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Alemanha

BND sob pressão por espionar jornalistas

Com revelação de novos detalhes, aumenta pressão sobre o Serviço Federal de Informações. Governo condena violação da liberdade de imprensa, oposição exige esclarecimento, afetados anunciam ações judiciais.

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Cada vez mais detalhes sobre violações da liberdade de imprensa

O governo alemão condenou a espionagem sistemática de jornalistas pelo Serviço Federal de Informações (BND) e não excluiu que o caso tenha conseqüências. Mas somente o próprio BND poderá impor medidas disciplinares, declarou em Berlim o vice-porta-voz do governo, Thomas Steg. Este garantiu que a coalizão de conservadores e social-democratas tem grande interesse no esclarecimento das acusações. O governo defenderá o "bem precioso liberdade da imprensa", não tolerará "tentativas desonrosas de infiltração" e tomará providências, se estas forem confirmadas.

O ex-coordenador dos serviços secretos Bernd Schmidbauer, chefe da Casa Civil no governo de Helmut Kohl, atribuiu em declaração à imprensa divulgada neste sábado (13/05) ao então presidente do BND, Hansjörg Geiger, a decisão de cooptar jornalistas para espionar colegas, em dezembro de 1996. Meta da ação seria descobrir vazamento de informações dentro do próprio BND. A Chancelaria Federal não foi informada, afirma Schmidbauer.

O serviço de inteligência reagiu até agora com reticência e um discreto pedido de desculpas. "O ex-presidente do BND August Hanning e seu sucessor Ernst Uhrlau buscaram há meio ano o diálogo com os jornalistas afetados. Na ocasião, admitiu-se publicamente que haviam sido cometido erros", declarou um porta-voz do BND à agência de notícias DPA.

Vários órgãos da imprensa afetados

O fato de que o BND se utilizou de jornalistas como informantes tornou-se conhecido já no ano passado. Para esclarecer a questão, o ex-presidente da Corte Suprema Gerhard Schäfer apresentou ao Grêmio de Controle Parlamentar um relatório sigiloso. Segundo informações que vazaram para a imprensa, o número de jornalistas espionados seria muito maior do que se supunha até agora.

O BND teria interesse especialmente em redatores das revistas Der Spiegel e Focus e dos diários Süddeutsche Zeitung e Hamburger Abendblatt. Ainda no segundo semestre do ano passado, o serviço secreto teria colhido informações sobre jornalistas, alguns dos quais teriam sido observados até em sua vida particular. Um informante teria recebido do BND mais de 650 mil marcos (325 mil euros) por seus relatórios.

A própria Spiegel confirmou neste sábado que o documento elaborado pelo juiz Schäfer relata sobre espionagens realizadas dentro da redação da revista em Hamburgo. O redator-chefe da Focus, Helmut Markwort, anunciou medidas judiciais. "Vamos entrar com uma queixa-crime contra os responsáveis", declarou à DPA.

Exigências de esclarecimento

Guido Westerwelle, presidente do partido e líder da bancada liberal no Parlamento, exige esclarecimento das acusações perante a opinião pública. O tratamento de um fato tão grave, que viola a liberdade de imprensa garantida pela Constituição, não pode ficar restrito ao âmbito de uma comissão secreta, declarou Westerwelle ao abrir a convenção de seu partido em Rostock, neste sábado.

A líder da bancada dos verdes, Renate Künast, exigiu igualmente que o caso seja tratado abertamente no Parlamento. A divulgação do relatório do juiz Schäfer é reivindicada também por associações de classe de jornalistas.

O Grêmio de Controle Parlamentar anunciou que se ocupará do caso em reunião extraordinária na próxima terça-feira (16/05).

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