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Futurando!

Biodigestores ajudam no saneamento e produzem energia limpa

Suinocultores do Sul do Brasil aplicam a mesma técnica que o Futurando mostrou na reportagem sobre o uso de flores como fonte de energia e conseguem vender o excedente da produção.

Produção suína

Produção suína

Transformar resíduos em fontes de energia e, com isso, diminuir o volume de materiais descartados no meio ambiente tem sido o desafio de muitos pesquisadores. O Futurando dessa semana mostrou um projeto que transforma flores do campo em fonte de energia. O processo utilizado, os biodigestores, é conhecido dos brasileiros e tem sido empregado especialmente por suinocultores no Sul do país.

O processo de biodigestão é relativamente simples. Material orgânico é colocado em uma câmara de compostagem: o biodigestor. Bactérias se encarregam da decomposição da matéria orgânica e produzem gás metano, que pode ser usado para a queima direta ou para produzir eletricidade. Os resíduos do biodigestor, por sua vez, podem ser usados como adubo orgânico.

No Brasil, essa é uma tecnologia bastante utilizada na produção de suínos, como explica o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Wilson Tadeu Lopes da Silva, pós-doutor em química analítica e ambiental. Ele pesquisa, entre outros assuntos, o aproveitamento de resíduos na agricultura. Segundo ele, os estados do Sul têm usado intensamente a técnica, embora seja difícil precisar em números o volume de produção. “É uma fonte de energia que não pode ser desperdiçada”, enfatiza.

Potencial para produzir mais

Na Alemanha, várias cadeias produtivas utilizam biodigestores para aproveitar resíduos

Na Alemanha, várias cadeias produtivas utilizam biodigestores para aproveitar resíduos

Conforme o pesquisador, a produção bovina de leite ou carne não oferece um cenário tão propício para o uso de biodigestores, já que o material orgânico encontra-se diluído, como no caso da água residual da ordenha. O dejeto suíno apresenta as características ideais para a técnica: é pouco fibroso e rico em gases. Além disso, é um campo que oferece potencial de expansão no país.

Nos cálculos do pesquisador, o rebanho suíno brasileiro é estimado em 36 milhões de cabeças confinadas, o que poderia gerar 10,8 milhões de metros cúbicos de biogás todos os dias. Isso equivale a cerca de 30 mil botijões de gás de 30 quilos, como os usados nas residências. Silva explica que, no entanto, o engarrafamento do biogás não é necessariamente uma alternativa econômica viável para o cenário brasileiro, embora isso ocorra em países como a Alemanha. “A melhor forma de aproveitamento é a queima direta para aquecer granjas ou para movimentar motores estacionários na produção de energia elétrica”, explica.

Lucro com o excedente

Segundo o pesquisador da Embrapa, o mais importante, no entanto, não é o desempenho energético do biodigestor, mas sim seu potencial de saneamento. O biodigestor oferece uma forma segura de tratar os dejetos suínos que, de outra forma, acabariam oferecendo risco de poluir o meio ambiente. “É um sistema muito adequado, um ciclo fechado”, explica.

Na opinião de Silva, é fundamental que os produtores rurais tenham em mente que a energia e o adubo produzido pelos biodigestores são um bônus no processo de saneamento básico e ambiental. “A produção paga a manutenção do sistema e alguns produtores têm vendido o excesso para as concessionárias de energia”. Trata-se de uma forma de preservar o meio ambiente e completar a renda das propriedades rurais.

Autora: Ivana Ebel
Revisão: Francis França