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Mundo

Boko Haram nega ter aceitado cessar-fogo com autoridades nigerianas

Trégua havia sido anunciada pelo governo nigeriano. Em vídeo, chefe da milícia islâmica afirma que meninas sequestradas em abril foram convertidas ao Islã e se casaram.

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Manifestantes pedem a libertação das meninas sequestradas pela milícia

O grupo islâmico nigeriano Boko Haram afirmou que não fechou um acordo de cessar-fogo com o governo da Nigéria. Em um vídeo divulgado nesta sexta-feira (31/10), o chefe do grupo, Abubakar Shekau, disse que não reconhece Danladi Adamu, suposto representante da milícia e que teria negociado com as autoridades do país uma possível trégua.

O governo havia anunciado em 17 de outubro que tinha obtido um cessar-fogo com o grupo. Na gravação, Shekau afirmou ainda que as mais de 200 meninas sequestradas em abril num colégio católico em Chibok, no estado nigeriano de Borno, foram convertidas à religião muçulmana e se casaram.

"A questão das garotas está há muito tempo esquecida, porque eu as casei", disse o líder do grupo no vídeo.

Shekau confirmou que a milícia mantém um refém alemão, raptado em 16 de julho no estado de Adamawa, no nordeste do país. Esta foi a primeira reivindicação do sequestro cometido em Gombi, a 100 quilômetros da capital de Adamawa, Yola. Contatado pela agência de notícias AFP, o ministério alemão das Relações Exteriores não quis se pronunciar sobre o assunto.

Sequestro causou indignação

No dia 14 de abril, um grupo armado invadiu uma escola secundária para meninas do governo de Chibok e obrigou 276 alunas a entrarem em caminhões, que teriam seguido para uma área remota perto da fronteira com Camarões. Desde então, pelo menos 53 meninas conseguiram escapar do cativeiro, mas 223 ainda permanecem sob poder dos sequestradores. O sequestro causou indignação no mundo inteiro.

O Boko Haram é considerado um braço da rede terrorista Al Qaeda. A organização diz ter como meta fundar um califado islâmico no norte da Nigéria. Desde 2003 eles já fizeram milhares de vítimas em atentados contra instalações de segurança, instituições públicas, igrejas e escolas. De acordo com a ONG Human Rights Watch, o Boko Haram matou cerca de 2 mil pessoas somente neste ano.

FC/afp/dpa/rtr

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