1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

Bioetanol compensa redução da produção alemã de açúcar

Reforma do mercado europeu do açúcar, decorrente da vitória do Brasil na OMC, leva agricultores alemães a plantar beterraba para produzir bioetanol. Brasil exporta mais açúcar para a União Européia.

default

Colheita de beterraba de açúcar

Os países da União Européia ainda buscam alternativas para implementar a reforma do mercado de açúcar, aprovada no final de 2005, depois da vitória do Brasil, da Tailândia e de outros países na Organização Mundial do Comércio (OMC), e que se encontra em vigor desde julho de 2006. Os agricultores alemães apostam no bioetanol para compensar as perdas no açúcar.

Devido à derrota na OMC, a UE é obrigada a reduzir em até 39,7% até 2009 o preço garantido através de subsídios aos agricultores europeus que produzem beterraba de açúcar. Essa medida deve levar a uma redução de 36% da produção de açúcar do bloco de 20 milhões de toneladas para aproximadamente 14 milhões de toneladas anuais. A OMC também limitou as exportações de açúcar da UE a 1,4 milhões de toneladas anuais.

Segundo um balanço feito pela presidência alemã da UE, que terminou neste fim de semana, até agora a redução foi de apenas 2,2 milhões de toneladas. "Isso não basta para estabilizar o mercado europeu de açúcar", informou o Ministério alemão da Agricultura à DW-WORLD. O setor mostra-se insatisfeito com os prêmios oferecidos por Bruxelas para reduzir a produção.

Segundo o ministério, existe a ameaça de um excedente de produção de mais de 4 milhões de toneladas. "Por isso, em maio passado, a Comissão Européia propôs medidas para acelerar a reestruturação do mercado. Nos próximos dois exercícios financeiros devem ser abandonadas cotas correspondentes a 3,8 milhões de toneladas de açúcar", informou Berlim, antes de passar a presidência da UE a Portugal.

O ministério informou ainda que, para o ano financeiro de 2006/2007 (15 meses), a UE previu a importação de 1,88 milhões de toneladas dos países da África, do Caribe, do Pacífico e da Índia; 380 mil toneladas dos Bálcãs; 400 mil toneladas da Romênia e da Bulgária; e 570 mil toneladas de outros Estados.

Brasil exporta mais à UE

Zuckerrohr

Cana-de-açúcar: matéria-prima para açúcar e etanol

O Brasil não foi mencionado nesta estatística, embora o país tenha conseguido aumentar suas exportações para a Europa após a vitória na OMC. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e do Comércio Exterior, as vendas brasileiras de açúcar de cana em bruto e outros açúcares à UE aumentou de 327 mil toneladas no período de junho de 2005/maio de 2006 para 598 mil toneladas de junho de 2006/maio de 2007.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) prevê para este ano um aumento de 8% da produção brasileira de açúcar bruto, que deverá somar 21,8 milhões de toneladas. O maior importador de açúcar brasileiro é a Rússia, que nos 11 meses até fevereiro de 2007 comprou 3,5 milhões de toneladas do produto. Outros 1,2 milhão de toneladas foram para o Irã e 900 mil toneladas para o Egito.

Segundo o Ministério alemão da Agricultura, para estabilizar o mercado europeu, foi aprovada em março passado uma "redução preventiva" de 2 milhões de toneladas da produção da UE na safra 2007/2008. Isso significa que também os agricultores alemães terão de reduzir sua produção de beterraba em mais 13,5%.

Do açúcar ao bioetanol

Windmühle in einem Rapsfeld

Alemanha é o maior produtor de colza da UE

Segundo o diretor-executivo do Grupo de Trabalho dos Produtores de Beterraba da Alemanha, Dietrich Klein, a área cultivada com beterraba de açúcar no país já caiu 14%, de 419 mil hectares na safra 2005/2006 para 360 mil hectares em 2006/2007.

"Uma parte dessa redução está sendo compensada pelo plantio de beterraba usada no processamento de outros produtos alimentícios ou para produção de bioetanol. Sobretudo o bioetanol começa a ser uma alternativa. A partir de 2008, começa a funcionar uma usina na Saxônia, com capacidade para produzir 100 mil toneladas de etanol, e outra de 46 mil toneladas em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental", explica.

Klein diz que a maioria dos 43 mil plantadores de beterraba na Alemanha está se adaptando à nova situação na UE. Mas como os contratos com as usinas de bioetanol rendem menos do que a produção subsidiada de açúcar, que está com os dias contados, alguns também estariam abandonando a cultura da beterraba e optando, por exemplo, pelo plantio de colza para biodiesel.

Diante da crescente demanda mundial de biocombustíveis e da baixa do preço do açúcar no mercado internacional, também no Brasil a produção de etanol concorre cada vez mais com a de açúcar.

Mesmo assim, por enquanto, ainda parece se confirmar o que previu há um ano o diretor do escritório da Fundação Friedrich Ebert em Bruxelas: "Para os agricultores da UE, a reforma do mercado de açúcar será 'adoçada' com subsídios. Os pequenos produtores da África, do Caribe e do Pacífico são os perdedores. Os grandes ganhadores são os produtores brasileiros, que no futuro dominarão o mercado mundial do açúcar."

Leia mais