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Mundo

Boca de urna diz que 93% votaram a favor da anexação da Crimeia à Rússia

Com votação encerrada, primeiro-ministro da península fala em decisão histórica. União Europeia e EUA reforçam que não aceitarão resultado da consulta popular e ameaçam aplicar novas sanções à Rússia.

Com a votação já encerrada, uma pesquisa de boca de urna apontou que 93% dos eleitores da Crimeia decidiram a apoiar a anexação da península no Mar Negro à Rússia no referendo deste domingo (16/03).

A pesquisa é do Instituto de Pesquisa Política e Social da Crimeia, e seu resultado foi divulgado pela agência estatal de notícias russa RIA. Segundo outra agência russa, a Interfax, a participação eleitoral foi superior a 80%.

No Twitter, o primeiro-ministro da região autônoma, Serguei Aksyonov, já festejou o que chamou de "decisão histórica". "Hoje nós tomamos uma decisão importante, que vai entrar para a história", escreveu.

Em comunicado, por outro lado, a Casa Branca se apressou em rejeitar o referendo e disse que a Rússia pagará, por meio de novas sanções, um preço por sua intervenção militar na Crimeia.

"A intervenção e a violação da lei internacional trarão aumentos de custos para a Rússia, como resultado direto das ações de desestabilização da própria Rússia", disse o principal porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

Da mesma forma se manifestou a União Europeia, que disse que a consulta popular é ilegítima. Seu resultado, segundo o bloco europeu declarou em comunicado neste domingo, não será reconhecido. Nesta segunda-feira, já com o resultado concreto do referendo, os ministros europeus do Exterior se reunirão para decidir sobre mais sanções.

A Rússia, que vetou uma resolução de condenação ao referendo no Conselho de Segurança da ONU neste fim de semana e mantém forte presença militar na região, afirmou que respeitará a opinião da maioria da península.

Os grupos étnicos russos respondem por aproximadamente 60% da população da Crimeia. A região pertenceu ao Império Otomano entre 1475 e 1774. Somente após a guerra russo-turca (1768-1774), a península no Mar Negro conseguiu a independência. Em 1783, porém, o Império Russo anexou a Crimeia e fez dela uma província russa.

Em 1954, a Crimeia passou a fazer parte da Ucrânia, então república soviética. Em fevereiro de 1991, a península obteve o estatuto de república autônoma, e ganhou nova Constituição. Uma ano depois, proclamou sua independência, mas decidiu continuar fazendo parte da Ucrânia.

RPR/afp/ap/rtr

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