Bispa luterana alemã renuncia após ser acusada de encobertar caso de pedofilia | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 17.07.2010
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Alemanha

Bispa luterana alemã renuncia após ser acusada de encobertar caso de pedofilia

A bispa de Hamburgo, Maria Jepsen, renunciou ao cargo após a imprensa alemã afirmar que ela sabia das acusações de abuso sexual por um pastor e não o afastou do contato com jovens.

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Jepsen: primeira evangélica a renunciar devido ao escândalo de pedofilia que atinge a igreja

A bispa luterana de Hamburgo, Maria Jepsen, de 65 anos, renunciou ao cargo na última sexta-feira (16/07), após acusações de que não teria reagido a denúncias de pedofilia em sua igreja, a Nordelbische Kirche, e encobertado o caso. Ela teria permitido que um pastor acusado de abusar sexualmente de adolescentes continuasse em contato com jovens.

Jepsen disse que a acusação põe em dúvida a sua credibilidade. "Não me sinto em condições de continuar a disseminar a Boa Nova, como prometi na minha ordenação e na minha eleição para bispa, diante de Deus e da diocese", justificou. É a primeira vez que o atual escândalo de pedofilia envolvendo religiosos afeta a Igreja Luterana da Alemanha.

Testemunha contesta Jepsen

O pastor, hoje aposentado, é acusado de ter abusado sexualmente de seus enteados e de vários outros jovens na cidade de Ahrensburg, nas proximidades de Hamburgo. Os abusos teriam acontecido do entre o final dos anos 1970 e meados dos anos 1980.

A direção da Igreja afirma só ter tomado conhecimento do caso por meio de uma carta enviada em março de 2010, por uma das vítimas, uma mulher que tem hoje 46 anos.

Diversos órgãos da imprensa alemã afirmam, contudo, que Jepsen teria sido informada já em 1999. O jornal Hamburger Abendblatt publicou uma declaração, fetia sob juramento, de uma testemunha, que assegura ter informado Jepsen dos referidos abusos em 1999, durante um congresso. A bispa diz que, na época, ficou sabendo apenas de um caso extraconjugal do pastor.

O semanário Der Spiegel afirma que pastor foi afastado de comunidade em que atuava em 1999, mas continuou trabalhando na igreja e mantendo contato com jovens até se aposentar, em 2001.

Segunda renúncia

Este é o segundo escândalo envolvendo mulheres na Igreja Luterana da Alemanha em menos de seis meses. Em fevereiro passado, a bispa Margot Kassmann, então presidente da Igreja, renunciou ao cargo depois de ter sido flagrada pela polícia conduzindo um veículo alcoolizada.

O presidente do Conselho da Igreja Luterana, Nikolaus Schneider, lamentou a decisão de Jepsen e destacou a atuação da bispa em favor da igualdade de direitos das mulheres e da união homossexual, bem como seu engajamento em prol do ecumenismo e nas relações com Israel.

Em abril de 1992, Jepsen tornou-se a primeira bispa evangélica em todo o mundo. Ela foi reeleita em 2002, para um mandato de mais dez anos. A Nordelbische Kirche é uma das 22 Igrejas protestantes que formam a Igreja Luterana no país.

AS/dpa/rtr/afp/epd/lusa

Revisão: Soraia Vilela

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