Palatinado, foram incluídos na lista dos melhores de Parker (Wine Personality of the Year).

O consumo de vinho na Alemanha

A Alemanha é, atualmente, o quarto consumidor de vinho no mundo, atrás da França, Itália e Estados Unidos. Segundo o DWI, o consumo per capita de vinho, em 2004, foi de 20,1 litros e o de espumantes, 3,8 litros. Os dados mostram que o consumo aumentou em 2,6 litros por pessoa nos últimos dez anos. Outra revelação importante: apesar da conjuntura adversa, o vinho ainda continua a ser um elemento importante no setor gastronômico.

Preço baixo aumenta o consumo

Os dados revelam também que as vendas nos supermercados de produtos baixos, como Aldi, Plus e Penny Markt, correspondem a 57% do mercado, ou 6,4 milhões de litros. A pesquisa de mercado realizada pela empresa AC Nielsen mostrou que somente o Aldi é responsável por 26,5% das vendas, em decorrência do baixo preço oferecido.

Retrogosto amargo

As exportações de vinho da União Européia (UE) para os Estados Unidos atingem 2,6 bilhões de dólares. O temor a represálias no mercado norte-americano levou os ministros da Agricultura do bloco europeu a aprovar uma deliberação que deixa um sabor amargo na boca dos produtores alemães: os vinhos americanos poderão ser exportados novamente para a Europa, sem restrições. Os procedimentos químicos e físicos que ajudam na competitividade do vinho americano foram liberados.

"Existem dois pontos críticos nesta decisão. O primeiro é a aceitação destes procedimentos, que, até o momento, não são praticados na Europa. Assim, tudo o que é permitido nos Estados Unidos deverá ser aceito na Europa também, já que os americanos estabelecem os critérios em quase todo o mundo. O segundo é que este processo não precisa ser identificada nas etiquetas", esclarece Monika Christmann, professora da Faculdade de Geisenheim.

Vinhos alemães no Brasil

Os brasileiros têm consumido cada vez menos vinhos alemães. Segundo os dados da União Brasileira de Vitivinicultura, a cota de vinhos importados da Alemanha caiu de 9,8% do total de importações, em 1999, para apenas 0,7%, em 2005.

A Embrapa também registrou uma brusca queda nos valores de importações dos vinhos alemães, referente ao período de 2000 a 2004: quase 600 mil litros a menos. Em contrapartida, as importações de vinhos chilenos triplicaram e as de vinhos argentinos quintuplicaram.

As justificativas para isso são acima de tudo econômicas. Com o crescimento do Mercosul, as importações dos vinhos dos parceiros comerciais são mais vantajosas e mais baratas. Os vinhos alemães ainda continuam inacessíveis a grande parte dos brasileiros, apesar da redução de 20 centavos no preço médio por garrafa (2,71 euros), ocorrida nos últimos cinco anos.

Outro problema é a má fama do vinho alemão no Brasil. Alguns produtores utilizam nomes alemães em vinhos que não alcançam os padrões internacionais de qualidade. A tentativa de conseguir mais clientes acaba difundindo a impressão de qualidade ruim para o produto alemão.

Exportações brasileiras

Prämierter Wein aus Brasilien

Os vinhos brasileiros também estão conquistando os apreciadores europeus

Os dados da Embrapa revelam que os vinhos brasileiros também estão perdendo mercado na América Latina. Houve uma redução drástica das exportações para a Bolívia (quase 250 mil litros) e para o Paraguai (mais de 4 milhões de litros), no período de 2000 a 2004.

Contudo, os países da UE estão descobrindo os vinhos brasileiros. Os primeiros sinais aparecem em Luxemburgo, Holanda e Suíça, com um aumento das exportações. Os dados registram ainda, no mesmo período, um aumento de vendas nos Estados Unidos, de aproximadamente 90 mil litros de vinhos brasileiros.

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