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Mundo

Bolívia é barril de pólvora, diz analista alemã

Imprensa européia vê com um pé atrás a eleição do líder cocalero Evo Morales à presidência da Bolívia. Radicalismo do eleito e seus planos de nacionalização do setor energético podem espantar investidores estrangeiros.

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Evo Morales, herói dos índios, pesado no exterior

"Se eu for eleito, será um verdadeiro pesadelo para os Estados Unidos", disse Evo Morales, antes do pleito de domingo (18/12), no qual obteve a maioria absoluta dos votos dos 3,6 milhões de eleitores bolivianos.

Na opinião de alguns jornais europeus, há indícios de que Morales pode se tornar um pesadelo não só para os EUA. Algumas empresas da França, Espanha e Inglaterra já partilham com a Petrobras a preocupação com o plano do novo presidente de estatizar o setor energético, incluindo o gás natural, do qual a Bolívia tem a segunda maior reserva da América do Sul.

A eleição de Morales não chegou a surpreender os europeus, como mostram os editoriais de vários jornais, nesta terça-feira (20/12). Mas o tom dominante nas análises é de ceticismo em relação ao futuro da Bolívia.

Onda esquerdista

Segundo o El Periódico , de Barcelona, "com Morales, chegou a hora da recompensa dos índios, que formam a maioria da população da Bolívia, mas até agora praticamente não estiveram representados na elite política. Morales quer estatizar os recursos naturais, mas prometeu não desapropriar as petrolíferas. Ele agora precisa provar que não sabe apenas realizar protestos e, sim, fazer uma política realista de governo".

"Provavelmente, muitas coisas vão mudar após a eleição de Morales, comprometido com as massas indígenas, opositor da política de Washington, partidário das mobilizações de rua como expressão do poder popular, e advogado da nacionalização dos recursos energéticos do país mais pobre da América do Sul. A vitória de Morales, que gosta de ressaltar sua amizade com Fidel Castro e Hugo Chávez, reforça também inequivocamente a virada indigenista e esquerdista de uma parte da região", opina o El País , de Madri.

Bolivien Wahlen Anhänger der MAS des Präsidentschaftskandidaten Evo Morales in der Stadt La Paz Bolivien

Fosso social é profundo na Bolívia

Na avaliação diário suíco Neue Zürcher Zeitung , "Morales tem mostrado mais instinto populista e demagógico do que senso para as regras da democracia. Agora, espera-se dele habilidade integrativa num país, cuja sociedade está dividida por fossos profundos".

"Cinco governos diferentes em oito anos, dois presidentes derrubados em dois anos pelos protestos de rua – há algo de frívolo em chamar a Bolívia de democracia", escreve o editorialista do Frankfurter Allgemeine Zeitung ( FAZ ). "A eleição de Morales não foi uma troca de poder flanqueada por instituições políticas e, sim, uma rebelião (pacífica) da maioria indiana do país", continua o jornal.

Segundo o FAZ , "a intenção populista de Morales, de novamente estatizar o setor energético privatizado em 1996, pode espantar os investidores estrangeiros e ser a gota d'água".

Leia a seguir: a "tomada de poder" na Bolívia

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